O setor da construção civil brasileira enfrenta uma nova crise de abastecimento e custos. A guerra envolvendo os Estados Unidos, “Israel” e o Irã, iniciado no final de fevereiro de 2026, desestabilizou o mercado global de insumos, provocando reajustes imediatos que chegam a 35% em materiais essenciais, como tubos de PVC e conexões.
A disparada nos preços é impulsionada pela valorização do petróleo e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa 20% do petróleo global. O barril do tipo Brent, que custava cerca de US$ 70 antes do conflito, saltou para US$ 119,50 no início de março, mantendo-se em patamares elevados.
Empresas líderes no fornecimento de insumos já comunicaram seus clientes sobre a impossibilidade de manter os preços anteriores. A instabilidade não afeta apenas o valor final, mas a própria disponibilidade dos produtos.
Principais aumentos comunicados pelas empresas:
- Tigre: reajuste de 16% em todo o portfólio de tubos e conexões a partir de 11 de abril
- Orbia (Amanco Wavin): aumentos de até 35% em produtos da linha PPR e 15% nos demais itens
- Plastubos: alta de 15% prevista para a segunda quinzena de abril
- Anjo Tintas: bloqueio imediato das vendas de solventes (Thinner e Aguarrás) devido à volatilidade extrema
- Pevesul e Daqua: suspensão temporária de pedidos e vendas até a reavaliação das condições comerciais
Além da alta da matéria-prima (resinas plásticas derivadas do petróleo, como PVC e polietileno), o setor lida com dois agravantes internos:
- Transporte: o encarecimento do óleo diesel impacta diretamente o frete de itens pesados, como cimento e concreto, elevando o custo da obra.
- Protecionismo e impostos: A recente decisão do Gecex-Camex de aumentar o Imposto de Importação sobre resinas e aplicar sobretaxas a produtos norte-americanos e canadenses limita as opções de compra.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alerta que a manutenção da guerra pode levar à paralisação de obras de infraestrutura e programas habitacionais. A meta de entregar três milhões de residências pelo programa Minha Casa, Minha Vida até o fim de 2026 tornou-se um “objetivo desafiador”.
Segundo Dionyzio Klavdianos, vice-presidente da CBIC, o impacto é sentido de forma generalizada. “Se a guerra continuar, pode chegar ao ponto de escassez de produto. O PVC hoje é utilizado em todas as etapas da construção por conta da inovação e do menor custo em saneamento. Sem matéria-prima e com preços proibitivos, o risco de atrasos e inflação setorial é real”, afirmou.



