A Lufthansa ainda não comprou o controle da TAP. O governo português selecionou a empresa alemã nesta quarta-feira (14/10) para adquirir 44,9% das ações; outros 5% estão reservados aos trabalhadores e poderão ser incorporados à compra se eles não exercerem esse direito. O Estado conservará 50,1% nesta fase, sujeita às etapas necessárias para concluir a operação. O comunicado oficial prevê, porém, que o parceiro privado assuma a gestão operacional da companhia.
O governo já anunciou o passo seguinte. Lufthansa e Air France-KLM, concorrentes na disputa, apresentaram propostas para adquirir a maioria do capital numa eventual segunda fase. Lisboa escolheu a oferta alemã e prepara o processo para essa nova venda. A Lufthansa saudou publicamente a perspectiva de privatização total. A entrega da maioria ainda não foi consumada; deixou de ser uma hipótese oculta e passou a integrar os planos anunciados pelas partes.
A TAP reúne rotas que ligam Portugal ao Brasil, às ilhas e aos países africanos de língua portuguesa. Essas ligações são parte do interesse alemão na compra: a Lufthansa ampliará sua presença na América Latina por meio de uma empresa construída e sustentada com recursos portugueses.
Luís Montenegro apresenta a escolha como uma vitória financeira sobre a proposta da Air France-KLM. Seu governo promete conservar a marca TAP, a sede em Lisboa e investimentos na frota. Essas promessas não devolvem ao povo português o poder de decidir o destino da companhia quando sua operação passar à influência direta do grupo alemão — e menos ainda se a segunda fase entregar a maioria das ações.
O Estado aplicou recursos públicos para manter a TAP. Agora, depois de pagar pela sobrevivência da empresa, abre sua administração à Lufthansa e prepara uma venda adicional. As rotas para o Brasil e para outros países de língua portuguesa continuarão valiosas; a questão é quem ficará com o poder de organizá-las e de receber os ganhos que elas produzem.





