Numa residência em Bint Jbeil, no sul do Líbano, “Israel” assassinou no último domingo (26) uma criança brasileira de 11 anos, sua mãe — também brasileira — e seu pai libanês. Outro filho do casal, igualmente brasileiro, está hospitalizado. A reação do Itamaraty foi publicar uma nota nojenta, em que o governo brasileiro condena os ataques “tanto por parte das forças israelenses quanto do Hesbolá”:
“Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah. Condena, ainda, as demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano, levadas a efeito, ao longo das últimas semanas, pelas forças israelenses, e a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses.
Nesse contexto, o Brasil exorta as partes ao cumprimento integral dos termos da Resolução 1701 (2006) do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que estabeleceu os termos do cessar-fogo que encerrou a guerra de 2006, e à imediata cessação das hostilidades, com a retirada completa das forças israelenses do território libanês.”
Isso é de um cinismo extraordinário. Até a pessoa mais desinformada sabe que quem rompeu o cessar-fogo foi “Israel”, e que o Hesbolá apenas reagiu aos ataques israelenses. A nota assinada pelo ministro Mauro Vieira inverte os fatos para repartir culpas entre quem mata e quem se defende. Como esconder a morte da família brasileira seria muito difícil, recorre-se à manobra: “Israel” só estaria atirando porque o Hesbolá teria má vontade. A conclusão indireta, mas inevitável, é que quem matou as brasileiras em Bint Jbeil foi o Hesbolá.
Trata-se de mais uma demonstração de que o governo Lula está sendo dominado pelo sionismo. O Itamaraty já promoveu seminário com os principais representantes de “Israel” no País. Há figuras de destaque do PT que são sionistas declarados, como Jaques Wagner. Deputados do mesmo PT assinaram o projeto criminosamente sionista de Tábata Amaral. A Polícia Federal impede a entrada de palestinos no País — todo palestino é tratado como terrorista —, enquanto militares sionistas que cometeram crimes de guerra circulam livremente pelo território nacional. É lamentável. Muito lamentável.
Temos, pelo menos até o final do ano, um governo chefiado por Luiz Inácio Lula da Silva, pessoa de esquerda, liderança operária forjada na luta contra a ditadura militar, dirigente do maior partido de esquerda do Brasil e talvez da América Latina. E é esse governo que autoriza a publicação de uma nota como essa.
A premissa do Itamaraty é que “Israel” respeitaria a população libanesa caso o Hesbolá ficasse quieto. Como acreditar nisso, se “Israel” foi fundado por gente que decidiu que a terra dos outros é a sua própria terra? “Israel” é uma invasão extremamente violenta e criminosa, e será assim até o seu fim. Por isso existe um movimento antissionista — do qual fazem parte, inclusive, judeus que entendem que o Estado de “Israel” é uma ameaça aos próprios judeus, oprime os judeus e provoca, em escala mundial, a confusão entre os crimes do sionismo, que é uma ideologia política determinada, e o povo judeu, que nada tem a ver com isso e é, na verdade, vítima do sequestro ideológico operado pelo sionismo.
A nota desta segunda-feira repete o método já empregado pelo governo brasileiro durante a guerra em Gaza, quando se condenou a “ação terrorista do Hamas” antes de qualquer menção ao genocídio. A leitura que dela se extrai é a mesma de agora: não houvesse “ação terrorista”, “Israel” não teria agido, e estaria tudo tranquilo.
Se nosso governante fosse Flávio Bolsonaro, seria papel dele agir assim. O pai entregou a Eletrobrás ao capital estrangeiro, ao Jorge Paulo Lemann, que é, não por coincidência, padrinho da própria Tábata Amaral. Os Bolsonaros não têm vínculo algum com o movimento operário ou com o movimento popular. Se um governo de direita publica esse tipo de nota, ninguém se surpreenderia. Mas um governo de esquerda jamais poderia fazê-lo.
A conclusão é que Lula perdeu o controle do seu governo. A nota foi escrita por um sionista. O ministro de Relações Exteriores apenas assinou. O Itamaraty está sendo comandado pelo estrangeiro, pelo Estado de “Israel”. Lula não tem responsabilidade direta pela infiltração imperialista e sionista nas instituições brasileiras, mas tem o dever de denunciá-la. Se ele não denuncia, se ele não bate na mesa, se ele não briga dentro do governo para varrer os sionistas, se ele não briga dentro do PT para varrer figuras como Jaques Wagner — gente de extrema direita dentro do próprio partido —, ele está, objetivamente, favorecendo a ação do sionismo no Brasil.
Fica registrado, aqui, o mais completo repúdio ao posicionamento do governo brasileiro.





