O governo do Rio de Janeiro extinguiu a Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável depois que uma auditoria encontrou indícios de irregularidades em contratos que movimentaram cerca de R$ 115 milhões.
As suspeitas envolvem programas executados por organizações privadas com recursos do governo estadual. Entre os problemas apontados estão possíveis superfaturamentos, falhas na execução dos serviços e irregularidades administrativas.
A reação do governo incluiu a exoneração de servidores, suspensão de repasses e a extinção da própria secretaria.
É justamente nesse ponto que o escândalo deixa de atingir apenas os responsáveis pelos contratos e passa a punir a população.
Se R$ 115 milhões foram desviados ou mal utilizados, o dinheiro deve ser recuperado e os responsáveis devem pagar por isso.
Não há razão para extinguir serviços destinados a jovens e idosos.
Entre as irregularidades identificadas estão unidades previstas que não chegaram a funcionar, gastos considerados incompatíveis com a execução dos projetos e problemas na contratação de pessoal.
Em vez de garantir a continuidade dos serviços enquanto apura as responsabilidades, o governo utiliza a crise provocada por sua própria administração como justificativa para desmontar a estrutura pública.
A população não assinou os contratos, não escolheu as entidades privadas e não autorizou qualquer desvio.
Não pode, portanto, ser chamada a pagar a conta.
Os R$ 115 milhões devem ser cobrados de quem se beneficiou de eventuais irregularidades. Cortar programas sociais é apenas fazer com que os prejudicados pelo escândalo sejam justamente aqueles que não tiveram qualquer participação nele.





