Um teste realizado em dezembro de 2024 demonstrou que o Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP) pode ser lançado de uma viatura ASTROS. A adaptação interessa à defesa do litoral brasileiro, pois permitiria deslocar por terra lançadoras de um míssil com alcance aproximado de 70 quilômetros. A demonstração, contudo, não concluiu o projeto: controles eletrônicos ainda precisam ser integrados à viatura e submetidos a novos ensaios. Segundo informações divulgadas em outubro, os Fuzileiros Navais dependem de recursos para terminar essa etapa.
A falta de financiamento para a plataforma terrestre não significa que o MANSUP inteiro tenha sido abandonado. Em 2025, a Marinha contratou um primeiro lote de 16 mísseis destinados ao emprego naval. Empresas brasileiras também trabalham numa versão de maior alcance. A questão imediata é transformar o lançamento feito no teste do ASTROS em um equipamento completo, que possa operar com os sistemas internos da viatura.
O contraste com os Estados Unidos é evidente na decisão de sustentar o próprio projeto até a produção. A Força Aérea norte-americana firmou um contrato de US$694 milhões com a Lockheed Martin para fabricar o AGM-183A. Trata-se de um míssil hipersônico de finalidade diferente da do armamento brasileiro; comparar sua capacidade com a do MANSUP não faria sentido. O que se pode comparar é a disponibilidade de recursos para desenvolver e encomendar tecnologia nacional.
O governo brasileiro deve financiar a conclusão dos testes, assegurar encomendas e preservar as equipes envolvidas no MANSUP. A indústria de defesa não se mantém apenas com demonstrações bem-sucedidas. Se o Estado deixa um projeto nacional à espera de verba justamente na passagem do teste para o uso regular, abre espaço para a compra de armamentos estrangeiros e desperdiça o trabalho já realizado no País.





