A França retirou seus diplomatas de Burquina Fasso após o governo transitório do país africano romper relações diplomáticas com Paris. A informação foi divulgada pela AFP, citando o Ministério das Relações Exteriores francês.
O governo burquinês notificou a França em 26 de junho de que rompia relações diplomáticas com efeito imediato. Burquina Fasso denunciou Paris por manter ambições de domínio colonial e por apoiar redes subversivas e terroristas no país.
A França classificou a medida como “hostil e infundada” e anunciou medidas recíprocas. Na segunda-feira (6), o Ministério das Relações Exteriores francês informou que todos os diplomatas franceses retornaram à França no fim da semana anterior. O encarregado de negócios de Burquina Fasso em Paris foi convocado e informado de que a equipe diplomática burquinês deveria deixar o território francês em sete dias.
As relações entre os dois países se deterioraram desde que o presidente interino, capitão Ibrahim Traoré, chegou ao poder em 2022. As tropas francesas foram obrigadas a deixar Burquina Fasso no ano seguinte.
Em 2023, o país expulsou o embaixador Luc Hallade e o adido de Defesa Emmanuel Pasquier. Em 2024, declarou três diplomatas franceses como pessoas não aceitas no país.
A crise faz parte do processo de expulsão da presença militar francesa no Sahel. Tropas francesas deixaram o Máli em 2022, Burquina Fasso e Níger em 2023 e Chade no início de 2025. Cerca de 4.500 soldados chegaram a ser mobilizados pela Operação Barkhane.
Mali, Burquina Fasso e Níger criaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES), saíram da Organização Internacional da Francofonia e estabeleceram novas alianças, inclusive com a Rússia.




