América Latina

Folha de S.Paulo quer que Cuba volte a ser um prostíbulo

Jornal da Família Frias, embora critique o atual presidente norte-americano, revive campanha de calúnias contra o Estado Operário cubano

No último dia 22 de maio de 2026, a Folha de S.Paulo publicou um editorial intitulado Trump aumenta pressão contra a ditadura cubana, no qual destila seu veneno contrarrevolucionário a Revolução Cubana, enquanto procura criticar o presidente norte-americano Donald Trump. Alinhada até a medula com a quadrilha do Partido Democrata norte-americano — a ala “cheirosa” e pretensamente democrática do imperialismo global —, a Folha aproveita a evidente fragilidade internacional do governo republicano após o seu fracasso militar e político na agressão contra o Irã para posar de crítica da Casa Branca. Contudo, trata-se de um cinismo: o jornal passa noventa por cento do tempo atacando a ilha caribenha para, somente nos parágrafos finais, ensaiar uma oposição covarde a Trump. Em essência, a Folha e o trumpismo defendem exatamente o mesmo objetivo: a destruição da Revolução Cubana e a recolonização da ilha.

O nível de vigarice intelectual do texto fica evidente logo no olho, onde o jornal tenta equilibrar sua torcida pela queda do regime cubano com o seu pânico de que Trump capitalize essa vitória geopolítica. Escreve o editorial da Folha:

“Comunismo cubano é relíquia da Guerra Fria que deveria chegar ao fim, mas temor sobre o que virá sob patrocínio da Casa Branca é legítimo.”

O jornal não tolera a figura de Trump porque ele representa uma ala descontrolada e contraditória da burguesia imperialista. Contudo, ao classificar o regime cubano como uma “relíquia que deveria chegar ao fim”, a Folha assina embaixo de todo o histórico de agressões coloniais contra a ilha, divergindo apenas sobre quem deve liderar o processo de pilhagem e como o território será administrado após uma eventual queda do Estado operário.

O texto celebra o cerco à ilha mencionando com entusiasmo a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro de 2026 e o recente indiciamento de Raúl Castro, de 94 anos, pela justiça norte-americana, classificando as ações de Trump como uma “retomada de prioridade estratégica”. A preocupação da Folha, portanto, é puramente cosmética:

“É lamentável que o artífice da eventual queda do castrismo, algo longe de ser uma certeza, dada a resiliência histórica do regime, seja um desqualificado como Trump, que pode tentar repetir o que fez na Venezuela e cooptar o governo, ignorando a população. Seria um cenário tão ruim quanto a volta de Cuba à condição de cassino da elite da Flórida, um temor legítimo…”

Para além do cinismo, o editorial da Folha de S.Paulo demonstra a completa incapacidade da burguesia de realizar qualquer análise histórica e honesta sobre a luta de classes na América Latina. Para o jornal dos Frias, a grandiosa epopeia do povo cubano em 1959 é reduzida a um mero acidente ou a um golpe de sorte de um punhado de barbudos..

A Folha afirma que os Estados Unidos estabeleceram ”um protetorado que foi desmontado, em 1959, pela revolução de Fidel Castro” e que “a tentativa de retomar o controle na fracassada invasão da baía dos Porcos, dois anos depois, jogou o frágil regime cubano no colo da União Soviética.”

A intenção da Folha despir a Revolução Cubana de seu caráter de classe e de massas. A Folha quer fazer crer que o povo cubano trocou passivamente um senhor por outro, transformando décadas de resistência heroica em uma humilhante submissão à União Soviética.

O que ocorreu em Cuba não foi uma mera troca de governantes, mas uma profunda revolução social. O povo operário e camponês, organizado e em armas, varreu da ilha a ditadura sangrenta de Fulgêncio Batista, expropriou a burguesia parasitária local e expulsou a máfia norte-americana que utilizava o país como seu prostíbulo e cassino particular. Foi essa destruição do Estado burguês e o posterior surgimento de um Estado operário que garantiu as maiores conquistas sociais da história de Cuba em termos de saúde, educação e soberania.

Se o governo cubano é apenas uma “ditadura comunista [que] se fortaleceu” por meio da “profunda repressão” e que hoje se encontra “em frangalhos devido a políticas obsoletas”, como explicar o milagre de sua sobrevivência? Como uma ditadura supostamente impopular, falida e odiada por seu próprio povo consegue resistir a quase 70 anos do mais brutal, implacável e asfixiante assédio econômico e militar já visto na América Latina?

Qualquer governo burguês da região desmoronaria em semanas se sofresse dez por cento das sanções impostas a Cuba. A ilha resistiu à queda do bloco soviético nos anos 1990, resistiu a centenas de atentados contra suas lideranças e segue resistindo em 2026. A Folha não consegue responder a esse enigma porque esconde o fato de que a sustentação do Estado cubano não reside no aparato policial — como ocorre nas democracias burguesas —, mas sim na organização popular e na defesa das conquistas da Revolução. Para o jornal capitalista, admitir que um Estado operário se mantém de pé pelo apoio ativo de sua população seria confessar a falência do próprio modelo de dominação capitalista.

Se o editorial da Folha de S.Paulo já cambaleava no campo da história, é no terreno da economia que ele atinge o ápice da desfaçatez. Para tentar absolver o imperialismo pelos sofrimentos impostos à população da ilha — intensificados pelas novas sanções e cercos energéticos de 2026 —, o jornal dos Frias tem a pachorra de decretar que o cerco econômico não é o responsável pelas dificuldades de abastecimento e energia em Cuba.

Diz o texto do editorial:

“A desculpa de que as mazelas decorrem do embargo americano, de resto indevido, não se sustenta. O comunismo cubano é uma relíquia da Guerra Fria, marcado por centralização econômica e repressão política.”

O próprio editorial, tomado por uma contradição flagrante que expõe a fragilidade de suas mentiras, confessa linhas antes: “ao bloquear o maior fornecedor de petróleo de Havana, Trump aprofundou uma crise agônica. Apagões e fome viraram a norma”. Como é possível que o mesmo jornalista, no espaço de três parágrafos, admita que o bloqueio ao petróleo causou os apagões e a fome, e logo em seguida crave que “a desculpa de que as mazelas decorrem do embargo não se sustenta”?

Essa esquizofrenia visa atacar o planejamento econômico do Estado operário e defender a política parasitária dos capitalistas em países como o Brasil, que assaltam mais de metade do orçamento estatal. Para a Folha, a fome e a falta de luz em Cuba são culpa da “centralização econômica“, e não do fato de a maior potência militar e financeira do planeta asfixiar sistematicamente o comércio da ilha, congelar seus ativos no exterior, proibir a importação de insumos básicos e punir com sanções extraterritoriais qualquer empresa ou país que ouse vender remédios, alimentos ou combustíveis para o país caribenho.

O objetivo de qualquer cerco, embargo ou bloqueio econômico é, por definição, sabotar a economia do país alvo para induzir a população ao desespero e forçar uma mudança de regime. Se o embargo norte-americano fosse um elemento secundário ou inofensivo, incapaz de ditar as mazelas da ilha, por que o governo norte-americano gastaria bilhões de dólares anuais para monitorá-lo? Por que o imperialismo manteria esse garrote há mais de seis décadas sob o protesto unânime da Assembleia Geral da ONU?

Para mascarar o verdadeiro pânico que a existência de Estado Operário latino-americano causa aos Estados Unidos, o editorial da Folha de S.Paulo encerra sua engrenagem de mentiras recorrendo a uma explicação puramente geográfica. O jornal tenta reduzir a obsessão implacável do Estado norte-americano contra a ilha a uma mera disputa de rotas comerciais e controle náutico:

“…não deu certo, e o motivo do interesse americano permaneceu. Cuba ocupa posição estratégica, ameaçando 40% do comércio marítimo em tonelagem dos EUA, que sai dos portos no golfo do México rumo ao Atlântico. Esse fato geopolítico explica a obsessão retomada por Donald Trump.”

Essa tese de que Cuba representa uma “ameaça militar” a 40% do comércio marítimo norte-americano é bizarra. Trata-se de uma inversão cínica: uma ilha cercada, sem frota de guerra agressiva e constantemente vigiada por satélites e bases navais estrangeiras (como a própria excrescência colonial de Guantánamo) é pintada como uma perigosa agressora de navios mercantes da maior superpotência do planeta. Cuba nunca bloqueou os Estados Unidos; são os Estados Unidos que bloqueiam Cuba.

O verdadeiro pânico do imperialismo mundial — e de seus porta-vozes na imprensa liberal como a Folha — é político e ideológico. O que ameaça os Estados Unidos é o fato de que Cuba é um farol para os povos oprimidos.

Nesta etapa atual de crise histórica profunda do capitalismo, onde o imperialismo bate cabeça, acumula derrotas e fracassa em suas investidas militares — como ficou demonstrado na sua incapacidade de dobrar o Irã no Oriente Próximo —, o exemplo de Cuba se torna intolerável para a burguesia. A existência do regime castrista prova aos trabalhadores de todo o mundo, em especial da América Latina, que é perfeitamente possível enfrentar o monstro imperialista, expropriar os capitalistas, derrotar o exército burguês e organizar a sociedade sobre bases operárias.

Cuba é a prova viva de que a luta revolucionária vale a pena e que o capitalismo não é o fim da história. É essa mensagem que a Folha de S.Paulo tenta apagar de forma canalha ao pintar o país como uma “relíquia obsoleta”. Seus donos sabem que, diante da miséria generalizada produzida pelo livre mercado em todo o continente, o farol cubano pode voltar a incendiar a imaginação e a ação das massas operárias. Por isso, a Folha se une a Trump no desejo de apagar essa luz; divergem apenas no sapato que vai pisoteá-la.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.