O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, sancionou alterações na Lei de Energia Nuclear que derrubam a proibição de armas nucleares no território finlandês. A mudança, aprovada pelo Parlamento no início do mês, entra em vigor no dia 1º de julho.
Com a nova legislação, a Finlândia fica autorizada a importar, transportar, fornecer e armazenar armas nucleares. A medida foi adotada três anos depois de o país abandonar sua antiga política de neutralidade militar e ingressar na OTAN, bloco militar dirigido pelos EUA.
A entrada da Finlândia na OTAN aprofundou a tensão com a Rússia. Os dois países compartilham uma fronteira de 1.340 quilômetros, uma das maiores entre um país membro da aliança militar imperialista e o território russo.
Mudança na lei
Segundo o governo finlandês, “o presidente da República aprovou a proposta” nesta sexta-feira. A declaração oficial também informou que as novas normas passam a valer em 1º de julho.
O ministro da Defesa da Finlândia, Antti Hakkanen, defendeu a alteração antes da votação parlamentar. Segundo ele, a “proibição total de explosivos nucleares da época da Guerra Fria” não era compatível com a nova condição do país como integrante da OTAN.
Hakkanen afirmou ainda que as mudanças “permitem a plena utilização da dissuasão nuclear da OTAN”. Ao defender a medida, o ministro atacou os partidos contrários à mudança, afirmando que eles se baseavam em posições “errôneas” de “alguns chamados defensores da paz”.
Rússia denuncia ameaça
O governo russo advertiu a Finlândia contra a revogação da proibição nuclear. O porta-voz do Crêmlin, Dmitri Peskov, afirmou que a medida pode “levar a uma escalada das tensões no continente europeu”.
“Com a instalação de armas nucleares em seu território, a Finlândia começa a nos ameaçar. E, se a Finlândia nos ameaça, tomaremos as medidas adequadas”, declarou Peskov.
A Rússia também classificou a decisão finlandesa como “confrontação concentrada”. A embaixada russa em Helsinque afirmou que até mesmo a possibilidade “teórica” de armas nucleares aparecerem em solo finlandês será levada em conta pelos planejadores militares russos.
Na quarta-feira, o representante permanente da Rússia no escritório da ONU em Genebra, Guenádi Gatilov, declarou que a presença de armas nucleares nas fronteiras russas, seja na Finlândia ou na Polônia, será tratada como “uma ameaça direta que exige contramedidas compensatórias”.
“Isso aumenta a segurança dos respectivos países da OTAN? Eu realmente duvido”, afirmou o diplomata à RIA Novosti.
Stubb, conhecido por sua posição hostil à Rússia, sancionou as mudanças um dia depois de declarar ao Politico estar “realisticamente otimista” sobre o resultado da guerra na Ucrânia, ao mesmo tempo em que voltou a falar em “fracasso estratégico” da Rússia.





