A Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF) anunciou na segunda-feira (13) o fim das restrições impostas a atletas e equipes da Rússia. A decisão entra em vigor em 28 de julho e autoriza a participação russa nas competições internacionais de tênis de mesa e paratênis de mesa sob as mesmas regras aplicadas aos demais competidores.
A medida foi tomada poucos dias depois de o Comitê Olímpico Internacional (COI) retirar a suspensão do Comitê Olímpico Russo e cancelar as recomendações usadas desde 2022 para pressionar as federações esportivas a excluir a Rússia. Em vez de reconhecer o caráter político da punição, a ITTF apresentou a mudança como simples adequação à nova orientação do COI.
A Rússia foi afastada de grande parte do esporte internacional após o início da operação militar na Ucrânia, em fevereiro de 2022. Federações de diversas modalidades proibiram equipes nacionais, impediram o uso de bandeiras e hinos e exigiram que atletas russos disputassem provas como competidores “neutros”.
No tênis de mesa, a punição atingiu tanto os atletas individuais quanto as equipes. A decisão anunciada agora restabelece formalmente o direito de participação. A federação também aprovou, na sexta-feira (10), o retorno das equipes da Bielorrússia, país que sofreu sanções semelhantes por sua aliança com a Rússia.
A ITTF, porém, não garantiu o restabelecimento imediato dos símbolos nacionais. Em sua declaração, a entidade informou que questões relacionadas a bandeiras e hinos dependem das decisões do COI. O comitê afirmou que definirá “no momento apropriado” se continuará proibindo cores, emblemas e hinos russos em futuras edições dos Jogos Olímpicos.
Assim, a federação procura encerrar o banimento mais evidente sem assumir responsabilidade pelos quatro anos de discriminação. A autorização para competir ocorre somente depois que o COI alterou sua posição, embora atletas russos tenham sido privados de campeonatos, pontuações, premiações e oportunidades de classificação durante todo o período.
Nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, e nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, em 2026, apenas alguns atletas russos e bielorrussos puderam participar como “individuais neutros”. Eles foram submetidos a regras específicas e impedidos de representar oficialmente seus países.
A Rússia historicamente envia uma das maiores delegações aos Jogos Olímpicos e possui equipes fortes em modalidades como natação, ginástica, atletismo e luta. O afastamento reduziu o nível técnico de várias competições e retirou de inúmeros esportistas o direito de disputar torneios para os quais estavam classificados por mérito.
Ao longo dos últimos anos, algumas federações começaram a recuar. A Federação Internacional de Esportes Aquáticos, a Federação Internacional de Ginástica e a Federação Internacional de Esgrima autorizaram novamente o uso de símbolos nacionais russos em determinadas competições. Outras mantiveram exigências de neutralidade.
Dirigentes russos denunciaram repetidamente a utilização do esporte como instrumento de pressão política. O governo russo sustenta que atletas devem ser avaliados por seu desempenho e pelo cumprimento das regras esportivas, não pela política externa de seus países.
A exclusão da Rússia também evidenciou a aplicação seletiva das punições. Países responsáveis por invasões, ocupações e bombardeios contra populações civis continuaram participando normalmente das competições. Os Estados Unidos não foram afastados por suas guerras, e “Israel” não recebeu sanção equivalente pelos crimes cometidos contra o povo palestino.
A ITTF não explicou por que a participação de jogadores russos representava um problema entre 2022 e julho de 2026, nem apresentou qualquer relação entre os competidores e as decisões militares de seu governo. Limitou-se a acompanhar a nova posição do COI e a anunciar a volta sob “condições ordinárias”.
Com a mudança, jogadores e equipes poderão voltar ao calendário internacional a partir do fim de julho. Ainda dependerão, porém, das regras que serão fixadas para bandeiras, hinos e uniformes. A suspensão do banimento encerra uma parte da perseguição, mas não apaga os prejuízos impostos aos atletas durante quatro temporadas.


