XII Congresso do PCO

Expedito Mendonça: PT não transformou o Brasil

Membro da Direção Nacional do PCO defendeu candidatura própria do Partido para apresentar uma saída aos trabalhadores

O membro da Direção Nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato ao governo do Distrito Federal, Expedito Mendonça, falou ao Diário Causa Operária, durante o XII Congresso Nacional do PCO, sobre a evolução do Partido desde seus primeiros congressos e fez um balanço crítico do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Congresso, realizado no Auditório Paraíso, em São Paulo, recebeu o nome de Congresso Natália Pimenta, em homenagem à militante do Partido que faleceu em novembro de 2025.

Militante do PCO há 43 anos, Expedito afirmou que acompanhou o desenvolvimento do Partido desde o período em que a organização ainda atuava como corrente interna do Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo ele, o Partido passou por etapas muito distintas até chegar à atual consolidação de sua direção e de sua militância.

“São momentos distintos da vida partidária e do desenvolvimento do Partido. Eu sou militante há 43 anos do Partido da Causa Operária, desde quando éramos uma corrente interna do Partido dos Trabalhadores, vivenciei todo esse processo de luta que culminou com a expulsão arbitrária no início da década de 90 e, de lá para cá, obviamente, muita coisa mudou: o próprio desenvolvimento do Partido, o crescimento, a consolidação da vanguarda”, afirmou.

Expedito lembrou que, nos anos 1980, a organização ainda enfrentava oscilações próprias de uma etapa inicial de desenvolvimento. Para o dirigente, a experiência acumulada desde então permitiu ao PCO se firmar como uma vanguarda da classe operária brasileira.

“Hoje nós temos um núcleo sólido dentro do Partido. Antes você tinha oscilações muito grandes, justamente por conta da etapa de desenvolvimento que o Partido atravessava na década de 80. Então, são experiências vindas dessa época, junto com outras que foram se desenvolvendo, que consolidaram hoje o Partido como uma vanguarda da classe operária brasileira, com um programa claro, com um programa sólido, com uma caracterização da situação política que nenhuma outra força política tem no País”, disse.

O dirigente também recordou um dos primeiros congressos de que participou, realizado em Agudos, no interior de São Paulo. Segundo ele, aquele encontro marcou o início de sua atividade militante mais orgânica no Partido.

“Eu me lembro muito bem que participei de um congresso em Agudos, no interior de São Paulo. Não sei exatamente se foi o segundo ou o terceiro, mas foi um dos primeiros. Nós fizemos esse congresso e ali foi o início da minha atividade mais militante, de forma orgânica”, afirmou.

Expedito citou ainda militantes que participaram daquela etapa inicial da organização, como Paulo Lago e Rui Costa Pimenta, atual presidente nacional do PCO. Para ele, a principal diferença entre aquele período e o momento atual está na consolidação de um núcleo dirigente mais experiente e consciente de seu programa.

“O que dá para estabelecer de paralelo entre aquela situação anterior, que era uma etapa ainda muito inicial de desenvolvimento do Partido, e hoje, é a consolidação que nós temos da nossa vanguarda operária, de um núcleo dirigente mais consolidado, sólido e muito mais consciente do que é verdadeiramente a luta por um programa revolucionário, por um partido revolucionário”, declarou.

Em seguida, Expedito fez um balanço do terceiro mandato de Lula. O dirigente criticou setores da esquerda que, segundo ele, alimentam ilusões em relação à política do PT, sem fazer um balanço consequente dos governos petistas.

“Muito embora você tenha todo um setor da esquerda nacional que faz um fetiche em relação à política do PT, o balanço que a gente faz, e esse é um balanço verdadeiramente consequente, é de que os progressos alcançados pelo Partido dos Trabalhadores e pelo terceiro mandato do Lula não são mudanças verdadeiramente significativas, aquelas que poderiam interferir na qualidade de vida da população, no avanço, no progresso do ponto de vista material”, afirmou.

Para Expedito, mesmo considerando os limites de um governo institucional, os governos petistas não levaram adiante medidas elementares em defesa dos trabalhadores. Segundo ele, não é possível apresentar o PT como um partido que esteja transformando o País.

“Você não pode fazer um balanço fantasioso e dizer: esse é o partido que está transformando o Brasil. Não. O mínimo progresso que teve não pode ser verdadeiramente caracterizado como um avanço social importante para os trabalhadores. Nem minimamente aquelas coisas mais simples e elementares, do ponto de vista do que um governo institucional poderia fazer, foram alcançadas com os governos petistas”, disse.

O dirigente afirmou que esse balanço reforça a necessidade de o PCO apresentar candidatura própria. Para Expedito, a intervenção eleitoral do Partido deve abrir o debate sobre os principais problemas do País e apresentar uma perspectiva de superação do impasse político atual.

“Daí a necessidade de a gente colocar uma candidatura própria nossa, de abrir o debate sobre verdadeiramente quais são os problemas do País e como enfrentar esses problemas, e oferecer uma perspectiva de solução e de superação do impasse que está colocado hoje”, declarou.

Segundo Expedito, esse impasse decorre em grande medida da política de alianças adotada pelo PT. Para o pré-candidato ao governo do Distrito Federal, em vez de mobilizar a população, o partido se apoiou em acordos que bloqueiam um programa de defesa dos trabalhadores.

“Isso está colocado hoje muito em função do governo do Partido dos Trabalhadores, que, em vez de mobilizar a população para buscar soluções verdadeiramente duradouras e consequentes, estabeleceu alianças que desaguaram exatamente nesse ponto de estrangulamento para levar adiante um programa mínimo de defesa dos interesses dos trabalhadores. É esse o balanço que eu faço”, concluiu.

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