Um correio eletrônico interno do Pentágono revelado pela agência Reuters aponta que os Estados Unidos avaliam possíveis medidas contra aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) considerados pouco colaborativos durante a guerra com o Irã na quinta-feira (24). As opções incluem a suspensão da Espanha de posições relevantes na aliança e uma eventual revisão do apoio norte-americano à reivindicação do Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas, segundo um funcionário ouvido pela agência de notícias. O documento reflete a insatisfação do governo norte-americano com a resistência de alguns aliados em conceder direitos de acesso, base e sobrevoo às operações militares, considerados um requisito mínimo dentro da aliança.
As opções políticas estão detalhadas em nota preparada por Elbridge Colby, o principal assessor político do Pentágono, que expressou frustração com a aparente relutância ou recusa de alguns aliados em conceder aos Estados Unidos direitos de acesso, base e sobrevoo. O correio eletrônico não propõe a saída dos Estados Unidos da aliança nem o fechamento de bases militares na Europa, embora não detalhe se há planos para redução de tropas na região. As discussões incluem a possibilidade de afastar países classificados como difíceis de cargos estratégicos dentro da estrutura da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
O presidente Donald Trump tem criticado publicamente membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte por não contribuírem com forças navais na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz, fechado desde o início do conflito em 28 de fevereiro, e chegou a mencionar a possibilidade de retirada dos Estados Unidos da aliança. Em entrevista concedida à agência Reuters em 1º de abril, Trump questionou a postura dos parceiros da aliança e cobrou maior comprometimento nas ações conjuntas contra o Irã.
Questionado sobre o correio eletrônico, o secretário de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, respondeu que como disse o presidente Trump, apesar de tudo o que os Estados Unidos fizeram pelos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte, eles não estiveram lá pelos norte-americanos. O Departamento de Guerra garantirá que o presidente tenha opções viáveis para assegurar que os aliados deixem de ser meros figurantes e passem a cumprir a sua parte, disse Wilson, sem fazer mais comentários sobre quaisquer deliberações internas a esse respeito.
Países como Reino Unido e França argumentam que participar diretamente de um bloqueio naval contra o Irã significaria entrar no conflito, embora admitam colaborar na segurança da região após um eventual cessar-fogo. Autoridades do governo Trump, no entanto, têm insistido que a Organização do Tratado do Atlântico Norte não pode funcionar de forma unilateral, e que os aliados precisam assumir responsabilidades nas operações militares conduzidas pelos Estados Unidos.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou recentemente que o conflito expôs fragilidades na aliança. Segundo ele, os mísseis de longo alcance do Irã não atingem o território norte-americano, mas representam risco direto para a Europa. O secretário declarou que receberam questionamentos, obstáculos ou hesitações de aliados, e que não se tem muita aliança se há países que não estão dispostos a ficar ao lado dos Estados Unidos quando precisam deles.
A exclusão da Espanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte é juridicamente quase impossível, já que os Estados Unidos não têm autoridade para remover unilateralmente um país da aliança. Ainda assim, a situação demonstra o nível de tensão entre os aliados. A crise evidencia divisões internas na organização e levanta dúvidas sobre o grau de comprometimento entre seus membros, em um momento considerado decisivo para a segurança internacional e para o futuro da aliança militar de 76 anos. O descontentamento teria sido motivado pela percepção de apoio insuficiente às operações norte-americanas contra o Irã, especialmente em relação ao uso do espaço aéreo e de bases militares europeias.


