Guerra no Oriente Próximo

Estados Unidos atacam abastecimento de água no Irã

Autoridades iranianas classificaram a ofensiva como crime contra infraestrutura civil e afirmaram que os reservatórios não eram instalações militares

As Forças Armadas dos EUA destruíram dois reservatórios de água na província de Hormuzgan, no sul do Irã, na madrugada de terça-feira (9), deixando mais de 20 mil moradores sem abastecimento. O ataque atingiu o distrito de Bemani, no condado de Sirik, em meio a temperaturas próximas de 50 graus Celsius. Autoridades iranianas classificaram a ofensiva como crime contra infraestrutura civil e afirmaram que os reservatórios não eram instalações militares.

A nova escalada ocorreu em meio a um cessar-fogo frágil em vigor desde 8 de abril de 2026 e poucas horas após a queda de um helicóptero Apache dos EUA no Estreito de Ormuz. O governo norte-americano vinculou o incidente com a aeronave ao Irã, enquanto o governo iraniano negou envolvimento. Na sequência, aviões dos EUA atacaram vários pontos da província costeira de Hormuzgan, incluindo Jask, Sirik e a ilha de Qeshm.

No distrito de Bemani, dois reservatórios de concreto foram completamente destruídos. O maior tinha capacidade de 2.000 metros cúbicos; o menor, de 500 metros cúbicos. As estruturas tiveram paredes reforçadas rompidas, colunas quebradas e teto colapsado. A água armazenada para os meses secos vazou durante a noite e escorreu para o leito seco de um rio próximo.

Os reservatórios ficavam em uma colina cerca de 15 metros acima da área ao redor. Essa posição permitia que a gravidade distribuísse a água pelos canos sem necessidade constante de bombeamento, característica essencial em uma região onde a eletricidade pode ser instável e o uso de geradores é caro. O sistema era alimentado pelo rio sazonal Chalak, localizado a cerca de 700 metros, que leva água das montanhas durante o inverno e a primavera. No verão e no outono, o rio seca completamente.

Isso significa que mesmo uma reconstrução imediata não resolveria o problema de curto prazo, pois não há água disponível para reabastecer os reservatórios até a próxima estação de chuvas. A destruição atingiu diretamente a cidade costeira de Kuhestak, com cerca de 4.000 habitantes, além das aldeias de Bemani, com 1.000 moradores, Palur, com 500, e outras comunidades do distrito, totalizando aproximadamente 20 mil pessoas.

A região não possui grandes estruturas alternativas de abastecimento. A água dos reservatórios não era secundária, mas a principal fonte de água potável dessas comunidades. Com a perda, os moradores terão de depender de caminhões-pipa vindos de outros distritos, que também enfrentam limitações de fornecimento por causa do clima árido.

O ataque também ameaça a economia local. A cerca de 400 metros a sudeste dos reservatórios há uma fábrica de gelo usada para conservar peixes e frutos do mar, atividade essencial para Kuhestak. Sem água regular, não apenas a sobrevivência imediata dos moradores é afetada, mas também o trabalho de pescadores e famílias que dependem dessa cadeia econômica.

Abdolhamid Hamzehpour, diretor da Companhia de Água e Esgoto de Hormuzgan, afirmou que equipes operacionais e de gestão de crise trabalham para encontrar alternativas de abastecimento. Ele estimou os danos às instalações em 140 bilhões de tomans e reconheceu que, devido à escala da destruição, o fornecimento aos 20 mil moradores permanece interrompido.

O caso reforça o caráter brutal do terrorismo de Estado dos EUA contra a infraestrutura civil do Irã. Atacar reservatórios de água em uma região sem fontes alternativas e sob calor extremo significa atingir diretamente a população.

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