A choradeira e o dramalhão para a esquerda tucana defender o Supremo Tribunal Federal – STF não tem fim. A mais nova investida é o artigo Para Zema, Deus morreu e no Estado de Natureza (digital) vale tudo, de Lenio Luiz Streck, publicado no Brasil 247 nesta segunda-feira (27).
Carregando na tinta, Streck diz que “há uma fúria niilista no ar. Há um manuseio de fantoches. Vídeos fantoches. Vivemos no cenário de A Praça é Nossa! Vamos, então, falar de fantoches. Poderia falar de Nietzsche. Mas prefiro Dostoiévski. O personagem Ivan Karamazov cunhou a célebre frase: ‘Se Deus não existe, tudo é permitido’. No dialeto do “estado de natureza ofensivo” que tomou conta de parte da política brasileira, a frase foi redefinida para: ‘Se a liturgia institucional está morta, então o governador pode fazer teatrinho infantil para ofender a Suprema Corte’”. – acontece que Zema já não era governador, e o STF não é intocável e isento de críticas
Toda essa gritaria acontece porque Romeu Zema publicou uma série de vídeos polêmicos satirizando ministros do STF (especialmente Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes) em abril de 2026, com destaque para um vídeo publicado no sábado (25).
O vídeo fazia parte de uma série nas redes sociais chamada Os Intocáveis, utilizando bonecos e inteligência artificial para parodiar os ministros.
A publicação ocorreu após o ministro Gilmar Mendes solicitar a inclusão de Zema no Inquérito das Fake News devido a vídeos anteriores, produzidos por volta do dia 22.
Os vídeos criticam condutas e alegados abusos de poder de magistrados da corte.
Streck continua e diz que vai apresentar o x da questão. “O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema decidiu atacar o ministro Gilmar Mendes usando exatamente fantoches. Veja-se: não estamos falando de uma tese jurídica, de um embate de jurisdição ou de um conflito federativo. Estamos falando do rebaixamento da política ao nível da barbárie. É a vitória do Senso Comum Teórico dos Marqueteiros sobre o Estado democrático de Direito. Tudo em nome da lacração”.
Então, para contrapor a posição direitista de Streck, vamos utilizar um trecho de um editorial do Estadão, que também é direitista: “Zema, como se sabe, publicou vídeos satíricos em suas mídias sociais nos quais bonecos de animação caricaturam os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, valendo-se não só de fatos públicos e notórios, como também de decisões judiciais efetivamente tomadas por ambos. Ou seja, Zema não inventou fatos. Ridicularizou-os. E desde tempos imemoriais a sátira é uma das formas mais usuais de criticar os poderosos. Ademais, sátira, por definição, exagera, expõe, distorce. Submetê-la ao crivo penal, além de inútil e descabido, diz muito sobre o mau humor dos satirizados, sem falar no pendor para o autoritarismo.”
Essa é posição de um jornal, burguês, isso precisa ficar claro, pois a posição da “esquerda”, é muito mais conservadora.
Lenio Streck escreve um parágrafo inacreditável no qual coloca uma instituição do Estado no Olimpo, e que só reforça a sátira de Zema de que no STF estão reunidos os “intocáveis”. O texto diz que “há um projeto em marcha, como uma continuidade da tentativa de golpe de 8 de Janeiro. Trata-se do projeto ‘erosão de limites’. Se a Suprema Corte é o limite da Constituição (metaforicamente, o ‘Deus’ secular e normativo), declarar a sua irrelevância por meio da ridicularização (e acusações, veladas ou não, a ministros!) é o atestado de que ‘agora pode tudo’”.
Como assim, o STF é “o limite da Constituição”? Isso não cabe, e muito menos a figura do “Deus secular normativo”, mesmo que seja metaforicamente, pois uma metáfora transforma conceitos abstratos em imagens concretas.
Lenio Streck, que é jurista, escreve que “o ministro Gilmar reagiu e tinha o dever de reagir. O Direito não se defende sozinho. As instituições não têm músculos; elas têm garantias e compostura. Se a Suprema Corte ignora a exposição ao ridículo feita por um ex-governador, o Direito será engolido/fagocitado pela política de lacração”.
E aqui é preciso colocar novamente o jornal de direita – mas que consegue ser mais democrático – para dialogar com Streck. O Estadão diz que “ao alegar que o conteúdo [dos vídeos] ‘vilipendia’ sua honra pessoal e a imagem do Supremo, Gilmar Mendes reforça a confusão entre a crítica a indivíduos e o ‘ataque’ à instituição. Nos últimos anos, essa mixórdia tem servido para blindar alguns ministros do Supremo da devida responsabilização por sua má conduta. Como quaisquer servidores públicos, Suas Excelências devem satisfações à sociedade por eventuais malfeitos e conflitos de interesses nos quais se deixam enredar. Colocar-se acima desse escrutínio é colocar-se acima das leis. Logo, um comportamento incompatível com a ordem constitucional democrática em vigor”.
Gilmar Mendes se enrolou para criticar Zema quando disse que se sugerisse que homossexual seria ofensa, e teve que se desculpar. Streck se juntou ao magistrado e resolveu mandar também a sua. Diz que “a Constituição não acha graça de piadas ruins.” E que “a razão não assiste a quem grita mais alto. Um palhaço com microfone na mão não deixa de ser palhaço só porque é ouvido por muitas pessoas”. Pobres palhaços, sobrou para eles. E a crítica não é de qualquer um, é de alguém que tem procuração para falar em nome da Constituição, e íntimo ao ponto de conhecer suas preferências e humores.
O fundo do poço da “esquerda”
Streck escreve que “o ministro Gilmar lançou mão da estrutura jurídica ainda em vigor, sobre a qual [pode] ter divergência, mas ainda é valida juridicamente: trata-se do famoso Inquérito das Fake News, aberto em 2019”. Qual divergência, o fato do inquérito ser inconstitucional? O jurista não explica.
Em seguida, pergunta se “o STF deve encerrar o Inquérito”, e responde que “sim”, quando deveria sustentar que nunca deveria ter sido aberto. E, cinicamente, diz que “todavia, enquanto o Supremo não o encerrar, está valendo. Isso parece óbvio. O sistema jurídico funciona assim. Regras possuem vigência, validade e eficácia”.
Resta apenas, como resposta, deixar outro parágrafo do Estadão para Streck ficar mastigando:
“A eventual inclusão de Zema entre os investigados no inquérito das fake news, como quer o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), será mais do que outro desdobramento da eterna investigação relatada por Moraes. Será um novo marco definidor da liberdade de expressão no Brasil. Até que ponto a PGR e a mais alta corte do País estão dispostas a proteger a liberdade de expressão como pilar do Estado Democrático de Direito? Se Zema passar à condição kafkiana de investigado sem ter cometido crime algum, restará evidente que tanto a PGR como o STF estão dispostos a sacrificar o mais cívico dos direitos individuais sob o altar dos interesses particulares de Suas Excelências”.
O contraste entre essas posições mostra o porquê de parte da classe trabalhadora se afastar da esquerda, pois enxerga que esta é apenas parte do sistema. Melhor para a direita, que colhe frutos, como o próprio Romeu Zema, que sobe nas pesquisas eleitorais.





