Toda Copa é a mesma chatice: a esquerda pequeno-burguesa malhando o futebol. E uma coisa que não pode faltar é a perseguição a um jogador que daria orgulho a qualquer país do mundo, como se constata no artigo Neymar, a Copa do Mundo e o hexa para quem?, de João Pedro Andreassy Castro, publicado no Opinião Socialista nesta segunda-feira (8).
Segundo o autor, “a convocação de Neymar para a Copa do Mundo reacendeu um debate que vai muito além do futebol. Há quem defenda sua presença pela história construída com a camisa da Seleção Brasileira. Há quem destaque sua capacidade técnica e seu talento, ainda capazes de decidir partidas. Mas também há quem questione se, olhando apenas para o futebol apresentado recentemente, sua convocação realmente se justifica”.
Neymar não é perseguido apenas no Brasil. O jogador, apesar de ser destacadamente o melhor do mundo durante vários anos, nunca recebeu uma Bola de Ouro, mesmo que esse prêmio não deva ser levado muito a sério – afinal, em 2024, Vinicius Jr. perdeu para Rodri, um volante espanhol que joga no Manchester City e sobre quem ninguém nunca ouviu falar.
Além disso, a arbitragem claramente foi instruída a deixar baterem no jogador na Copa na Rússia, Brasil e também no Catar. No Brasileirão, também é o jogador que mais recebe faltas – até 4,4 faltas por jogo!
A culpa é do Neymar
“Desde seu retorno ao Santos”, diz o artigo, “Neymar tem acumulado atuações irregulares. Longe do auge físico e técnico que o transformou em um dos principais jogadores do mundo na última década, o camisa 10 não conseguiu se firmar como protagonista diante de uma equipe que, inclusive, escapou por pouco do rebaixamento no Campeonato Brasileiro do ano passado e garantiu vaga no mata-mata da Copa Sul-Americana com partidas sem destaque”.
A verdade é que Neymar, apesar das calúnias, tem carregado o time do Santos nas costas. O time é bastante fraco e só fugiu do rebaixamento em 2025 devido à atuação individual do craque.
Outro crime que a esquerda pequeno-burguesa não perdoa é que “o jogador voltou a protagonizar polêmicas extracampo. Comportamento machista, declarações controversas e uma constante exposição midiática fizeram com que seu nome estivesse frequentemente mais presente nas páginas de jornais de fofocas do que nas esportivas”.
Se essa esquerda montasse uma seleção, seria recheada de freiras. Felizmente, o País não depende desse tipo de concepção, caso contrário, nem sequer teríamos vencido o tetra, cujo herói foi o polêmico Romário. Ao mesmo tempo, esse tipo de política mostra como a esquerda pequeno-burguesa segue sem ressalvas tudo aquilo que a imprensa burguesa, principal responsável por criar artificialmente as tais “polêmicas extracampo”, diz contra os jogadores brasileiros.
“Ainda assim”, na opinião do articulista, “Neymar segue sendo tratado como peça central do projeto brasileiro. E talvez a pergunta mais importante não seja se ele merece ou não a convocação. A verdadeira questão é: quem ganha com sua presença na Copa?”.
Sigamos a opinião do zé ninguém do PSTU, e não de lendas como Romário, Ronaldo Fenômeno, Cafu, Roberto Carlos e outros que, de maneira unânime, defendem a convocação de Neymar. Finalmente, quem ganha com sua presença é o futebol e o povo brasileiro.
Comércio e corrupção
Na lista de motivos para não se gostar do futebol, Andreassy Castro diz que “nos bastidores do futebol circula há anos uma discussão sobre o peso dos interesses comerciais nas decisões esportivas. Neymar continua sendo um dos atletas brasileiros mais conhecidos do planeta. Sua imagem movimenta patrocinadores, emissoras, campanhas publicitárias, contratos de marketing e milhões de visualizações nas redes sociais. Sua convocação significa audiência. Significa venda de produtos. Significa engajamento. Significa lucro”.
E qual a novidade? O futebol, como qualquer negócio capitalista, é regido por interesses financeiros do grande capital. Motivo pelo qual, inclusive, existe a campanha nojenta contra o futebol brasileiro – campanha que ganhou um novo defensor com o artigo do Opinião Socialista. Mesmo assim, a esquerda pequeno-burguesa não faz nenhuma crítica do tipo a jogadores estrangeiros ou a “queridinhos” como Messi que, recentemente, quebrou a cara dos esquerdistas ao apertar a mão de Donald Trump durante cerimônia.
Afirmar que “o caso Neymar não surge do nada” e que “ele é síntese de uma transformação mais profunda. O futebol deixou há muito tempo de ser apenas um esporte. Tornou-se uma das indústrias mais lucrativas do planeta. Atualmente, o futebol movimenta mais de 1 trilhão de dólares por ano” é chover no molhado e arrumar mais uma desculpa para atacar nosso futebol. O já citado Messi e Cristiano Ronaldo não são de interesse mercadológico?
Há um longo trecho no qual o autor argumenta que o futebol tem sido cada vez mais influenciado por interesses econômicos e corporativos, muitas vezes acima dos interesses esportivos. Ele cita como exemplo a relação entre a CBF e a Nike, que gerou suspeitas de influência comercial sobre a Seleção Brasileira e motivou uma CPI em 2001. Segundo o texto, essa tendência se aprofundou com a transformação dos clubes em ativos de investimento e dos jogadores em produtos financeiros.
A FIFA é apresentada como o principal símbolo desse processo. A entidade acumula escândalos de corrupção e demonstra disposição para se associar a governos autoritários quando isso favorece seus interesses. Como exemplos, menciona a realização da Copa de 1978 na Argentina durante a ditadura militar e a Copa de 2022 no Catar, marcada por denúncias de violações de direitos trabalhistas.
A conclusão dos parágrafos é que a FIFA prioriza critérios comerciais e políticos, e não valores democráticos ou esportivos, vendo nessa postura uma continuidade que se manifestaria também no contexto da Copa de 2026.
Mais uma vez, alegações óbvias. Mesmo assim, é preciso notar a inclusão do Catar na lista de escândalos da FIFA. A campanha contra a realização da Copa no país árabe foi encabeçada pelos principais veículos da imprensa imperialista. Quando a competição finalmente ocorreu, ficou claro o motivo: a Copa naquele país tornou-se um festival de denúncias contra “Israel” e em defesa da Palestina, que continua sendo massacrada pela ocupação sionista. Ao reproduzir esse tipo de “denúncia” contra a FIFA, o autor mostra, mais uma vez, sua total subserviência à imprensa capitalista.
Afastamento
Adiante, o autor diz que “segundo pesquisas recentes, mais da metade da população brasileira afirma não acompanhar ou não torcer pela Seleção como em outros tempos. Não se trata apenas dos maus resultados em campo. Existe um processo de afastamento real. A Copa do Mundo de 2014 talvez tenha sido o símbolo mais evidente dessa ruptura.”
O que não está dito, e talvez seja um dos pontos principais, é que a Seleção vem sofrendo um boicote sistemático dentro do País, com a perseguição da imprensa especializada; e fora do Brasil, nas Copas, onde o time é abertamente prejudicado pela arbitragem. Em vez de se rebelar e denunciar isso que vem acontecendo, o autor se junta aos críticos.
O brasileiro é apaixonado pelo futebol. Este é o país que reinventou esse esporte e o transformou no principal, no mais assistido de todo o mundo. Isso deve ser motivo de orgulho. Mas, infelizmente, a esquerda pequeno-burguesa vive a reboque da burguesia e, por isso, pensa como ela.
Respondendo à pergunta “o hexa para quem?”: para o povo, pois a Seleção nos representa.




