Um novo levantamento de opinião pública, realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas entre os dias 11 e 14 de abril de 2026, mapeou as intenções de voto do eleitorado paulista para a sucessão presidencial. A pesquisa, que ouviu 1.600 eleitores em 80 municípios do estado de São Paulo, apresenta uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%. Além de aferir a polarização central entre os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o estudo também traz dados reveladores sobre a pré-candidatura de Rui Costa Pimenta, do Partido da Causa Operária (PCO).
Os números indicam que, em São Paulo, Rui Costa Pimenta alcança 0,8% das intenções de voto, posicionando-se numericamente à frente de figuras conhecidas e de representantes da esquerda dia “revolucionária”, como o ex-ministro Aldo Rebelo e Hertz Dias, do PSTU. Embora o índice coloque o PCO em uma situação de empate técnico com Samara Martins, da Unidade Popular (UP), a análise qualitativa dos dados revela uma distinção profunda no perfil do eleitorado de cada legenda. De acordo com o cruzamento de variáveis socioeconômicas da pesquisa, o PCO consegue uma penetração mais acentuada em estratos que compõem a base da pirâmide produtiva, o que sustenta a tese da legenda de ser a organização que mais fielmente dialoga com a identidade operária e popular.
Essa predominância do PCO na questão social é visível quando se observa o desempenho do candidato entre eleitores com menor escolaridade e em situações de vulnerabilidade econômica. Enquanto outras candidaturas da esquerda pequeno-burguesa encontram maior ressonância em setores médios ou acadêmicos, Rui Costa Pimenta registra 1,1% das intenções de voto entre brasileiros que possuem apenas o ensino fundamental — o triplo do registrado pela candidata da UP nesse mesmo segmento.
A pesquisa também joga luz sobre o comportamento da juventude trabalhadora. Na faixa etária que compreende os eleitores de 25 a 34 anos, Pimenta consolida 1% das intenções de voto, um patamar superior ao de seus concorrentes diretos no campo da esquerda pequeno-burguesa e até mesmo de figuras da direita. Esse dado reflete uma combinação entre a maturidade política desse público e um sentimento de revolta com o sistema econômico vigente. O voto da juventude não é apenas um “voto de protesto”, mas o voto de alguém que identifica no programa do PCO uma clareza ideológica que foge da demagogia eleitoral.
Outro fator que ajuda a explicar o crescimento desses índices é a presença do Partido na Internet, que tem conseguido “furar bolhas” através da participação em programas de diferentes espectros e da sua intervenção direta nas redes sociais.
O resultado da Paraná Pesquisas em São Paulo, com todas as ressalvas que devem ser feitas às pesquisas dos institutos da burguesia, prova que existe um setor da classe trabalhadora que busca uma alternativa à esquerda que seja, ao mesmo tempo, politicamente rigorosa e socialmente enraizada.
O PCO ocupa um espaço de liderança entre os partidos da esquerda que não estão no parlamento. O fato de superar ou empatar com legendas que dispõem de maior tempo de exposição ou recursos, ancorando-se justamente nos setores desempregados e de menor escolaridade, reforça a ideia de um partido que prioriza a luta de classes sobre o marketing político tradicional.



