Izadora Dias, candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de São Paulo em 2026, contou em entrevista ao canal Muito Além da Imaginação o que ocorreu no debate de 30/09 na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). A discussão começou com uma pergunta sobre a violência contra mulheres presas. Ela defendeu que os presídios femininos sejam separados segundo o sexo dos detentos e foi acusada de transfobia. A reação terminou com um chamado à polícia.
Ao explicar por que levou o assunto ao debate, Izadora mencionou denúncias de presas em uma unidade de Brasília e insistiu que a segurança dessas mulheres também deveria ser discutida:
“Então, se estamos falando da questão da segurança das mulheres presas, eu achei conveniente. Eu achei que o mais importante nesse momento seria colocar isso. E aí eu também falei: pra gente defender, dizer que defende as mulheres, nós temos que definir o que é mulher, porque se você não define o que é mulher, como você vai defender de fato as mulheres?”
Uma estudante do centro acadêmico contestou a declaração. Em seguida, representantes das candidaturas do PT, do PCB e da Unidade Popular se pronunciaram contra a posição do PCO, de acordo com o relato de Izadora. Ela tentou responder. Foi nesse momento que parte do público deixou a sala:
“Só que aí, na hora que eu fui responder, todos os defensores da democracia, grandes lutadores contra o fascismo, começaram a gritar, começaram a me chamar de transfóbica e começaram a levantar e sair da sala, todos os alunos. Aí os candidatos levantaram da mesa, saíram, ficaram fazendo cara de reprovação enquanto eu falava.”
Izadora disse que usou os três minutos de resposta para sustentar sua posição. Quando se preparava para sair, foi avisada de que haviam chamado a polícia. Ela permaneceu no local, mas os agentes não apareceram. Na entrevista, descreveu a passagem da contestação política à tentativa de intervenção policial:
“Eu fiquei assim, incrédula. Tudo bem, eu não espero nada muito normal da esquerda, mas para mim aquilo foi o fundo do poço, essa situação, porque além de terem interditado o debate, de terem saído da sala, que eu acho que é uma postura ridícula, inaceitável quando você tá num debate, porque assim, se era para chamar todo mundo que concorda com a mesma coisa, sei lá, não chama, faz uma reunião no banheiro olhando pro espelho, não precisa fazer debate.”
A candidata também rebateu a apresentação de sua posição como uma defesa de que pessoas trans sofram violência nas prisões. Ela afirmou que, se houver risco de agressão, deve ser criada uma ala própria, sem colocar essas pessoas em perigo. Essa distinção, disse, foi omitida na cobertura do episódio:
“Eu não quis dizer isso. Se tem uma questão de violência, mesmo se elas estão mais vulneráveis, que crie uma outra ala, mas não tem nada a ver com as mulheres. […] E aí eles colocaram dessa maneira para parecer assim que eu estou apoiando que mulheres trans sofram algum tipo de violência.”
Para Izadora, o recurso à polícia após uma divergência dentro da universidade atinge a possibilidade de organização dos trabalhadores. Ela desenvolveu esse argumento ao ser perguntada sobre a censura:
“Olha, essa questão da censura é a questão fundamental para você desenvolver a luta política. Porque se você não pode falar algo que você acredita, que você tem a sua ideia, a sua opinião, você não pode pensar. Então, se você não pode pensar e não falar, como que então você vai fazer greve, como você vai fazer manifestação, como você vai fazer o debate de ideias? Então, é uma das coisas mais importantes que tem, não só pro movimento operário, mas pros movimentos em geral.”
A entrevista também tratou das diferenças do PCO com o restante da esquerda. Izadora criticou o peso dado às disputas eleitorais e ao identitarismo, que, em sua avaliação, afasta do centro da política a luta da classe trabalhadora. Ao comentar sua trajetória no Partido, disse que seus militantes defendem o programa durante todo o ano e participam das eleições para apresentá-lo à população.





