O governo do Irã denunciou formalmente, neste sábado (3), o que classificou como “ingerência ilegal e perigosa” dos Estados Unidos em seus assuntos internos, após o presidente Donald Trump ameaçar intervir militarmente no país para “resgatar” manifestantes. Em uma carta enviada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o Irã classificou as falas como uma violação da soberania nacional e alertou que suas forças armadas estão preparadas para responder a qualquer incursão. A escalada ocorre em meio a uma onda de protestos artificiais e pró-imperialistas no Irã e coincide com a ofensiva de larga escala lançada por Trump na Venezuela.
A crise foi desencadeada por uma série de publicações de Trump na plataforma Truth Social, onde o presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos não assistiriam passivamente à suposta repressão contra manifestantes iranianos. “Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro. Estamos travados, carregados e prontos para partir”, escreveu o mandatário.
Em resposta, o embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, exigiu que o Secretário-Geral Antonio Guterres condene o que chamou de “retórica beligerante e unilateralista”. No plano doméstico, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, subiu o tom ao afirmar que a soberania iraniana é uma “linha vermelha”. Segundo o chanceler, as manifestações por questões econômicas — causadas pela volatilidade cambial e pelo impacto de sanções externas — estão sendo instrumentalizadas por agências de inteligência estrangeiras, citando especificamente o Mossad de “Israel” e Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, para incitar o caos e justificar uma agressão externa.
A situação econômica no Irã é o que tem criado condições para que manifestações organizadas pelo aparato imperialista se espalharam por cidades como Teerã, Mashhad e Isfahan. O rial iraniano atingiu a mínima histórica de 1,42 milhão por dólar, e a inflação de alimentos ultrapassou a marca de 70% em dezembro de 2025. O governo de Masoud Pezeshkian, que inicialmente adotou uma postura de reconhecimento das dificuldades da população, mudou o foco para a segurança nacional após a ameaça de Trump. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi enfático ao declarar que todas as bases e ativos militares dos EUA no Oriente Médio seriam considerados alvos legítimos caso os Estados Unidos inicie qualquer “aventurismo” em solo iraniano.
O fato de que o próprio presidente dos Estados Unidos saiu em defesa dos manifestantes apenas reforça que o que está em marcha no Irã não são manifestações espontâneas, mas sim uma tentativa de revolução colorida, que sirva de cobertura para um golpe de Estado imperialista.




