O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, participou neste sábado (22), em Brasília, do lançamento das candidaturas do Partido no Distrito Federal. O ato foi realizado no Sindicato dos Bancários e apresentou a chapa encabeçada por Expedito Mendonça, candidato ao governo do DF.
Valmir Barbosa é o candidato a vice-governador. Para o Senado, o PCO apresenta David Horn, tendo Mauro Sousa como primeiro suplente e Ricardo Machado como segundo. Aguida Maria, Ana Schramm e Carlos Vinícius são os candidatos do Partido à Câmara dos Deputados.
Em seu discurso, Pimenta denunciou a perseguição contra o PCO, intensificada após a operação da Polícia Federal realizada contra ele e outros militantes. O dirigente destacou que integrantes do Partido tiveram contas bancárias e bens bloqueados sem sequer terem sido indiciados ou julgados.
“A perseguição não é apenas contra a minha pessoa, embora eu seja o centro da operação da Polícia Federal e do Judiciário. Mas, essa semana que passou, vários militantes do PCO tiveram as suas contas bancárias bloqueadas. Notem que não existe ainda o processo. Ninguém foi indiciado. Eles precisam indiciar as pessoas para abrir o processo e julgar o processo. Sem julgamento, as pessoas tiveram suas contas bloqueadas.”
O candidato também revelou que o Partido recebeu a informação de que a operação teria sido organizada pelo Mossad, serviço secreto de “Israel”, para aumentar a pressão contra ele. Pimenta ressaltou que a informação ainda está sendo apurada pelo PCO, mas lembrou que o Partido já sofre mais de dez processos relacionados à defesa da Palestina e da resistência palestina.
Segundo o dirigente, a ofensiva procura atingir politicamente o Partido em plena campanha eleitoral. “Como partido, o partido mais perseguido do país, nesse momento, é o PCO”, declarou. Ele afirmou que a organização não recuará diante dos processos e lembrou que a ditadura militar, apesar de contar com instrumentos repressivos muito mais poderosos, também acabou derrotada.
Ao tratar das eleições, Pimenta defendeu que o PCO não alimente a ilusão de que os principais problemas nacionais possam ser solucionados pelas urnas. Para ele, a campanha deve ser utilizada como uma tribuna para explicar aos trabalhadores a necessidade de sua mobilização independente. Citou as greves do ABC, as mobilizações contra a ditadura e a campanha das Diretas Já para sustentar que as principais mudanças políticas do País foram resultado da ação popular.
Pimenta também fez um balanço dos governos do PT. Afirmou que nunca acusou Lula de não querer realizar reformas sociais, mas considerou que a experiência das últimas duas décadas demonstrou a impossibilidade de realizá-las por meio dos acordos com o Centrão e outros partidos da burguesia. Criticou as alianças com figuras como Simone Tebet e Geraldo Alckmin e afirmou que o caminho adotado pelo PT aponta para um “governo Fernando Henrique nº 3”.
O presidente do PCO explicou que defender a mobilização popular não significa esperar uma “revolução na semana que vem”. A tarefa, afirmou, é colocar os trabalhadores em movimento na luta por suas necessidades e, a partir daí, desenvolver uma força política capaz de superar o atual regime. Como pontos centrais do programa, destacou a reversão das privatizações, o fim da dívida pública, o restabelecimento dos direitos retirados da CLT e uma transformação radical das instituições políticas.
“A nossa campanha deve ser a de explicar o mais amplamente possível aquilo que nós entendemos como sendo fundamental. Que é isso, que é a essência do nosso programa. Nós queremos reverter as privatizações e nós devemos dizer que sem isso não pode ter desenvolvimento nacional. Nós queremos acabar com a dívida pública. Sem isso, falar em desenvolvimento nacional e programas sociais é demagogia. Nós queremos restabelecer os direitos dos trabalhadores na CLT. Nós queremos mudar as instituições políticas brasileiras de forma radical, revolucionária.”
Ao encerrar, Pimenta afirmou que a campanha do PCO deve servir para conscientizar e organizar uma parcela cada vez maior da população em torno de uma política independente da burguesia. “Aquilo que é necessário é a revolução e é o socialismo”, concluiu.
Leia o discurso de Rui Costa Pimenta na íntegra
Boa tarde a todos. Queria saudar a presença de todos, saudar especialmente o pessoal jovem, que fez a apresentação artística, muito bem. Nós precisamos muito disso, principalmente no que diz respeito à cultura brasileira, principalmente porque nós somos um partido que tem lutado em defesa do Brasil. Não é um problema de nacionalismo, que muita gente confunde, mas é um problema de defesa do povo brasileiro contra o imperialismo. O País está sofrendo uma pressão enorme em todos os sentidos, em todas as áreas da sociedade, e eu diria até que nós somos uma nacionalidade que corre o risco de sofrer uma desagregação enquanto país, enquanto nacionalidade, dada a dimensão do retrocesso econômico que nós estamos vivendo, que é um ponto central que nós estamos apresentando nessas eleições.
Bom, queria, primeiramente, falar desse processo de perseguição política. O companheiro Antônio Carlos já falou a maior parte das coisas, queria só salientar uma ou duas coisas, que é o seguinte. A perseguição não é apenas contra a minha pessoa, embora eu seja o centro da operação da Polícia Federal e do Judiciário. Mas, essa semana que passou, vários militantes do PCO tiveram as suas contas bancárias bloqueadas. Notem que não existe ainda o processo. Ninguém foi indiciado. Eles precisam indiciar as pessoas para abrir o processo e julgar o processo. Sem julgamento, as pessoas tiveram suas contas bloqueadas. Logicamente que nós não vamos recuar por causa de coisas dessa natureza, mas é importante entender que há vários militantes do PCO que não podem movimentar o dinheiro pelas contas bancárias, e isso pode durar meses, pode durar até mais um ano. A propriedade de várias pessoas, vários militantes do PCO, se bem que o pessoal não tem muita propriedade também, foi também bloqueada. Aquele militante que tiver um automóvel não vai poder vender o automóvel. Está bloqueado judicialmente. É uma medida que evidentemente visa a dificultar a vida do Partido. Não tem sentido nenhum do ponto de vista jurídico. Não tem sentido nenhum do ponto de vista da tentativa de conseguir que nós paguemos uma quantia exorbitante que querem cobrar de nós, cerca de 4 milhões de reais, por suposto desvio de fundos eleitorais. Eles não têm, obviamente, prova de nada. É tudo uma coisa de suposição, mas isso é o que nós estamos vivendo no Brasil hoje. É a Justiça brasileira. A Justiça brasileira segue aquela famosa frase da Rosa Weber, que falou: “Não tenho provas, mas tenho a literatura jurídica que me permite condenar”. Quer dizer, você pode, no Brasil, ser condenado sem provas. Não é que você tenha provas que comprovem acima de qualquer suspeita que você é culpado. Não, depende do juiz. Se o juiz achar que ele deve condenar você, mesmo não tendo prova nenhuma, é o que vai acontecer. Nós já estamos nesse caminho.
Quando alguém chama uma operação contra o Partido da Causa Operária de Operação Causa Própria, já é uma condenação e é uma tentativa de obter essa condenação no tribunal da opinião pública. Uma jornalista, se não me engano do Globo ou do Estadão, não sei, Dora Kramer, falou que o nome é bem apropriado. Não, o nome não é apropriado. Não tem nada a ver. É pura perseguição política. Nós não fizemos absolutamente nada de errado. É tudo uma questão de suposição: como o Partido da Causa Operária dedicou fundos para uma empresa na direção da qual havia militantes do Partido da Causa Operária, segundo a polícia, isso já seria um grave indício de que você está desviando fundos, apesar de que ninguém aqui tem dinheiro, não tem nada.
É uma perseguição política odiosa, e eu queria dizer para vocês, e é muito importante salientar isso, o seguinte: nós recebemos uma informação — não vou divulgar o nome de quem deu a informação — de que uma pessoa relacionada com esse companheiro, que é policial da Polícia Federal, disse de fonte segura que a operação foi organizada pelo Mossad, a polícia secreta israelense, e que o objetivo da operação seria infernizar a minha vida até que eu saia do País. Nós estamos procurando confirmar essa informação, mas eu vou tornar público porque a perseguição do sionismo contra nós já é uma coisa evidente. Mais de dez processos pela defesa que nós fazemos da Palestina e da resistência da Palestina. Enquanto o mundo inteiro fica calado, enquanto a maioria dos partidos não faz nada, a quase totalidade dos partidos brasileiros não faz nada, o partido no governo não faz nada, não tomou nenhuma medida séria contra o genocídio que está se realizando em Gaza, nós fomos a voz mais marcante na defesa dos palestinos. E, logicamente, por isso, nós angariamos o ódio de pessoas que, da nossa parte, só merecem o nosso desprezo, que são o pior tipo de gente que existe no planeta Terra, assassinos de crianças e mulheres.
Então, nesse sentido, é muito evidente que a perseguição tem um sentido político. Foi feita no meio da eleição, em grande medida, para tentar desacreditar o Partido diante da opinião pública. A imprensa fez a sua campanha, mas também, felizmente, nós conseguimos reagir bem. Muita gente se solidarizou. Eu acho que uma parcela da esquerda e do povo brasileiro já percebeu que essas ações judiciais são operações políticas contra determinados adversários do poder.
Também queria destacar aqui que essa afirmação sobre o Mossad e a Polícia Federal tem precedentes. Nós temos aí o companheiro Lucas Passos, que é um brasileiro que esteve no Líbano e, ao voltar ao Brasil, ele foi denunciado pelo Mossad. Denunciado, não: o Mossad mandou uma ordem para a Polícia Federal brasileira para prender esse cidadão, alegando que ele havia se encontrado com o Hesbolá no Líbano. Vejam bem, o Hesbolá é um partido político legal no Líbano. Qualquer brasileiro teria o direito de ir lá e se encontrar com o Hesbolá. Mas simplesmente essa ligação nebulosa dele com o Hesbolá teria dado causa a que ele fosse condenado por atos preparatórios de terrorismo. O que ele fez? Nada. Ele não fez nada. O que a polícia apresentou no inquérito é que ele teria pesquisado na internet, no Google, locais e nomes de pessoas da comunidade judaica brasileira. Tudo bem, eu até entendo que alguém possa achar que, se você pesquisa uma autoridade judaica, você queira fazer alguma coisa contra ela. Mas daí orientar um processo judicial não faz o menor sentido. Ele está preso em São Paulo, na penitenciária, e ele foi condenado a 16 anos de prisão por nada, por ordem do Mossad dirigida à Polícia Federal brasileira.
Ao mesmo tempo, não sei se todos os companheiros sabem, mas é importante saber: a esmagadora maioria dos palestinos que tentaram entrar no Brasil depois do dia 7 de outubro de 2023 foi impedida de entrar pela Polícia Federal. A Polícia Federal não obedece ao governo Lula. Nós falamos com o governo Lula, denunciamos essa situação. Essa situação foi denunciada para o Celso Amorim. Eles não fizeram nada. Foi chamada aqui em Brasília uma audiência pública, para onde foram convocados a Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores, para explicar o caso dos palestinos que não conseguem entrar no Brasil. Vários deles chegaram aqui e foram mandados de volta. Ninguém explicou nada. Quer dizer, é uma ordem do Mossad para que os palestinos não entrem no Brasil. O que esses palestinos fizeram? Nada. Um deles era um médico palestino e é tudo assim. Ele defendeu a Palestina nas redes sociais, defendeu o Hamas, ele tem um primo que é do Hamas, levando em consideração que o Hamas tem só apenas 2 milhões de filiados. Quer dizer, todo mundo na Palestina tem um primo do Hamas, todo mundo. Não tem quem não tenha.
Então, a nossa situação não é uma excepcionalidade. Infelizmente, é a realidade que nós estamos vivendo. Um país onde as instituições políticas, as instituições do Estado, estão dominadas por uma potência estrangeira, que são os Estados Unidos, que é o imperialismo europeu e que é o Mossad, que é um braço do imperialismo. Por isso, nós não estranhamos quando falaram que a perseguição era orientada pelo Mossad. Não estranhamos minimamente. Nos parece até uma coisa natural. O que é mais significativo é pensar que isso pode ser o começo de uma política geral do Estado brasileiro contra a esquerda que defende a Palestina. Nós temos que lembrar que, na Inglaterra, há uma organização que defende a Palestina que teve seis membros presos e condenados a penas de prisão porque eles teriam pichado alguma coisa em algum lugar e eles foram condenados por terrorismo. Os processos que nós estamos sofrendo são processos por apologia do terrorismo, racismo, coisas totalmente absurdas.
Nós estamos vivendo essa situação extraordinária de perseguição. Quer dizer, não é uma perseguição isolada, faz parte de um conjunto de coisas, e nós temos que dizer que essa perseguição é possível por causa da política da esquerda brasileira, da quase totalidade da esquerda brasileira. Se vocês encontrarem aí o pessoal de esquerda, eles vão falar: “Defendemos a Palestina”. Não, não defende. Não é verdade. Se eles defendessem a Palestina, de fato, eles estariam na mesma situação que nós. Mas não tem nenhum partido que esteja na mesma situação que nós. Houve uma condenação de um dirigente partidário, que foi o caso do Zé Maria, do PSTU, é uma condenação só, é um processo só, nós temos uma dúzia de processos, e mais. Nós vimos a denúncia aí de um dos apresentadores do podcast Três Irmãos, eu já estive naquele podcast, que falou que ele foi ameaçado pelo sionismo para não me levar para dar entrevista no podcast. Levaram ele numa sala cheia de armas e ameaçaram ele abertamente. Ele denunciou tudo isso e até abriu um processo contra os sionistas, que são pessoas violentas e persecutórias, como nós estamos vendo.
Num certo sentido, companheiros, nós temos que entender o seguinte. O PCO, nesse momento aqui, é o partido político mais perseguido do País. Os Bolsonaro, pode-se dizer que eles são mais perseguidos do que nós, mas eles não formam um partido político real. São pessoas, em geral, individuais. Como partido, o partido mais perseguido do País, nesse momento, é o PCO. E eu diria que isso é uma demonstração da parte dos nossos inimigos de que nós somos, efetivamente, um partido revolucionário, um partido sério, um partido que luta e um partido que, ao contrário do que quer fazer uma propaganda que é dirigida contra nós, influencia as coisas na situação brasileira. Porque, como bem diz o provérbio popular, ninguém dá chute em cachorro morto, e nós estamos levando muito chute. Então nós estamos vivos. E nós vamos resistir, o sionismo não vai vencer, a Polícia Federal e o Ministério Público, que são órgãos persecutórios, também não vão vencer. Nós vamos travar essa luta até o fim. Mais cedo ou mais tarde, todo esse grande sistema de perseguição que existe no Brasil vai vir abaixo. E eu tenho a mais completa certeza pelo seguinte: nós lutamos contra a ditadura. A ditadura era muito mais poderosa do que o regime político atual, do que os ministros do STF, tinha meios muito mais importantes e agressivos para a sua oposição, e a ditadura veio abaixo. E o atual regime, de exclusão e marginalização, de censura e de perseguição, também vai vir abaixo. E nós somos parte disso.
Bom, aqui já foi falado claramente que as eleições são antidemocráticas. Queria só assinalar o seguinte. Falar que as eleições são antidemocráticas e que elas não vão resolver nenhum problema deveria ser a primeira coisa que uma organização que se diz revolucionária diga quando ela participa das eleições. Na história da Terceira Internacional, a primeira colocação dos partidos comunistas era que era preciso derrubar a ordem existente, que a eleição não era democrática, que a eleição não vai resolver o problema. Nós somos o único partido que diz isso. O resto está aí na caça desenfreada pelo voto. Então, uma das nossas obrigações é isso: mostrar para o povo brasileiro que a eleição não vai resolver nenhum problema.
Nós temos que acrescentar alguns dados nessa situação. Primeiro deles é o seguinte: o regime político brasileiro está completamente esgotado. O regime que foi estabelecido em 1988 não tem mais nada a oferecer, seja para o povo, os trabalhadores, seja para a própria burguesia. Recentemente uma pessoa nos comentou, eu achei até muito curioso isso, que os setores do mercado financeiro da Faria Lima avaliam que o regime político está esgotado. Nunca tinha ouvido falar disso de nenhum setor da burguesia. É uma caracterização nossa, é a caracterização central do nosso Congresso. Isso coloca o seguinte: o que existe hoje vai dar lugar a uma mudança muito grande. O grande problema da situação política, ou os grandes problemas, são os seguintes: como vai se dar essa mudança e em que sentido vai se dar essa mudança? Então, em primeiro lugar, nós temos que dizer o seguinte, e esse é o nosso prognóstico: essa mudança não vai se dar de forma tranquila. Ela vai se processar através de crises menores e maiores. Vai se abrir um período de crise. E, nesse período de crise, o que vai acontecer é que o povo brasileiro vai intervir na situação política, vai procurar determinar os rumos do regime político. Pode não acontecer imediatamente, mas é o que vai acontecer. Portanto, cabe a nós um trabalho preparatório dessa situação.
Ontem eu estava dando uma entrevista para a Folha de S.Paulo, e a repórter que me entrevistou estranhou que eu falasse que as eleições não iam mudar nada, não tinham poder de mudar nada, porque como é que você vai, segundo ela, segundo a ideia dela, como é que você vai mudar o País se não for através de eleições? Aí eu expliquei para ela que, na realidade, as grandes mudanças nacionais nunca aconteceram por força das eleições. Nunca, em nenhum momento. Uma coisa que muita gente não sabe é o seguinte: parece que as eleições apareceram na semana passada. Não. O Brasil tem eleições desde a época do Brasil Colônia. O Brasil deve ser o país do mundo que tem a maior continuidade de processos eleitorais, talvez com exceção dos Estados Unidos e da Inglaterra. Só se interrompeu o processo eleitoral na época do Estado Novo, do governo fascista do Getúlio Vargas. Fora essa época, sempre teve eleições. Na época da ditadura militar também tinha eleições. E as eleições nunca mudaram absolutamente nada. Quem mudou o Brasil, quem fez o Brasil andar para frente, foi o povo na rua, sempre, em todas as situações. A ditadura militar, a oposição da época, falava o seguinte: “Nós precisamos ganhar as eleições para acabar com a ditadura”. Eles ganharam as eleições em 74, ganharam as eleições em 78 e não conseguiram mudar uma vírgula do regime ditatorial. Mas, quando os trabalhadores do ABC, em 1979, fizeram uma greve, desafiaram a proibição de greve da ditadura, desafiaram a proibição de realizar manifestações públicas, impuseram na prática o direito de greve, o direito de manifestação, o direito da livre expressão, a ditadura começou a cair. Ela começou a cair nas ruas. Tivemos vários movimentos de rua naquela época. Aqui em Brasília, muita gente não deve inclusive saber disso. Na época da ditadura, no governo Figueiredo, houve praticamente uma insurreição popular que obrigou a ditadura, que não queria reprimir as manifestações, a colocar o Exército na rua. Aqui em Brasília. Dessa vez não foi em São Paulo. Não foram os operários. Foi a população de Brasília que fez isso. E depois nós tivemos a campanha das Diretas Já. Não tivesse movimento de rua, a ditadura estava aí até hoje. E o pessoal estaria falando: “Não, eu tenho que eleger alguém para mudar a situação”. Isso é uma farsa. Nós temos que dizer para o povo brasileiro que ele tem que tomar o seu destino nas mãos e mudar o País. A eleição não vai mudar o País.
Nós temos aqui governos do PT desde 2002. Nós estamos em 2026, então 24 anos, com um único governo que não era do PT, que é o governo Bolsonaro, meio governo do Temer, e o PT, que é um partido que se propõe a ser um partido reformista, que se propõe a ser um partido que defende a situação social do trabalhador, que defende a economia nacional, não conseguiu reverter minimamente nem a situação social e nem a situação econômica do País. Quando Lula assumiu o governo pela primeira vez, ele colocou em prática, aprovou o plano do Bolsa Família. Naquele momento, se não me engano, se não me falha a memória, o governo dava 80 reais para cada pessoa que estava praticamente morrendo de fome. Isso foi a herança do governo FHC. Mais de 50 milhões de pessoas entraram no programa, que era a população que estava sem poder se segurar em lugar nenhum. Hoje, 24 anos depois, o Bolsa Família continua aí com os mesmos 50 milhões de pessoas. São 50 milhões de brasileiros, um quarto da população brasileira. A população não é da força de trabalho. Da força de trabalho já seriam 40%, que está fora do mercado de trabalho há 24 anos. Vinte e quatro anos. É uma vida. Tem muita gente aqui que nasceu depois disso. Vinte e quatro anos, um quarto da população brasileira, 40%, 50% da força de trabalho, está fora do mercado de trabalho. Quer dizer, o PT não conseguiu resolver essa situação. Criou alguns programas sociais que são paliativos, como esse. Bolsa Família é um programa paliativo, não é um programa que soluciona a questão. O pessoal está morrendo de fome e você dá dinheiro para eles poderem comprar alguma coisa. Mas esse dinheiro não dá para pagar o lugar, não dá para nada. É quase que uma esmola, mesmo com o aumento que houve durante a pandemia para R$600, que foi um aumento bastante grande.
A economia brasileira, basta que nós vejamos um único índice. A indústria brasileira andou para trás 30%. O Brasil perdeu 30% da sua indústria. É uma situação catastrófica. O Brasil hoje depende da venda de produtos agrícolas e produtos de matéria-prima. A indústria brasileira diminui todo dia. Todo dia você tem fábricas que estão sendo fechadas, a indústria não cresce, o País está estagnado, ou melhor, o País está andando para trás.
Então, quer dizer, nós temos uma experiência com as eleições. O PT é um partido que se propôs efetivamente a realizar reformas sociais. Várias pessoas me perguntaram: nós temos muita crítica ao PT, eu nunca acusei o Lula de não querer fazer as reformas sociais. Eu acho que ele quer. Eu acho que, se ele tivesse condições, ele faria. Mas acontece que você, através das eleições, desses acordos absurdos que são feitos no Congresso Nacional, até porque, o que é a base parlamentar do governo? É o Centrão. Muita gente não se dá conta disso. A base do governo Lula no Congresso Nacional é o Centrão. Sem o Centrão, ele não aprova nenhuma proposta. E isso é um sistema absolutamente corrupto. E ele não aprovou nada importante, ele não consegue. Há uma grande discussão nas redes sociais que eu vi, onde as pessoas discutem o problema das alianças do PT — Simone Tebet, a Rainha do Latifúndio, o PSB do Alckmin e ainda Tabata Amaral, agente sionista na política brasileira. Então os petistas, achando que o mundo começou na semana passada, que ninguém tem memória, que ninguém sabe o que aconteceu nesse País, falam assim: “Essa é a política realista. Se você quer mudar as coisas, tem que fazer aliança com o Conde Drácula, o Frankenstein, o demônio etc.” Tudo bem. Eu sou a favor da política realista, mas uma política realista tem que dar resultado. Não adianta só você vender a alma para o demônio. Até na história do Dr. Fausto, que vende a alma para o demônio, ele procura obter alguma coisa em troca, porque vender a alma para o demônio de graça é uma estupidez. E aqui, conseguir emprego público para os parlamentares do PT não é ganhar nada. Se esse é o ganho, nós temos que dispensar esse ganho. Quem teria que ganhar é o povo brasileiro, e o povo brasileiro não ganhou nada. Quer dizer, o pessoal vendeu a alma para o diabo, mas não recebeu nada em troca. É o pior negócio que você poderia fazer. Você fica sem alma e não ganha nada em troca. É isso que tem acontecido no Brasil esse tempo todo.
E nós temos que pacientemente explicar isso para a população brasileira. Os trabalhadores perderam muito. Agora, um pouco antes da gente vir para cá, estava comentando com o companheiro Ricardo, que foi diretor desse sindicato aqui, como esse sindicato foi importante na vida do trabalhador brasileiro. E aí a gente comentou sobre a atual campanha salarial dos bancários, onde os patrões não querem dar nada, querem, inclusive, tirar coisa dos bancários, o que é natural, porque, se os bancários não fazem greve, não vão à rua, não enfrentam a polícia, não ocupam a agência bancária, por que o patrão vai dar alguma coisa para ele? Vai dar nada. E o trabalhador brasileiro, da época em que nós tivemos a primeira eleição para hoje, ele só perdeu, que é outra coisa que ninguém fala. Os trabalhadores brasileiros nesse período perderam muita coisa. Foi estabelecida a terceirização, que acaba com os direitos trabalhistas, que acaba com a força dos sindicatos. Naquele momento, o PT não fez nada contra a terceirização, nada. Nem chamou o povo a lutar contra a terceirização. Nem os sindicatos petistas queriam lutar contra a terceirização. Muitos trabalhadores perderam o limite da jornada de trabalho, muitos trabalhadores perderam o fim de semana livre, muitos trabalhadores perderam as férias e um monte de outras coisas. Muita gente fala assim: “O governo Lula é como o governo Vargas”. Mas a diferença é o seguinte: o Vargas, por motivos que interessavam a ele, porque ele era um político burguês, criou a Consolidação das Leis do Trabalho. O Lula, no período em que ele governou, houve o desmantelamento da CLT. Então, essa é a realidade. Esse é o balanço que nós temos que fazer. O balanço tem que ser esse.
Para quê tudo isso? O que vai acontecer? Como vamos mudar o Brasil? O pessoal fala assim: “Tem que eleger a Simone Tebet”. Nem na minha cabeça, eu não consigo nem entender o que eles estão falando. Porque amanhã, se tiver uma nova reforma da Previdência, Simone Tebet vai ser a primeira a levantar a mão. Não é uma pessoa que vai defender o interesse do trabalhador, não vai defender o interesse da economia nacional. Ela é uma agente dos bancos. O PT anunciou que o atual ministro da Economia vai negociar com o Armínio Fraga, não sei com quem mais. O que ele vai negociar com essa gente? Esse pessoal destruiu o País. Então, o governo Lula, o PT, eles estão apontando para fazer o governo Fernando Henrique nº 3. Tudo está indicando isso. Ao mesmo tempo que eles falam sobre soberania nacional etc., eles estão caminhando para um governo Fernando Henrique nº 3. E vai ser assim, porque eles não vão ter maioria no Congresso, vão depender do Centrão, já fizeram aliança com o Centrão, vão depender, inclusive, dos bolsonaristas, que vão aumentar sua bancada no Congresso. E aí, como é que vai ficar a situação? Não vai acontecer nada. Nós temos que dizer claramente para o pessoal.
Aqui eu acho, companheiros, que cabe uma explicação. Nós falamos: é preciso mobilizar o povo. É preciso chamar o povo às ruas, é preciso mobilizar os trabalhadores, é preciso organizar a luta dos trabalhadores. Então, muita gente fala assim: “Vocês estão com uma pregação delirante, porque vocês querem fazer a revolução na semana que vem”. Não, não é isso. Isso não é possível. Não é possível você chamar o povo a fazer uma revolução do nada. Mas a nossa política revolucionária consiste em colocar o povo em movimento. Ao colocar o povo em movimento na luta pelas suas necessidades básicas, elementares, fundamentais, nós abrimos uma via de superação, nós abrimos uma via de reorganização nacional, nós abrimos uma via de mobilização revolucionária. Quer dizer, nós queremos colocar esse processo em marcha. Nós não queremos fazer nada fora do comum. A nossa grande crítica ao PT é que o PT não chama o povo para a rua. O governo do PT não se apoia sobre a mobilização popular. Ele se apoia sobre as bancadas de delinquentes políticos que estão no Congresso Nacional. E isso é um engodo, e já se provou ser um engodo. O que seria necessário fazer seria chamar o povo a ir às ruas. Isso não aconteceu no golpe de Estado de 2016 contra Dilma Rousseff. Nós fizemos um esforço, trabalhamos com alguns companheiros do PT e da CUT para tentar criar mobilizações populares, mas o negócio não ia para frente. Por quê? Porque o Partido dos Trabalhadores e a Central Única dos Trabalhadores, da qual nós fazemos parte, não estão voltados a mobilizar o povo. Vocês devem ter visto o ato de lançamento da campanha do Lula em São Bernardo. Segundo o PT, teriam estado lá 40 mil pessoas. Eu seria mais modesto, diria que umas 20 mil pessoas, 25 mil pessoas. Aí uma pessoa comentou na rede social: “Vocês também podem fazer o ato no estádio”. Eu falei para ele: você tem ideia de quanto custa para fazer, quanto custou esse ato? As pessoas falam em alugar 250, 500 ônibus para levar o pessoal para o estádio. Quer dizer, só de ônibus, foi mais de 10 milhões de reais. Até aí, tudo bem. O PT quer fazer um ato, quer levar o pessoal, leva. Mas esses 10 milhões de reais e esses 250 ônibus nunca estiveram aí nem para defender o governo da Dilma Rousseff, nem para defender a saída do Lula da cadeia. Em momento nenhum você teve um ato dessa magnitude para defender os interesses populares. É só eleições. Só eleições. Define claramente o que está acontecendo com a esquerda brasileira. E é preciso superar essa esquerda. É preciso ir criando movimentos, movimentos de luta contra o imperialismo, movimentos de defesa dos interesses da população trabalhadora brasileira da cidade e do campo, e criar um processo de acumulação de forças que permita superar a situação pela ação das massas, que é o meio, comprovadamente, que sempre foi fundamental para mudar o Brasil.
Então esse problema, companheiros, isso aqui é o eixo da nossa campanha eleitoral. Nossos candidatos não devem sair por aí com propostas interessantes para caçar o voto do eleitor. Não. A nossa campanha deve ser a explicar o mais amplamente possível aquilo que nós entendemos como sendo fundamental. Que é isso, que é a essência do nosso programa. Nós queremos reverter as privatizações e nós devemos dizer que sem isso não pode ter desenvolvimento nacional. Nós queremos acabar com a dívida pública. Sem isso, falar em desenvolvimento nacional e programas sociais é demagogia. Nós queremos restabelecer os direitos dos trabalhadores na CLT. Nós queremos mudar as instituições políticas brasileiras de forma radical, revolucionária. Então nós devemos falar claro para a população, sem medo. E nós devemos falar claro para a população, primeiro, porque a situação exige. Em segundo lugar, isso daqui é muito importante, porque há muita gente disposta a ouvir o que a gente tem a dizer nesse sentido. Muita gente. E nós temos que agrupar essas pessoas em torno da nossa luta política.
Então, é esse o trabalho que nós estamos iniciando aqui hoje em Brasília. A campanha está começando, não vai durar muito, porque no Brasil a campanha eleitoral é fulminante, ela passa assim como um cometa que estivesse passando pelo planeta. Você vê e no dia seguinte você já não vê mais nada. Para que tem essa campanha eleitoral? É para você não poder usar a campanha como uma tribuna de denúncia da situação brasileira e, certamente, para impedir que aqueles que já não estão no poder sejam eleitos. Mas nós não devemos ter nenhum tipo de pé atrás com isso. As desvantagens que nós temos têm que ser denunciadas, mas não devem impedir o Partido da Causa Operária de levar adiante a luta para tornar consciente uma parcela cada vez mais ampla da população daquilo que é necessário. E aquilo que é necessário é a revolução e é o socialismo. Obrigado, companheiros.





