O processo eleitoral de 2026 não vai transformar o Brasil. A afirmação é de Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, que dedicou a última edição do programa Análise Política da Semana, transmitido pela Causa Operária TV (COTV) no último sábado (25), a estabelecer a posição do Partido diante da disputa que se aproxima.
“O país não vai mudar através do voto”, disse Rui. “A eleição é uma instituição controlada pela burguesia”. Para o presidente do PCO, as eleições são a forma natural de manutenção da dominação política da classe dominante, não um mecanismo real de mudança. A burguesia as tolera exatamente porque controla seus resultados. O PT, afirmou, só foi eleito porque não desafia a ordem burguesa. Um partido que o fizesse seria impedido de eleger sequer um deputado.
Com mais de 12 partidos já lançando pré-candidatos à presidência, ele considerou o momento oportuno para definir como o PCO se posicionará na disputa — e, sobretudo, para traçar um contraste com o restante da esquerda.
O que as eleições são — e o que não são
Pimenta foi enfático ao rejeitar qualquer ilusão sobre o poder do voto. As eleições, explicou, não existem para permitir que o povo tome o controle do regime político. São, ao contrário, o mecanismo pelo qual a burguesia renova sua dominação dentro de uma aparência democrática. A prova disso está no próprio PT: um partido sem nenhum programa revolucionário, sem nenhuma proposta radical, que mesmo assim mal consegue colocar em prática aquilo que promete.
“Veja a colocação do Lula: não vamos exagerar no que a gente quer, porque não vai dar”, disse Rui, resumindo o que chamou de política conformista do PT diante da ordem burguesa. Se um partido tão moderado esbarra em tantos limites, a ideia de revolucionar o país pelas urnas seria, nas suas palavras, “totalmente delirante”.
Isso não significa, porém, que o PCO ignore as eleições. Para Pimenta, elas são mais um terreno de luta política, não o principal, mas um que não pode ser abandonado, já que a burguesia o utiliza para explorar as ilusões da população. “Como a burguesia atrai a atenção da população explorando as ilusões nas eleições, nós participamos das eleições para aproveitar mais esse terreno de luta pelo nosso próprio programa”.
Demagogia eleitoral
A crítica mais contundente do presidente do PCO recaiu sobre o que chamou de demagogia eleitoral, a prática de elaborar um programa para atrair votos em vez de levar às urnas o programa que se defende no cotidiano. Esse vício, segundo ele, não é exclusividade do PT: contamina toda a esquerda brasileira e tem raízes antigas, anteriores ao próprio PT, no chamado pragmatismo herdado do PCB.
O governo Lula foi o exemplo mais imediato. A adesão do PT à questão da segurança pública, segundo Pimenta, não expressa nenhuma convicção política, mas sim uma tentativa de capturar votos de um eleitorado que normalmente não votaria no partido. O problema, alertou, é que quando um partido coloca determinada bandeira na ordem do dia por razões eleitoreiras, ela acaba se transformando em seu programa real.
A chamada extrema esquerda também foi alvo. O PSTU lançou um rapper como pré-candidato à Presidência não porque ele represente um programa operário ou revolucionário, mas pela aposta em sua popularidade. “Não vote em mim porque eu sou revolucionário. Vote em mim porque eu sou artista”, resumiu. No mesmo sentido, criticou a candidatura da UP, que propõe obrigar deputados a usar o SUS como medida de melhoria da saúde pública: “pura demagogia”, nas suas palavras, “para atrair os incautos”.
O caso mais detalhado foi o de Jones Manuel. Segundo Pimenta, o militante que se apresenta como comunista e revolucionário ingressou no PSOL, partido onde, afirmou, a palavra “revolução” não é pronunciada há décadas e o socialismo desapareceu até do vocabulário, apesar de constar no nome. Aceitou a exigência de apoiar Lula após passar um ano inteiro atacando o governo. “Esse tipo de malabarismo político é exatamente o contrário daquilo que nós pregamos”, disse.
O método do PCO
Contra a demagogia, Pimenta colocou o que chamou de método do Partido: ir para as eleições da maneira mais clara e explícita possível, defendendo o programa revolucionário sem concessões eleitoreiras. Não se trata de esconder as posições para ampliar o apelo, trata-se do oposto.
“Nós queremos que as pessoas votem no nosso programa, não em determinada personalidade”, afirmou. O objetivo da participação eleitoral do PCO não é maximizar votos a qualquer custo, mas agrupar pessoas que se alinham conscientemente com um conjunto de ideias e que representem uma evolução real na consciência política de um setor da população. “Não adianta nada você ter muito voto se as pessoas estão votando em você por um motivo equivocado. A sua política não tem apoio”.
Isso não exclui a busca pelo maior número possível de votos, mas de uma maneira, nas palavras de Pimenta, “inteiramente honesta com o nosso programa”. A votação do Partido, seja qual for seu tamanho, deve representar o agrupamento de pessoas que reconhecem no PCO a defesa de ideias fundamentais para a luta de classes no Oaís.
Rui anunciou que voltará ao tema nas próximas edições do programa.



