Ednelson Cesaretti, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao Senado por São Paulo, defendeu a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, a eleição dos juízes e o fim da Polícia Militar em entrevista ao programa Conexão BdF, primeira edição, do Brasil de Fato.
Na abertura, Cesaretti agradeceu o espaço e denunciou a exclusão das candidaturas do PCO dos debates eleitorais. “Vivemos numa época de grande censura no país, onde partidos menores, como o PCO e outros, são totalmente excluídos do debate eleitoral a nível nacional”, afirmou. A emissora informou que convidou os 15 candidatos ao Senado e que entrevistaria aqueles que confirmassem participação.
Sobre o fim da escala 6×1, Cesaretti defendeu que a CUT e as demais centrais sindicais mobilizem os trabalhadores nas ruas, em vez de deixar a reivindicação submetida aos acordos de bastidores.
“Nós do PCO defendemos a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, sendo cinco dias de trabalho na semana por dois obrigatórios de descanso semanal remunerado, obrigatoriamente nos finais de semana, exceto para carreiras, como, por exemplo, as ligadas à área da medicina.”
A redução da jornada permitiria ampliar as contratações, explicou Cesaretti, que também defendeu o desenvolvimento industrial para combater o desemprego.
Questionado sobre a segurança pública, o candidato afirmou:
“Nós defendemos o fim da Polícia Militar e a adoção de organizações de defesa, nós podemos chamar de milícias operárias eleitas e controladas pelos trabalhadores em suas comunidades. Porque a Polícia Militar, do jeito que está colocada, nunca serviu aos interesses da classe trabalhadora. A Polícia Militar acaba sendo um braço do Estado e, por sua vez, também um braço do sistema econômico e do poder no país.”
Cesaretti denunciou os massacres policiais e a falta de espaço nos meios de comunicação para que organizações independentes esclareçam o que ocorre nas operações. A defesa da população trabalhadora exige também a legalização de todas as drogas, contra a política de repressão que utiliza seu comércio como justificativa para atacar as comunidades.
Defendeu ainda o armamento da população e o ensino militar obrigatório para homens e mulheres, como parte da autodefesa dos trabalhadores e da defesa nacional. Alertou para o uso das acusações de terrorismo contra organizações criminosas como pretexto para uma intervenção do imperialismo norte-americano no Brasil.
Sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial, Cesaretti criticou Marina Silva pelos obstáculos impostos à atividade na região da Foz do Amazonas:
“Nós defendemos que as riquezas nacionais, como o caso do petróleo e as terras raras, devem ser colocadas a serviço da população, da classe trabalhadora. As nossas riquezas devem ser colocadas em benefício da classe trabalhadora, melhorando tanto a questão da renda nacional como os serviços que atendem a classe trabalhadora.”
O candidato citou os estudos dos especialistas da Petrobrás sobre a capacidade de produção dos poços e o benefício que sua exploração traria ao Amapá. Defendeu que as riquezas naturais sejam exploradas e administradas por estatais brasileiras, controladas pelo povo e pelo governo eleito pela população.
Diante das denúncias envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master, e ministros do Supremo Tribunal Federal, Cesaretti criticou os vínculos do Judiciário com o grande poder econômico. Cobrou o afastamento de Alexandre de Moraes pelas denúncias relacionadas ao ministro e ao escritório de advocacia de sua esposa.
Defendeu a eleição dos juízes pela população e criticou os poderes do STF, que decide sobre os destinos do país sem ter sido eleito.
“Nós, inclusive, defendemos o fim do Senado, mesmo eu sendo um candidato a senador, porque nós vemos que essas instituições trabalham contra o interesse da classe trabalhadora. E são inúmeros os exemplos de que, em momentos decisivos para determinadas categorias profissionais ou mesmo para a classe trabalhadora de conjunto, tanto o STF como o Senado Nacional atuaram para negar reivindicações importantes da classe trabalhadora no país.”
Cesaretti criticou ainda as candidaturas de Simone Tebet e Marina Silva. Recordou o apoio das duas ao golpe de 2016 e à perseguição contra o PT e afirmou que elas não representam os interesses dos trabalhadores.
O candidato apresentou a proposta de reajuste emergencial de 50% do salário mínimo e de reposição de todas as perdas salariais. Defendeu um mínimo de pelo menos R$7.500,00 para sustentar uma família de quatro pessoas.
Propôs a revogação das medidas da reforma da Previdência e denunciou as tentativas de impor uma nova reforma após as eleições:
“Somos totalmente contra isso. Fazemos a denúncia que uma nova reforma da Previdência serve aos mesmos interesses anteriores, de tirar dinheiro da classe trabalhadora e mandar para os cofres dos banqueiros.”





