Literatura

Editora Democritos lança vídeo promocional de O Espinho e o Cravo

Obra de Iahia Sinuar será lançada em 9 de maio, às 17 horas, no Centro Cultural Benjamin Péret, em São Paulo

A Editora Democritos divulgou um vídeo promocional para divulgar o lançamento da edição brasileira de O Espinho e o Cravo, romance escrito por Iahia Sinuar durante o período em que esteve preso por “Israel”. A versão física do livro será lançada no Brasil em 9 de maio, às 17 horas, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), localizado na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, no centro de São Paulo.

A obra será publicada em português pela Democritos. Segundo a editora, a versão digital será enviada, na próxima semana, aos leitores que adquiriram o livro durante a pré-venda. A edição impressa será disponibilizada ao público a partir da data do lançamento.

No vídeo, a editora apresenta o livro como “um dos romances políticos mais impactantes já escritos sobre a Palestina” e destaca que a obra se baseia em experiências reais de Sinuar e de palestinos com quem ele conviveu.

“Baseado em experiências reais do autor e palestinos com quem ele conviveu, o livro acompanha a trajetória de uma família palestina fictícia ao longo de décadas de conflito. Da Guerra dos Seis Dias de 1967 até o fim da Segunda Intifada, em 2004. Por meio da história de Ahmed e seus familiares, o romance revela a resistência cotidiana de um povo sob ocupação, que não desiste de existir”, afirma o vídeo.

A gravação também destaca a amplitude histórica da obra. O Espinho e o Cravo trata de acontecimentos como a Naqsa de 1967, a ocupação de Gaza, da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental, do Sinai e do Golã, os combates do Setembro Negro na Jordânia, a guerra civil no Líbano, o massacre de Sabra e Chatila, os acordos de Camp David, os Acordos de Oslo e o surgimento do Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas.

Segundo o vídeo, o livro aborda ainda “a condição dos palestinos nas prisões israelenses, espionagem e infiltração nos campos de refugiados, do auge à decadência do Fatá e o surgimento da Autoridade Palestina”.

Veja:

A Democritos informou ao Diário Causa Operária que o lançamento havia sido inicialmente previsto para abril, mas foi adiado após consulta ao próprio Hamas, partido político mais popular da Palestina, fundado, entre outros dirigentes, por Sinuar. A mudança teve como objetivo aprimorar a tradução diretamente do árabe, realizar novas consultas, concluir ajustes gráficos e preparar o evento de lançamento em São Paulo.

Depois da atividade na capital paulista, a obra será lançada em outras regiões do País. A editora prevê eventos em capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre nas semanas seguintes.

Durante a pré-venda, O Espinho e o Cravo pode ser adquirido por R$235,00. A partir de 9 de maio, o preço passará a R$270,00. Os interessados podem comprar o livro e garantir o acesso antecipado à versão digital pelo telefone (11) 99741-0436.

Livro foi escrito na prisão

Iahia Sinuar nasceu em 1962, no campo de refugiados de Khan Iunis, na Faixa de Gaza. Sua família era originária de Ascalão e foi expulsa durante a Naqba de 1948, quando centenas de milhares de palestinos foram arrancados de suas terras pela criação do Estado de “Israel”.

Formado em Língua e Literatura Árabe pela Universidade Islâmica de Gaza, Sinuar tornou-se uma das principais lideranças da resistência palestina. Em 1988, foi preso por “Israel” e condenado à prisão perpétua. Foi durante o cárcere que escreveu O Espinho e o Cravo.

O manuscrito foi redigido ao longo de anos, especialmente na prisão de Bersebá. Para impedir que o texto fosse destruído pelos carcereiros israelenses, prisioneiros palestinos copiaram trechos manualmente e esconderam as páginas. A preservação do livro, portanto, foi também resultado de um esforço coletivo dos presos palestinos.

No prefácio, datado de 2004, na Prisão de Bersebá, Sinuar afirma que o livro não é uma autobiografia, mas uma obra baseada em acontecimentos reais da vida palestina:

“Esta não é minha história pessoal, nem é a história de nenhum indivíduo em particular, embora todos os seus eventos sejam reais. Cada evento, ou cada conjunto de eventos, pertence a este ou aquele palestino. A única ficção nesta obra é sua transformação em um romance girando em torno de personagens específicos, para cumprir a forma e os requisitos de uma obra novelística. Todo o resto é real; eu vivi isso, e muito disso ouvi da boca daqueles que, eles próprios, suas famílias e seus vizinhos, vivenciaram isso ao longo de décadas na amada terra da Palestina.”

A história recente da Palestina

O Espinho e o Cravo acompanha a vida de uma família palestina fictícia, mas formada a partir de acontecimentos reais vividos ou conhecidos por Sinuar. A obra percorre décadas de luta contra a ocupação israelense e apresenta a resistência armada e popular, a vida nas prisões, as torturas, as operações de infiltração israelenses e as diferenças políticas entre as organizações palestinas.

O vídeo da Democritos resume a importância da publicação no Brasil ao destacar que o livro chega ao País em versão completa, inédita em português e traduzida diretamente do árabe.

“Escrito em 2004, enquanto o autor estava preso, o romance circulou inicialmente como manuscrito clandestino entre prisioneiros, antes de alcançar leitores em diversas partes do mundo. Agora no Brasil, a versão completa, inédita em português, traduzida diretamente do árabe. São quase 800 páginas de uma história intensa, política e profundamente humana”, afirma a peça de divulgação.

Sinuar dedica o livro “àqueles cujos corações se apegam à terra de Isra e Miraj, do oceano ao Golfo, na verdade, de oceano a oceano”, em referência à jornada noturna do Profeta Maomé.

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