Sudeste

Editora Democritos lança O Espinho e o Cravo no Rio de Janeiro

Romance de Iahia Sinuar, que foi preservado clandestinamente por presos e percorreu décadas de ocupação, agora chega à capital fluminense

A Editora Democritos realizou o lançamento de O Espinho e o Cravo, no Rio de Janeiro, na quinta-feira (25), em parceria com o Sindicato dos Engenheiros (SENG). A atividade ocorreu à noite, no auditório do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro, com apresentação da edição brasileira do romance de Iahia Sinuar. O evento integrou a campanha nacional de divulgação da obra, já levada a outras capitais.

O lançamento foi anunciado para as 18h no auditório do sindicato, na Avenida Rio Branco, 277, 17º andar, no Centro do Rio de Janeiro. A atividade incluiu roda de conversa com Juca Simonard, editor da tradução para o português, que apresentaria aspectos históricos e literários do livro. A proposta foi aproximar o público brasileiro de uma obra escrita a partir da experiência direta da luta palestina.

O Espinho e o Cravo foi escrito por Sinuar durante o período em que esteve preso nas cadeias de “Israel”. A obra, publicada no Brasil em dois volumes, tem cerca de 800 páginas e acompanha a trajetória de uma família palestina de Gaza desde as vésperas da Guerra dos Seis Dias, em 1967, até o início da Segunda Intifada. A ficção serve como forma de narrar acontecimentos históricos reais.

A história aborda a ocupação de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, a vida nos campos de refugiados, a formação política da juventude palestina, as disputas entre organizações da resistência e a experiência dos prisioneiros políticos. O romance também trata do fortalecimento do Fatá, da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), do Bloco Islâmico, da Jiade Islâmica e, posteriormente, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Um dos aspectos centrais da obra é sua própria sobrevivência. O manuscrito foi produzido em celas de segurança máxima e preservado clandestinamente por presos políticos palestinos. Para evitar que fosse confiscado e destruído por carcereiros de “Israel”, páginas foram copiadas, divididas e escondidas. Assim, o livro chegou ao público como resultado de organização coletiva no cárcere.

O lançamento no Rio de Janeiro reforçou a circulação de uma literatura produzida por dentro das prisões de “Israel”. Ao transformar o cárcere em espaço de escrita, Sinuar registrou a vida de um povo sob ocupação e a formação de sua resistência.

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