Caso Master

Direita do PT se prepara para jogar os seus na fogueira

Desde o início a burguesia traçou a meta de colocar um candidato de terceira via na presidência. Mesmo que não consiga, vai enfraquecer Lula e Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro e Lula

O artigo de Mario Vitor Santos, Jaques Wagner está no centro de novo linchamento promovido pela direita e pela mídia golpista para atingir Lula, publicado no Brasi247 nesta sexta-feira (19), inicia dizendo que “o PT, o governo e a esquerda não podem bater em retirada a qualquer crise que um ministro bolsonarista do Supremo, no comando de uma banda da Polícia Federal, deseje estimular. É preciso avaliar a situação, resistir e sustentar o terreno.”

O problema é que esta não é a primeira vez que o Partido dos Trabalhadores e a esquerda pequeno-burguesa deixam uns aos outros na chuva. Foi assim durante o julgamento-farsa do Mensalão, quando muitos petistas queriam seus dirigentes presos e acusavam quem os defendia de proteger bandidos.

No golpe contra Dilma Rousseff e durante o Mensalão, houve apoio explícito de setores da esquerda, como o MES-PSOL, ao juiz Sérgio Moro, desmascarado no vazamento de mensagens de Whatsapp. Ocorre que a pequena burguesia é muito afetada quando o assunto é corrupção, e até acredita que esta é de fato combatida.

É curioso que o autor tente ainda salvar essas duas instituições golpistas, pois aponta que se trataria de um “ministro bolsonarista” e de “uma banda” da PF, não de peças-chave para o golpe de 2016 que o grande capital utiliza para controlar a política nacional.

Manipulação

Santos diz que “está em curso uma operação de lawfare, equivalente a tantas outras, como o mensalão e a Lava Jato, sempre com a fanfarra dos meios hegemônicos de comunicação”. A questão é que nesses casos citados, o Supremo esteve envolvido até a o pescoço, foi decisivo para a eleição de Bolsonaro.

Ainda assim, a maioria da esquerda vem defendendo todo tipo de arbitrariedades dessa Corte, inclusive com tietagem vergonhosa ao ministro Alexandre de Moraes, que vinha agindo como verdadeiro monarca absolutista até esbarrar com os interesses do grande capital e ver seu nome ligado a um mega escândalo financeiro.

Segundo o jornalista, “antes foram os colaboradores próximos de Lula, como José Genoino e José Dirceu. Depois, o próprio Lula foi arrastado numa farsa. A acusação de agora, comandada por André Mendonça, mistura fatos e datas com os mesmos objetivos de sempre: fazer ilações, criminalizar lideranças do PT e criar escândalo com objetivos político-eleitorais”.  Isso é o que tem acontecido, com protagonismo do Supremo, mas o jornalista erra ao dizer que “agora a meta é salvar Flávio Bolsonaro, com a candidatura em crise abrupta.”

Falta à esquerda entender que a ação da PF contra Jaques Wagner  sobre suposto recebimento de propinas não é o problema, apesar das aparências. Trata-se de uma ação política.

Antes de prosseguir, é preciso lembrar que o senador é sionista e expoente da ultradireita petista. Seus governos na Bahia foram da burguesia, ligados aos capitalistas e latifundiários. Hoje, o estado tem uma das polícias que mais mata no País.

A manipulação é evidente, pois o caso (do Banco Master) que envolve o senador é completamente fragmentado, toda hora aparece um novo escândalo. Iniciou com ministros do STF, depois com Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e, agora, Jaques Wagner.

O jornalismo de esquerda, em vez de ficar na torcida, deveria exigir que se colocasse tudo às claras para que a população pudesse ter ciência do que realmente está acontecendo.

Da maneira que as coisas estão, não se tem um processo democrático, mas o mesmo esquema de vazamentos e denúncias pontuais. É nítido que existe um jogo para condenar determinadas pessoas e a manipulação política de sempre.

O que está em jogo não tem nada a ver com corrupção. Daniel Vorcaro, uma espécie de banqueiro do segundo escalão, tentou entrar no terreno dominado pelos grandes bancos. Para isso, montou um esquema de compra de figuras muito influentes, o que abriu uma luta política no interior da burguesia.

Vorcaro foi denunciado, preso, e o banco foi liquidado para a burguesia desmantelar o tal esquema. No entanto, isso ainda não basta, o grande capital precisará criar mecanismos de prevenção e fechar a brecha para que isso não volte a acontecer. Eventualmente, terá que fazer mudanças em algumas instituições, como o STF.

Por que estão atrás de Jaques Wagner? Talvez este, como senador, tenha facilitado as operações do banco. Há também sua proximidade com Lula, o que o torna um alvo importante.

O PT e a imprensa de esquerda, enquanto isso, entraram em uma política do “toma que o filho é seu”, querem deslocar o problema do STF (aliado do PT), de Jaques Wagner, e colocar a criança no colo de Flávio Bolsonaro. Desde o início do escândalo, há uma clara intenção de colar o bolsonarismo a Vorcaro, tanto que se criou o termo “Bolsomaster”, repetido exaustivamente.

Eleições

A PF, que é independente apenas do governo, andou considerando que Jaques Wagner seria uma espécie de intermediário entre o Banco Master e Lula. Agora, os bolsonaristas é que vão tentar devolver a bola para o outro lado da quadra e a política se resume a esse vai e vem.

Os partidos políticos, como se vê, não estão interessados em elucidar nada. Na verdade, são os principais fatores de confusão e de manipulação da opinião pública, pois estão interessados em ganhos políticos, especialmente agora, em ano eleitoral.

O inquérito é, em si, uma operação ilegal. O PT já está dizendo que, se o senador fez alguma coisa, terá que pagar. Isso porque se trata de um grande amigo de Lula, líder no Senado, “grande conquista do PT na Bahia” etc. Jaques Wagner é tratado como um estranho e se estabeleceu o salve-se quem puder.

A esquerda, em vez de denunciar a Polícia Federal, sua atuação política “independente” – que investigou Dilma Rousseff enquanto esta ainda era presidenta –, até outro dia a estava elogiando.

Existem rumores de que o ministro do STF, André Mendonça, passou por cima do chefe da PF para investigar Jaques Wagner, o que só comprova o quanto essa polícia é “independente”.

Esse ataque cumpre uma dupla função: além de liquidar o Banco Master, a burguesia tem aí mais um instrumento para manipular as eleições. A gangorra política que oscila entre Jaques Wagner e Flávio Bolsonaro objetiva o desgaste das duas principais candidaturas presidenciais, o que é um desenvolvimento natural da política traçada pela burguesia desde o início: nem Lula, nem Bolsonaro.

Apesar de o grande capital correr contra o relógio e a cada dia ficar mais difícil implementar essa política, não está descartada a opção de um candidato de terceira via.

Independentemente de a burguesia conseguir ou não alcanar seu objetivo, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro chegarão bastante enfraquecidos às eleições. Basta lembrar que esse inquérito está muito longe de acabar, há muitas denúncias que ainda vão surgir, e o desgaste se aprofundará para ambos.

Como este Diário já explicou em mais de uma ocasião, nenhum dos dois candidatos satisfaz plenamente os interesses da burguesia e, por isso, interessa debilitá-los. Um governo enfraquecido, seja ele qual for, será muito mais fácil de controlar, e esse é um dos objetivos parciais dessa operação.

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