O artigo do deputado federal Reimont Otoni intitulado A extrema direita favorece a bandidagem, a esquerda é contra, diz, em resumo, que “lugar de bandido é na cadeia”, um discurso que não fica devendo nada para a direita. O problema é que o autor é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e teve seu texto publicado no Brasil 247.
No olho do texto, está dito que “Tentativa de derrubar o veto de Lula à dosimetria é risco à democracia e à segurança pública”. Mas, na verdade, o dano aos direitos democráticos estão sendo praticados especialmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Otoni inicia dizendo que “eles dizem que é para salvar Jair e seus cúmplices na trama do golpe, o que já seria grave. Mas é pior, muito pior. Caso o Congresso consiga derrubar o veto do presidente Lula ao projeto de lei da dosimetria, como quer a extrema direita, o Parlamento vai beneficiar diretamente bandidos que cometeram e cometem crimes hediondos, barbaridades que causam repulsa e horror às famílias e à sociedade brasileira”.
O problema dessa afirmação é que tem muita gente que não acredita nessa tal “trama do golpe”. Embora exista uma trama, que é a prisão de Jair Bolsonaro. A burguesia mandou prender o ex-presidente porque tinha a intenção de tirá-lo da corrida eleitoral e negociar seu apoio a um candidato da terceira via em troca da liberdade.
A classificação de “crime hediondo” é só mais um artifício para aumentar penas, que já são bastante duras. As prisões deveriam servir para tentar recuperar as pessoas para o convívio social. Em vez disso, são verdadeiras câmaras de tortura que estão em desacordo com a própria Constituição que, se fosse obedecida, teria obrigado o fechamento de todos os presídios no Brasil.
Segundo o deputado, “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu o seu papel de proteger a sociedade e as instituições do país e vetou integralmente o estrupício, que, sob a desculpa de reduzir as penas aplicadas aos 150 condenados presos pela tentativa de golpe, abriria as portas das cadeias para outros 190 mil presos de alta periculosidade”.
A maioria dos condenados na “trama golpista” eram manifestantes, todos desarmados, como demonstram as imagens de televisão e circuitos internos, que estão sendo acusados de tentativa de golpe armado. Um homem que cometeu o crime de se sentar na cadeira de Alexandre de Moraes foi condenado a 17 anos de prisão, enquanto a perigosíssima cabeleireira armada com um batom pegou 14 anos por pichar uma estátua.
Lembrando que essas pessoas jamais poderiam ter sido julgadas pelo STF, pois não têm como recorrer, de modo que não foi dado a elas o amplo direito de defesa. Todos os casos deveriam ter sido individualizados e remetidos à primeira instância.
Esquerda chave de cadeia
A esquerda pequeno-burguesa passou a utilizar o mesmo vocabulário da direita. Otoni se vê na obrigação de falar para seus possíveis eleitores que “crimes hediondos, no Brasil, são delitos de extrema gravidade que recebem tratamento penal mais rigoroso, com maior tempo de progressão para regime semiaberto; a esses crimes não cabe fiança, perdão, anistia ou indulto. A lista inclui roubo seguido de morte, homicídio qualificado (incluindo feminicídio), estupro, tortura, tráfico de drogas e terrorismo, entre outros. Só barra pesada”. – grifo nosso.
O que mais se tem visto no Brasil são pessoas sendo presas provisoriamente e ficam meses, e até anos, sem serem julgadas. Isso que é crime hediondo, mas essa esquerda não fala absolutamente nada.
Colocam jovens que cometeram delitos leves com os barra pesada, para que assim possam ser preparados para a volta ao convívio social.
Otoni escreve que “para favorecer Jair e seus golpistas, a extrema direita criou uma proposta que vai na contramão do combate ao crime e beneficia líderes do tráfico e assassinos como Fernandinho Beira-Mar (Luiz Fernando da Costa), Marcinho VP (Márcio Nepomuceno dos Santos) e Marcola (Marcos Willians Herbas Camacho, líder do PCC de São Paulo) e estupradores como Roger Abdelmassih, ex-médico condenado por violar dezenas de pacientes, e Thiago Brennand, acusado de diversos crimes, incluindo estupro e cárcere privado”.
A esquerda pequeno-burguesa agora se engajou no “combate ao crime” e em vez de lutar para a descriminalização das drogas, fica falando em “líderes do tráfico”. E aí, o deputado faz uma lista de pessoas que estão presas para tentar convencer a todos que tem razão.
Em vez de se falar em combater as desigualdades sociais, essa esquerda cadeeira só pensa em prender e estender penas.
“Vejam vocês”, diz o deputado, “em crimes hediondos, o tempo mínimo de cumprimento em regime fechado para o semiaberto cairia de 70% para 40%, no caso de réus primários. Nos crimes hediondos com morte, o percentual seria reduzido de 75% para 50%. Nos casos de feminicídio, a exigência passaria de 75% para 55% para condenados primários, enquanto, para reincidentes, cairia de 85% para 70%. A derrubada do veto também beneficiaria condenados por atuação em organizações criminosas e milícias, com redução do tempo mínimo de cumprimento de pena de 75% para 50% em regime fechado”.
Isso significa que o nobre deputado está tentando convencer seus eleitores que o aumento de penas protege a sociedade, inibe a criminalidade, quando está mais do que provado que se trata de uma mentira.
Otoni escreve que “eles, que tanto falam em segurança pública e nos acusam de estar do lado do crime, mentem e tentam enganar o povo. Na hora da verdade, é que se vê quem beneficia a bandidagem. Se conseguirem, não será uma derrota de Lula, como querem fazer acreditar. Será uma derrota do país”.
O deputado quer mostrar para “eles” que não está do lado do crime. Eles quem? A direita. Otoni quer dar satisfações à direita.
Esse discurso nunca foi de esquerda. É, na verdade, a prova da decadência de uma esquerda que a cada dia só afasta o trabalhador, que vê nessa gente apenas parte do sistema que o oprime.





