A deputada estadual Beatriz Cerqueira protocolou denúncia contra o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, no Ministério Público estadual na quarta-feira (22). A parlamentar acusa o governador de ter cometido crime de racismo durante cerimônia oficial de entrega da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto na terça-feira (21). Simões teria dito ter “inveja branca” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao se referir à nomeação da primeira mulher para comandar a Polícia Militar paulista. A expressão é acusada de ter cunho racista por supostamente associar a cor branca a algo superior.
A representação argumenta que o alcance da suposta declaração racista seria potencializado por três fatores. O primeiro seria por ter ocorrido durante a entrega da maior honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais. O segundo por ter sido proferida na presença de diversas autoridades durante o ato solene. O terceiro seria por tratar-se de um evento de Estado, tendo a declaração sido registrada em vídeo e amplamente divulgada pelos veículos de comunicação, inclusive no canal oficial do Governo, supostamente atingindo milhões de cidadãos e consolidando o alegado dano social da expressão.
O documento pede também que o órgão analise a conduta através da Lei de Improbidade Administrativa, por suposta violação aos princípios da moralidade e legalidade. A deputada argumenta que Simões teria utilizado um evento oficial e recursos do Estado para propagar discurso supostamente incompatível com os valores constitucionais de igualdade.
O caso mostra que a deputada embarca em uma política de judicialização da política, que dá poder à mesma classe de magistrados que prendeu Lula e o manteve preso em 2018, abrindo caminho para a eleição fraudulenta de Bolsonaro, pois seu principal opositor estava preso ilegalmente. Nesse caso, a judicialização é ainda mais grave porque se vale de uma lei de censura e de perseguição por pensamento, que é a lei de racismo. Vale lembrar que essa é a lei de modelo para o projeto de lei do “antissemitismo” que quer proibir a defesa da Palestina no Brasil, proibindo manifestações de apoio ao povo palestino e caracterizando como crime a crítica ao Estado sionista.





