XII Congresso do PCO

Daniel Lemes: índios precisam da demarcação de suas terras

Liderança guarani-caiouá de Dourados destacou a luta contra os latifundiários e comparou a situação dos índios à da Palestina

Daniel Lemes, liderança guarani-caiouá de Dourados (MS) e pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo Partido da Causa Operária (PCO), participou do XII Congresso Nacional do Partido, realizado no Auditório Paraíso, em São Paulo. O Congresso recebeu o nome de Congresso Natália Pimenta, em homenagem à militante do Partido que faleceu em novembro de 2025.

Em entrevista ao Diário Causa Operária durante o Congresso, Lemes afirmou que o encontro mostrou um avanço em relação ao período anterior e destacou o crescimento da luta dos guarani-caiouás em Mato Grosso do Sul. Para ele, a atividade deu novo ânimo para a continuidade da luta.

“O que eu estou sentindo nessa linha de nosso movimento é que esse Congresso está avançando mais do que o último. Porque, pelos depoimentos das pessoas que falam, argumentam o avanço que temos hoje, que há quatro anos não tínhamos. Mas hoje temos esse avanço, principalmente na luta da comunidade guarani-caiouá, de Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Daniel Lemes disse que voltará do Congresso fortalecido. Segundo ele, a atividade ajudou a recuperar o fôlego de quem enfrenta diariamente a violência no campo e as dificuldades da luta pela terra.

“Então, hoje, deste Congresso, volto satisfeito. Em certo momento, a gente desanima um pouco, mas esse Congresso veio para que você ganhasse fôlego, para que você continue levando a luta”, declarou.

O militante do PCO também comentou a comparação feita pelo coletivo Terra Vermelha, formado por índios do Partido, entre a situação dos guarani-caiouás em Mato Grosso do Sul e a situação do povo palestino. Para Lemes, a semelhança está na desumanização imposta aos dois povos.

“Eu vejo que, em termos de guerra, não há essa semelhança, mas, em termos da desumanização, isso é semelhante. Porque todas as crianças, as mulheres que sofrem a política genocida lá sofrem também. Então há essa comparação. Não pode ser diretamente ataque através de mísseis, ataque através de arma, mas psicologicamente, se você colocar numa balança, é igual, tanto para o povo palestino, quanto para a comunidade que está lá na base”, disse.

Lemes destacou que, em Mato Grosso do Sul, a violência direta dos latifundiários continua. Segundo ele, os ataques contra as comunidades, as tentativas de expulsão das terras e os assassinatos seguem ocorrendo.

“Há muita violência direta dos latifundiários. A gente tem visto um aumento dos assassinatos, a tentativa de expulsão das terras. Inclusive, agora eu estou recebendo um vídeo de atropelamento. Lá no Taquaperi, teve aquele assassinato de uma vice-liderança, há um mês. Agora voltou, está tenso para lá. Então há essa violência, continua a violência no campo”, afirmou.

O pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul disse que a violência contra os guarani-caiouás é um fato permanente na região. Durante a entrevista, afirmou que havia recebido novas informações sobre um atropelamento e que ainda precisava confirmar quem havia sido atingido.

“É uma coisa que não dá para você dizer que não está acontecendo. Nesse momento, está acontecendo lá. Não sei exatamente quem é, se é liderança ou alguém, mas eu preciso ver agora quem são”, declarou.

Questionado sobre as principais reivindicações dos índios, Lemes afirmou que a questão central é a garantia dos territórios. Segundo ele, a demarcação das terras é condição para a sobrevivência, a dignidade e a vida das comunidades.

“É o que o companheiro Valderi falou, que acho que, dos dois lados, tanto do povo palestino quanto da comunidade e qualquer sociedade brasileira, é garantir os seus territórios para a sobrevivência, para viver com dignidade, com saúde, com paz, amor e alegria. Essa seria mais a reivindicação nossa: a demarcação de nosso território e a garantia de sobrevivência nesse território”, afirmou.

Daniel Lemes também defendeu que a permanência na terra deve permitir a produção de alimentos e a participação econômica das comunidades. Segundo ele, em uma sociedade capitalista, é necessário produzir tanto para a própria sobrevivência quanto para obter recursos para comprar aquilo que não é produzido localmente.

“Hoje nós temos que pensar em dois pontos, a partir da sua sobrevivência. Como foi dito aqui, no mundo capitalista, sem dinheiro, você não consegue sobreviver. Então essa produção de alimento teria que ser uma parte voltada para você sobreviver e outra parte para você usufruir dele para o seu benefício, em termos de vender e ter o seu dinheirinho para comprar outra coisa que não é produzida dentro da agricultura”, disse.

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