Daniel Lemes, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de Mato Grosso do Sul, concedeu duas entrevistas à imprensa estadual na segunda-feira (14). Ele participou da Roda de Entrevista do programa Balanço Geral e, em seguida, do programa Noticidade. Durante as conversas, falou sobre saúde, concursos públicos, salários, segurança e a luta dos índios pela terra, segundo informou o Diário Digital.
Ao tratar dos concursos públicos, Lemes defendeu a contratação de servidores efetivos para os municípios e destacou a falta de profissionais na saúde. Para o candidato, salários dignos e boas condições de trabalho são indispensáveis para levar médicos e outros profissionais ao interior.
“O médico tem família, ele tem sonhos de construir, por isso ele foi formado. Então, se hoje a gente não colocar isso no ponto para você investi-lo, para que atraia médico e qualquer profissional da área de saúde, a gente não consegue resolver a questão de saúde do Estado”, afirmou.
A saúde foi apresentada como uma das prioridades de um governo do PCO. Lemes propôs a regionalização do atendimento para diminuir a dependência dos moradores do interior em relação a Campo Grande e aliviar a sobrecarga dos hospitais da capital. A medida exigiria a ampliação da infraestrutura hospitalar e uma distribuição dos investimentos capaz de atender aos 79 municípios.
O candidato apresentou também as reivindicações trabalhistas defendidas pelo Partido: aumento emergencial de 50% nos salários, reposição integral das perdas, salário mínimo de R$7.500,00 e redução da jornada para 35 horas semanais, sem redução salarial.
Ao ser questionado sobre a origem dos recursos, criticou o desvio de dinheiro público, a corrupção, a má administração e os benefícios concedidos aos empresários. O dinheiro entregue aos capitalistas deve ser empregado nos serviços públicos e na remuneração dos trabalhadores, principalmente nas áreas de saúde e educação.
A situação dos índios ocupou parte importante das entrevistas. Daniel Lemes é guarani-caiuá, nasceu em Amambai e conhece diretamente as condições enfrentadas nas aldeias e retomadas de Mato Grosso do Sul. Ele lembrou que o artigo 231 da Constituição reconhece os direitos dos índios sobre as terras tradicionalmente ocupadas, mas a demarcação dessas áreas nunca foi concluída.
O estado é cenário constante de ataques de latifundiários e pistoleiros contra as retomadas. Enquanto os fazendeiros contam com a proteção do aparato estatal, os índios sofrem com a violência e a falta de atendimento público.
Lemes comparou as instituições públicas a um carro velho que só anda quando é empurrado. A comparação serviu para defender a mobilização dos índios como meio de obrigar o Estado a reconhecer suas reivindicações. Sem organização e luta, as necessidades das aldeias continuam ignoradas por governadores, parlamentares e prefeitos.
Sobre a segurança na fronteira, o candidato apontou a falta de investimentos específicos e cobrou melhores condições para os profissionais do setor. Para o PCO, porém, não basta aumentar os recursos destinados ao aparato policial. O combate à violência passa pela legalização de todas as drogas, retirando do crime organizado e da própria polícia o controle de um comércio bilionário, pela dissolução da Polícia Militar e pelo direito de organização e autodefesa da população.
Lemes também pediu o apoio dos trabalhadores, das mulheres, dos jovens, dos índios e dos setores perseguidos da população. Além do voto para sua candidatura ao governo, defendeu toda a chapa do PCO, encabeçada por Rui Costa Pimenta, candidato do Partido à Presidência da República.
No encerramento de uma das entrevistas, Daniel Lemes convidou a população para o ato de lançamento das candidaturas do PCO realizado em Dourados, com a presença de Rui Costa Pimenta, e pediu votos para os candidatos do Partido ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
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