Cerca de 541 mil estudantes palestinos começaram o novo ano letivo na Faixa de Gaza no sábado (19). Muitos voltaram para prédios parcialmente destruídos; outros passaram a estudar em tendas, sem carteiras, livros ou materiais básicos.
Mais de 85% dos prédios das escolas públicas estão fora de funcionamento, segundo o Ministério da Educação palestino em Gaza. Algumas instalações foram completamente destruídas, enquanto outras continuam abrigando famílias deslocadas.
Em Khan Iúnis, parte dos estudantes tem aulas em tendas e sentada no chão. A jornada, que antes da guerra chegava a aproximadamente seis horas por dia, em alguns casos caiu para três horas em dias alternados.
Moayed Abu Mustafa contou que não frequentava uma escola havia três anos. Apesar das condições, disse que pretende continuar estudando:
“Também perdemos nossos amigos, estamos aqui sozinhos. Não temos roupas boas, não temos nada, nem mesmo sapatos bons. […] Não temos cadernos nem lápis, nada relacionado à escola e, apesar de tudo isso, vamos aprender, vamos aprender mesmo em uma tenda.”
A guerra atingiu diretamente estudantes e professores. Segundo as autoridades educacionais do território, cerca de 22 mil alunos e mais de 770 trabalhadores da educação morreram, entre eles 532 professores.
Mesmo o caminho até a escola continua sendo motivo de medo. Uma mãe ouvida pela reportagem afirmou que teme que os filhos sejam atingidos durante o trajeto, pois os ataques ainda não cessaram por completo.





