O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, confirmou que os novos contratos de jogadores incluem uma cláusula que restringe manifestações sobre a política interna do clube.
Segundo o dirigente, a regra passou a ser adotada durante sua gestão para impedir o envolvimento dos atletas nas disputas entre os diferentes grupos que controlam a administração corintiana.
O tema ganhou importância depois de episódios em que jogadores se posicionaram publicamente. No fim de 2024, integrantes do elenco divulgaram uma manifestação de apoio ao então presidente Augusto Melo.
Memphis Depay também criticou dirigentes após a conquista da Copa do Brasil de 2025. Mais recentemente, o jogador foi multado depois de divulgar um vídeo em que o Parque São Jorge aparecia em chamas.
Stabile sustenta que os atletas devem se dedicar ao futebol. Ao mesmo tempo, declarou que eles continuam livres para se pronunciar sobre a política nacional e chegou a mencionar a Democracia Corintiana.
A posição cria uma situação peculiar: o jogador poderia discutir o governo do País, mas não os acontecimentos dentro do próprio local onde trabalha.
Os atletas são trabalhadores contratados pelo Corinthians e estão diretamente submetidos às decisões administrativas que a nova cláusula procura retirar do debate público. A direção transforma o contrato de trabalho em instrumento para impedir críticas às pessoas que comandam a instituição.
A contradição é ainda maior num clube marcado historicamente pela Democracia Corintiana, quando Sócrates, Wladimir, Casagrande e outros jogadores intervieram não apenas na política nacional, mas também no funcionamento interno da equipe.





