O Partido da Causa Operária mais que dobrou sua votação para governador entre as eleições de 2022 e 2026. Considerando os votos registrados nos boletins de urna em São Paulo, o PCO passou de 20.025 para 46.073 votos para os governos estaduais. Foram 26.048 votos a mais, um crescimento de 130,08% em quatro anos.
O dado que mais chama a atenção é São Paulo. Em 2022, Edson Dorta, candidato do PCO ao governo paulista, recebeu 5.305 votos. Em 2026, segundo levantamento do DataDCO a partir dos boletins de urna, Izadora Dias recebeu 22.369 votos. São 17.064 votos a mais, um crescimento de 321,66%. A votação do Partido no maior colégio eleitoral do País ficou mais de quatro vezes maior.
São Paulo, sozinho, responde por aproximadamente 65,5% de todo o crescimento do PCO nas disputas para governador entre as duas eleições. Outro número dá a dimensão do resultado: os 22.369 votos de Izadora correspondem a quase metade dos 46.073 votos obtidos pelas candidaturas do PCO aos governos em todo o País. Fora de São Paulo, todas as demais candidaturas juntas receberam 23.704 votos.
A votação de Izadora não aparece da mesma maneira na apresentação convencional dos resultados eleitorais porque sua candidatura foi indeferida. A ficha eleitoral da candidata registra a situação como “indeferido”. Segundo as regras do próprio TSE, os votos dados a uma candidatura com registro indeferido sob recurso são classificados como “anulados sub judice” e podem voltar a ser considerados válidos caso a decisão seja revertida.
Isso, porém, não significa que os votos não tenham sido depositados nas urnas. O próprio TSE determina que cada boletim de urna contenha a votação individual de cada candidata e candidato. O BU é produzido em cada seção eleitoral ao fim da votação e registra quantos votos foram dados a cada número. Foi a partir desses registros que o DataDCO chegou aos 22.369 votos de Izadora.
O caso paulista, portanto, modifica radicalmente o balanço eleitoral do Partido. Sem São Paulo, como na primeira versão deste levantamento, o PCO havia passado de 14.720 votos em 2022 para 23.704 em 2026, crescimento de 61,03%. Incluídos os votos efetivamente registrados nas urnas paulistas nos dois pleitos, a comparação passa a ser de 20.025 contra 46.073 votos, e o crescimento sobe para 130,08%.
O resultado de Izadora é ainda mais significativo diante das condições em que sua campanha ocorreu. A candidata apareceu em pesquisas durante a reta final: levantamento Veritá divulgado em setembro lhe atribuía 0,4% dos votos válidos, enquanto uma pesquisa Paraná Pesquisas a colocava em 0,9% e uma Quaest havia registrado 1%. Mesmo assim, sua candidatura enfrentou problemas de exposição e, posteriormente, a situação jurídica que fez com que sua votação não aparecesse normalmente na totalização pública.
A campanha de Izadora também se tornou um dos principais pontos de choque entre o PCO e setores da esquerda ligados à política identitária. Depois de um debate realizado na Faculdade de Saúde Pública da USP, estudantes interromperam a atividade após uma resposta da candidata sobre o sistema prisional. A Folha de S.Paulo publicou o episódio sob o título de que a candidata havia “causado tumulto”, embora a própria reportagem relatasse a reação e a interrupção promovida por estudantes.
Mesmo submetida a essas condições, a candidatura passou dos 5.305 votos obtidos pelo Partido quatro anos antes para 22.369. Mais que uma variação estatística pequena, trata-se de uma multiplicação por 4,22 da votação do PCO para governador em São Paulo.
O crescimento ocorreu durante uma campanha de alcance nacional. O PCO apresentou candidaturas próprias ao governo em 19 unidades da Federação, 18 estados e o Distrito Federal. O Partido anunciou 156 candidaturas no total e 19 chapas para os governos estaduais. Levantamento do DataDCO apontou que foi o maior número de candidaturas a governador entre os partidos: a UP apresentou 17; o PSTU, 15; PL e PSD, 13 cada; e o PT, 12.
A composição das chapas expressou também a orientação adotada pelo Partido. Entre seus candidatos estavam trabalhadores da construção civil, professores, servidores, pequenos agricultores e militantes de movimentos populares. Bruno Pedreiro, candidato em Santa Catarina, fez campanha apresentando-se como trabalhador da construção civil. Jairo Palheta, no Amapá, veio da agricultura familiar e da luta pela terra e pela moradia. Em São Paulo, Izadora Dias, estudante de Letras da USP e militante do PCO desde 2018, encabeçou a chapa estadual.
A disputa ocorreu ainda em condições de enorme desigualdade financeira. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha de 2026 chegou a R$ 4.961.519.777, distribuídos entre os partidos segundo os critérios estabelecidos na legislação. Partidos com grandes bancadas receberam parcelas muito superiores às destinadas às pequenas legendas.
Durante a campanha, Rui Costa Pimenta denunciou ainda a demora na liberação dos recursos destinados ao PCO. Segundo ele, Nunes Marques havia autorizado o repasse, mas o dinheiro continuava preso aos procedimentos do tribunal. Pimenta relacionou o problema a dificuldades semelhantes ocorridas em eleições anteriores. Para um partido que depende fundamentalmente da militância e da distribuição direta de material, semanas perdidas durante a campanha têm peso particularmente grande.
O bloqueio eleitoral não se limitou aos recursos. Candidatos do PCO ficaram de fora de pesquisas e debates ao longo da campanha. Em agosto, o Diário Causa Operária denunciou que uma rodada da Quaest não apresentou Rui Costa Pimenta no cenário presidencial nem candidatos do Partido para governos como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia. Entre os nomes ausentes estava justamente Izadora Dias.
Também ocorreram episódios dentro das universidades. Bruno Pedreiro denunciou que não havia sido convidado para um debate promovido pelo DCE da Universidade Federal de Santa Catarina e afirmou ter descoberto a realização da atividade por meio de um estudante. Na Universidade de Brasília, Expedito Mendonça enfrentou vaias, xingamentos e interrupções durante uma discussão sobre cotas. Na USP, o episódio envolvendo Izadora tornou-se o caso de maior repercussão.
Diante desse quadro, o PCO concentrou grande parte da campanha na atividade direta de rua. Militantes realizaram panfletagens em bairros populares, universidades, estações, terminais, centros comerciais e locais de trabalho. Rui Costa Pimenta afirmou que o plano nacional era distribuir cerca de 10 milhões de panfletos, apresentando a campanha de rua como alternativa à pequena exposição do Partido nos grandes meios de comunicação.
No dia 27 de setembro, mais de 2 mil pessoas participaram do ato nacional de encerramento da campanha em São Paulo. Delegações de vários estados concentraram-se na Praça Oswaldo Cruz e marcharam até o Bixiga. Participaram operários, jovens, índios e militantes de movimentos populares de diferentes regiões do País.





