Escola Marxista

Por que estudar o Manifesto Comunista nos dia de hoje? Aprenda com Rui Pimenta

Presidente do PCO dará aula em São Paulo, neste sábado (31), sobre o texto em que Trótski confrontou o programa de Marx e Engels com 90 anos de luta de classes

Rui Costa Pimenta ministrará neste sábado, 31 de outubro, uma aula da Escola Marxista do Partido da Causa Operária (PCO) em São Paulo. O curso parte de A atualidade do Manifesto Comunista, de Leon Trótski, para discutir uma pergunta que não se resolve com a simples leitura de um clássico: como a classe operária pode reconhecer seus próprios interesses e organizar-se para defendê-los?

Trótski escreveu o texto em 30 de outubro de 1937, como prefácio a uma edição do Manifesto do Partido Comunista publicada por marxistas na África do Sul. Faltavam dez anos para o centenário da obra de Karl Marx e Friedrich Engels. Entre 1848 e aquele prefácio, os trabalhadores haviam feito a Comuna de Paris e a Revolução Russa; o capitalismo havia passado pela Primeira Guerra Mundial, pela crise de 1929 e pela ascensão do fascismo. Trótski examinou o que esses acontecimentos confirmaram e quais questões exigiam novos desenvolvimentos.

O Manifesto começa pela luta de classes. A riqueza produzida pelos trabalhadores fica nas mãos dos proprietários; o Estado protege essa propriedade; e os trabalhadores precisam de organização política própria para enfrentar a burguesia. Trótski retomou essas afirmações diante da concentração do capital, das crises econômicas e da exploração operária. Também combateu as correntes que, falando em nome do socialismo, propunham a conciliação entre classes de interesses opostos.

O revolucionário russo não tratou cada frase escrita em 1848 como uma previsão intocável. “O pensamento revolucionário nada tem em comum com a idolatria”, afirmou. Algumas passagens do Manifesto haviam envelhecido; outras precisavam ser completadas pela experiência da Comuna, da revolução de 1917 e das lutas nos países dominados pelo imperialismo. Abandonar o método de Marx por causa disso seria, justamente, deixar de compreender por que o livro continuava necessário.

A discussão tem consequências para a política brasileira. Quando uma organização operária é chamada a deixar suas reivindicações para depois e a confiar sua defesa a uma aliança com grandes empresários, surge a questão que percorre o texto de Trótski: quem dirige essa aliança e quais interesses prevalecem quando é preciso tomar uma decisão? A Escola Marxista propõe estudar o Manifesto para que trabalhadores e militantes possam responder a essa pergunta com uma política independente, em vez de se orientarem pelas necessidades eleitorais dos partidos burgueses.

O curso também abordará aquilo que Marx e Engels não puderam desenvolver plenamente em 1848. Trótski discute o domínio dos monopólios e do capital financeiro, a relação entre a revolução socialista e a luta dos povos coloniais pela independência e o papel de um partido revolucionário. São problemas de estratégia: dizem respeito a como os trabalhadores lutam, com quem se aliam e por que não podem entregar a direção de sua luta à burguesia.

Em São Paulo, essa discussão será conduzida por um dirigente que iniciou sua militância em 1976, durante a ditadura militar. Rui participou do movimento estudantil, da fundação do PT e das lutas sindicais da década de 1980. Integra a Causa Operária desde seus primeiros anos e trabalha em sua imprensa desde 1979. Sua aula reúne quase 50 anos de atividade política e o estudo do marxismo a partir dos problemas enfrentados pelos trabalhadores no Brasil.

A atividade ocorrerá no Centro Cultural Benjamin Péret, no centro de São Paulo, após a Análise Política da Semana. A sexta edição da Escola Marxista já realizou aulas em Salvador, Dourados, Curitiba, Recife e Valparaíso; a programação prosseguirá em outras cidades. Informações sobre o horário e as inscrições estão disponíveis pelo telefone (11) 98307-8783.

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