Em 1951, Mohamed Mossadeq assumiu como primeiro-ministro do Irã apoiado por um crescente movimento nacionalista em torno da questão do petróleo. A riqueza fundamental do país estava sob controle da Anglo-Iranian Oil Company (AIOC), hoje conhecida como British Petroleum (BP). O governo Mossadeq nacionalizou a indústria, unificando em torno dessa medida nacionalistas da Frente Nacional, comunistas do partido Tudeh e clérigos xiitas. Dois anos depois, uma operação conjunta da CIA e do MI6 britânico derrubaria esse governo e instalaria a ditadura do Xá Mohamed Reza Pahlavi.
A Universidade Marxista realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). O golpe de 1953 e a instauração da ditadura do Xá são alguns dos grandes destaques do curso, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.
O caráter colonial da exploração britânica sobre o petróleo iraniano fica evidente em uma declaração do próprio Mossadeq durante a disputa diplomática que se seguiu à nacionalização: “para dar uma ideia dos lucros do Irã com esse enorme setor, posso dizer que, em 1948, de acordo com as contas da antiga Anglo-Iranian [Oil] Company, a receita líquida da empresa foi de 61 milhões de libras esterlinas, mas o Irã recebeu, desses lucros, apenas 9 milhões de libras, enquanto 28 milhões de libras entraram no tesouro do Reino Unido apenas como imposto sobre lucros”.
A primeira tentativa de golpe
Naquele mesmo ano de 1951, o Reino Unido impôs sanções ao Irã. O primeiro-ministro travava simultaneamente uma batalha interna contra o Xá Mohamed Reza Pahlavi, que o levou a renunciar. Foi substituído por um novo primeiro-ministro indicado pelo Xá, o qual desatou um levante popular duramente reprimido. Após seis dias, o substituto foi obrigado a renunciar, e o Xá foi forçado a indicar Mossadeq novamente ao cargo.
A primeira manobra havia fracassado, mas o imperialismo não desistiu. Era inadmissível para os EUA e a Inglaterra que o petróleo iraniano permanecesse nas mãos do povo do Irã. A operação golpista definitiva seria desatada em 1953.
A operação da CIA e do MI6
O plano da CIA e do MI6 mirava criar um racha entre as forças que sustentavam Mossadeq. Houve tentativas de comprar os clérigos xiitas. Mais grave: agentes da oposição foram infiltrados nas mobilizações de apoio ao governo. Esses infiltrados atacaram mesquitas, emitiram propaganda falsa e fizeram ameaças contra líderes xiitas em nome do partido Tudeh, com o objetivo deliberado de pintar o movimento e o governo Mossadeq como um avanço comunista antirreligioso. A manobra foi executada conjuntamente com a imprensa local, que reproduziu a propaganda.
O ápice da operação veio com a mobilização de tanques pelo setor monarquista das forças armadas. Os tanques realizaram um assalto contra a residência do primeiro-ministro. Mossadeq renunciou em nome do premiê indicado pelo Xá. O embargo britânico foi imediatamente encerrado. O auxílio econômico norte-americano começou a entrar nos cofres do governo, agora liderado pelo general fascista Fazlollah Zahedi, apontado primeiro-ministro pelo Xá. Mais poderes foram concentrados nas mãos do próprio Xá Mohamed Reza Pahlavi.
O caráter do regime instalado
O regime nascido do golpe de 1953 era, por sua origem, uma ditadura a serviço do imperialismo. Sua função era suprimir os direitos do povo iraniano com mão de ferro. Não há nada de democrático em um governo instalado por uma operação clandestina conjunta da CIA e do MI6, em meio a uma campanha de infiltração de movimentos populares, ataques a mesquitas e o uso de tanques contra um primeiro-ministro eleito.
O objetivo do imperialismo era duplo. Por um lado, garantir o controle econômico sobre o petróleo do Irã, o que foi imediatamente assegurado com a transformação da AIOC em British Petroleum e a participação de outras petroleiras imperialistas na concessão iraniana. Por outro, garantir o controle político sobre uma fronteira estratégica com a União Soviética, que à época incorporava o Azerbaijão, ao norte do Irã.
A propaganda atual e a verdade
A tentativa atual de pintar o regime do Xá como uma “democracia cosmopolita” entra em contradição com sua própria origem. Um governo instalado por um golpe orquestrado pela CIA e pelo MI6, contra um primeiro-ministro que havia nacionalizado o petróleo em nome do povo iraniano, não pode em nenhuma hipótese ser apresentado como democrático. Tudo o que viria depois — a SAVAK, as torturas, os assassinatos políticos, o partido único — foi consequência dessa origem.
A Revolução Iraniana de 1979 foi, antes de tudo, a vingança histórica do povo iraniano contra o golpe de 1953. Foi a retomada do petróleo nas mãos do povo do Irã, 26 anos depois de ele ter sido roubado pelo imperialismo. Compreender o golpe de 1953 é compreender por que a República Islâmica continua sendo, ainda hoje, o principal alvo do imperialismo no Oriente Próximo.
O curso A história do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.






