Europa

Coletivo denuncia política sionista do Partido Comunista da Áustria

Iniciativa Palestina Solidarität relata censura a militantes pró-Palestina e expulsão de ativista durante festival organizado pelo KPÖ em Viena

A Iniciativa Palestina Solidarität publicou uma denúncia contra a direção do Partido Comunista da Áustria (KPÖ) e a Associação Austríaca de Ex-Prisioneiros de Campos de Concentração após episódios ocorridos no Festival Volksstimme, realizado nos dias 5 e 6 de setembro, no Prater, em Viena.

De acordo com a organização, militantes que faziam campanha contra a partida de futebol entre Áustria e “Israel”, prevista para 24 de setembro, em Linz, foram impedidos de distribuir panfletos livremente no festival. As ativistas Renate Bursik e Elisabeth Lindner receberam ordem para interromper a distribuição do material.

Wilhelm Langthaler, também ligado ao movimento de solidariedade ao povo palestino, foi expulso de um espaço administrado pela Associação dos Ex-Prisioneiros de Campos de Concentração. Um militante informou que Langthaler não era bem-vindo por “razões conhecidas”. O grupo que o acompanhava deixou o local em protesto.

A denúncia situa os episódios numa política mantida há anos pela direção do KPÖ em relação à Palestina. Também recorda o afastamento de Ernst Wolrab da secretaria federal da Associação dos Ex-Prisioneiros depois que ele se pronunciou contra o genocídio em Gaza.

Segue a carta na íntegra:

O sionismo cotidiano da Associação dos Ex-Prisioneiros de Campos de Concentração e do Partido Comunista da Áustria (KPÖ)

A exclusão de ativistas pró-Palestina do Festival Volksstimme não deve passar em branco

No fim de semana de 5 e 6 de setembro de 2026, aconteceu no Prater, em Viena, o tradicional Festival Volksstimme, organizado pelo KPÖ (Kommunistische Partei Österreichs — Partido Comunista da Áustria). Nas últimas décadas, a solidariedade com a Palestina sempre encontrou dificuldades nesse evento. Isso porque o KPÖ adotou e continua adotando uma posição fundamentalmente pró-sionista.

Desde o genocídio em curso em Gaza, porém, o partido já não consegue isolar as posições políticas pró-palestinas nem mantê-las afastadas do Festival Volksstimme. Mesmo dentro de suas próprias fileiras, cresce a oposição.

Por isso, neste ano os organizadores impuseram uma proibição sem precedentes à distribuição de panfletos, permitindo-a apenas aos responsáveis pelos estandes e somente em seus próprios espaços.

Aplicando essa restrição, as antigas ativistas da Solidariedade com a Palestina Renate Bursik e Elisabeth Lindner foram intimadas a interromper a distribuição de um panfleto contra o jogo de futebol Áustria x “Israel”, marcado para 24 de setembro, em Linz. Elas, entretanto, não deixaram de se manifestar contra o apartheid.

A Associação dos Ex-Prisioneiros de Campos de Concentração foi ainda mais longe. Sob sua responsabilidade encontra-se também o “Antifa-Café”, ao qual se atribui uma relação próxima com o “KSV-Lili” (Kommunistische Studierendenverband – Linke Liste — União Comunista de Estudantes – Lista de Esquerda).

Ativistas da Solidariedade com a Palestina compraram café no estande da associação e pretendiam sentar-se em um banco no local. Um militante não identificado desse agrupamento comunicou a Wilhelm Langthaler que ele não era bem-vindo ali por “razões conhecidas” [presumivelmente, sua solidariedade com a resistência do povo palestino contra o genocídio sionista] e que deveria sair imediatamente.

Todo o grupo deixou o local em protesto, ressaltando que se tratava de métodos próprios de regimes autoritários. Alguns anos atrás, já havia ocorrido um episódio semelhante.

O mecanismo por trás disso é o seguinte: quem não compartilha das posições da esquerda liberal tende a ser considerado fascista e, na melhor das hipóteses, deve ser isolado. Na pior, ameaça-se o extermínio, como em Gaza. O objetivo é impedir o debate e a discussão política.

Vale lembrar que o antigo secretário federal da Associação dos Ex-Prisioneiros de Campos de Concentração, Ernst Wolrab, foi afastado de suas funções porque se manifestou contra o genocídio do povo palestino. Hoje, é um destacado ativista da solidariedade com a Palestina.

Na cerimônia de libertação realizada em Mauthausen, o presidente da Associação Italiana de Ex-Prisioneiros de Campos de Concentração (ANED), Dario Venegoni, condenou a ação de “Israel” contra Gaza como um “crime contra a humanidade”.

A Associação Austríaca de Ex-Prisioneiros de Campos de Concentração, entretanto, mantém seu apoio ao sionismo e, com isso, pisoteia o Juramento de Mauthausen dos antigos prisioneiros libertados, que prometeram lutar contra todas as formas de imperialismo.

Iniciativa Palestina Solidarität

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