Os coletes amarelos convocaram uma jornada nacional de protestos na França para sábado (17/10), com cerca de mil ações anunciadas contra a alta do custo de vida. Estudantes secundaristas e universitários, mobilizados há semanas, pretendem participar dos atos. A aproximação reúne trabalhadores atingidos pelos preços e jovens que lutam por melhores condições de ensino e contra a plataforma de ingresso no ensino superior Parcoursup.
Dezenas de escolas e universidades continuavam bloqueadas nesta sexta-feira (16/10). Desde setembro, secundaristas e universitários protestam por recursos para o ensino e contra o Parcoursup, sistema de acesso ao ensino superior. A entrada dos coletes amarelos leva a essas ruas a luta contra a carestia que marcou suas manifestações desde 2018.
As próprias autoridades francesas estimam entre 70 mil e 140 mil participantes. O governo espera aproximadamente 250 manifestações e 80 cortejos autorizados, além de concentrações e bloqueios que poderão ocorrer fora desse calendário. Paris deverá receber um dos maiores atos, com concentração prevista para a Praça da República.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, autorizou novamente o uso de granadas de efeito moral em situações que classificou como de “violência urbana extremamente grave”. O armamento havia sido suspenso depois que um estudante de 15 anos teve a mão arrancada numa manifestação em Lens. O ministro anunciou a decisão às vésperas do novo protesto nacional.
O Diário Causa Operária já relatou outras mutilações sofridas por estudantes durante a repressão recente, além de detenções em massa. Participantes dos coletes amarelos conhecem esse método. Jérôme Rodrigues, que perdeu um olho atingido pela polícia durante a mobilização de 2019, manifestou solidariedade aos jovens e anunciou a intenção de comparecer ao ato de sábado.
O governo se refere aos atos estudantis como violência urbana enquanto prepara o retorno das granadas que mutilaram um manifestante. As organizações juvenis responderam ao chamado de sábado e mantiveram bloqueios em escolas e universidades na véspera da marcha.
Jérôme Rodrigues, que perdeu um olho durante os protestos dos coletes amarelos, declarou ao jornal L’Humanité que pretende participar do ato de 17/10. Disse que gostaria de transmitir sua experiência aos jovens: “Esses jovens lutam pelo seu futuro, pensam no longo prazo”.





