O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Rio Grande do Sul, César Pontes, participou nesta quinta-feira (13) de entrevista à Rádio Caxias, que abriu uma série de conversas da emissora com os candidatos ao Palácio Piratini. Durante o programa, Pontes apresentou o programa do Partido, defendeu a participação direta dos trabalhadores nas decisões políticas e afirmou que os principais problemas do Estado não serão solucionados apenas por meio das eleições.
Professor aposentado, de 69 anos, Pontes é natural de Porto Alegre e ingressou no PCO em 2022, durante as mobilizações em defesa da candidatura de Lula. Naquele mesmo ano, foi candidato ao governo gaúcho. Em 2024, concorreu à Prefeitura de Porto Alegre, quando defendeu a formação de conselhos populares, o cancelamento da dívida pública e a estatização do transporte coletivo.
Ao ser questionado sobre a principal bandeira de sua candidatura, Pontes voltou a defender a organização de conselhos populares e o controle dos serviços públicos pelos trabalhadores. Para ele, o regime político brasileiro está submetido ao poder econômico e à ingerência do imperialismo norte-americano, afastando a maioria da população das decisões do Estado.
“Nosso programa é uma alternativa e nós diríamos a única alternativa que pode trazer mudanças significativas no que diz respeito ao funcionamento do nosso regime democrático”, afirmou.
Pontes apontou ainda a dívida pública como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul. A deterioração dos serviços públicos, afirmou, não é recente, mas resultado de uma política aplicada há décadas, que subordina os recursos do Estado aos interesses financeiros.
“Nós achamos que neste momento o mais importante não é fazer promessas, porque não há como cumprir essas promessas de uma maneira satisfatória se não houver uma participação da população na gestão pública. Então, nós consideramos que agora o mais importante é que haja a politização da sociedade e, de maneira especial, a politização dos trabalhadores”, declarou.
Questionado sobre a Serra Gaúcha e as reivindicações por investimentos em infraestrutura, Pontes destacou que o problema fundamental está no controle do orçamento público. Os grandes capitalistas, afirmou, apresentam seus próprios interesses como se fossem os de toda a população, enquanto os trabalhadores permanecem afastados das decisões.
“Nós enxergamos a eleição não como um fim, mas como um meio. As eleições, em momento algum, são responsáveis por mudanças. O que existe é uma pirotecnia que apresenta as eleições como a solução dos problemas, e isso não ocorre”, disse.
Pontes afirmou que cidades economicamente importantes, como Caxias do Sul, só poderão ter as necessidades da maioria atendidas com a participação direta dos trabalhadores na definição dos projetos públicos.
“O andar de cima é que determina o que será feito do orçamento público. E a interferência do poder econômico na política é gigantesca. No modelo neoliberal que nós vivemos, não há nenhuma possibilidade de mudanças substanciais sem que haja essa consciência da população de que somente uma revolução pode transformar a sociedade de forma radical”, afirmou.
As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 também foram abordadas. Pontes declarou que a tragédia expôs a política dos governos para os serviços públicos e criticou a falta de responsabilização dos responsáveis pela ausência de medidas de prevenção.
Na sequência, denunciou o domínio dos bancos e das grandes empresas sobre os governos e afirmou que a burguesia brasileira está submetida aos interesses do imperialismo. Pontes destacou o peso da dívida pública e do sistema financeiro sobre o orçamento, retirando recursos que poderiam ser destinados aos serviços públicos e às necessidades dos trabalhadores.
Ao ser questionado sobre a função de uma candidatura que não apresenta as eleições como solução para os problemas da população, Pontes afirmou que o PCO utiliza a campanha eleitoral como instrumento de politização e organização dos trabalhadores.
“A política vem sendo demonizada há muito tempo, e os nossos políticos profissionais, os grandes partidos, acabam justificando essa demonização da política, porque a política vem acontecendo assim. E nós não queremos que aconteça isso, nós queremos que a população participe diretamente. Se não houver isso, esse sistema representativo nunca vai nos representar”, afirmou.
Nos minutos finais, Pontes explicou que a participação eleitoral do PCO está ligada ao programa revolucionário defendido pelo Partido. Recordou que a Causa Operária surgiu como tendência dentro do Partido dos Trabalhadores e foi expulsa do PT no início dos anos 1990 em razão de suas divergências com a direção partidária.
“A revolução só pode acontecer a partir do apoio das grandes massas a um projeto alternativo, que é o que nós oferecemos. Esse é um trabalho lento, difícil. Nós temos que conquistar primeiro as mentes e os corações, fazer com que as pessoas percebam que não há alternativa fora da politização e da participação de todos na decisão dos problemas públicos”, declarou.
Pontes encerrou a entrevista afirmando que o PCO é “um partido que tem um programa de luta em defesa dos trabalhadores e da revolução”.





