O Centro de Estudos da Ideia Juche – Brasil (CEIJ) divulgou, nessa quinta-feira (13), uma nota de solidariedade a Rui Costa Pimenta e ao Partido da Causa Operária (PCO) em razão da operação realizada pela Polícia Filial na terça-feira (11). Para a entidade, a ação foi um “ato de vingança” contra o partido.
Agentes da PF chegaram à residência de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e candidato do partido à Presidência da República, por volta das 6 horas. O portão foi arrombado e os policiais entraram armados no imóvel. A operação ocorreu apenas três dias depois do lançamento nacional das candidaturas do PCO. Pimenta afirmou posteriormente que os agentes não encontraram dinheiro, joias ou qualquer patrimônio que pudesse sustentar a suspeita de enriquecimento decorrente de um suposto desvio.
A investigação envolve pagamentos realizados pelo PCO por serviços prestados ao partido ao longo de cinco anos. Não há qualquer irregularidade e os trabalhos foram realizados e declarados à Justiça Eleitoral. Pimenta também afirmou que sequer havia sido ouvido no inquérito antes da busca e apreensão, destacando o caráter suspeito de uma ação dessa natureza justamente no início da campanha eleitoral.
‘Ato de vingança’
Na nota, o CEIJ relacionou diretamente a perseguição às posições políticas assumidas pelo PCO diante das agressões imperialistas em diferentes regiões do mundo. “Enviamos a vocês os nossos sinceros votos de solidariedade diante da recente ação criminosa da Polícia Federal”, inicia a nota. Ela continua:
“Consideramos que a ação da Polícia Federal carece completamente de legitimidade, sendo, na verdade, um ato de vingança do aparato estatal burguês-latifundiário, profundamente controlado pelo imperialismo e pelo sionismo, contra o partido e contra Rui Costa Pimenta.”
O Centro destacou, em particular, as posições do PCO sobre a guerra da OTAN contra a Rússia, o genocídio do povo palestino, a luta das organizações da Resistência contra a ocupação sionista e a atuação do imperialismo na América Latina e na Ásia.
“Rui Costa Pimenta e o Partido da Causa Operária vêm desempenhando um importante papel de solidariedade internacional à luta dos povos em defesa de sua soberania e independência. As posições do partido em relação à guerra da OTAN contra a Rússia e ao genocídio do povo palestino, sua defesa da luta heroica das organizações que lideram a resistência nacional contra a ocupação sionista, bem como sua firme denúncia do papel do imperialismo na América Latina e na Ásia, tem rendido ao partido uma série de acusações e campanhas de perseguição promovidas por forças políticas ligadas ao imperialismo norte-americano e ao sionismo.”
Ao final, a entidade enviou “saudações fraternas” ao PCO diante dos “desmandos e ataques promovidos pelo Estado reacionário brasileiro e por seus agentes”.
Leandro Fortes: operação deveria ser investigada
O jornalista Leandro Fortes também repudiou a ação da PF. Para ele, não há crime na contratação de serviços prestados por militantes do próprio partido.
“Brasil da hipocrisia infinita e do vício autoritário contra comunistas e críticos do capitalismo: o PCO não cometeu crime algum ao contratar serviços de militantes. Essa operação da PF é vergonhosa e deveria, ela sim, ser investigada.”
Fortes avaliou ainda que a ação pode produzir efeito contrário ao pretendido e ampliar a visibilidade da candidatura do PCO. “A Polícia Federal deu um gás na campanha do PCO. Tô achando que vou de Rui Costa Pimenta, no primeiro turno”, escreveu.
No dia da operação, o jornalista recebeu Pimenta no canal Galo Preto e comparou os métodos empregados pela PF aos utilizados durante a Lava Jato, mencionando as buscas realizadas ao amanhecer, com arrombamentos e ampla repercussão na imprensa.
‘O sistema tenta calar Rui’
O Movimento Social-Nacionalista e a Editora Sincretismo também divulgaram uma declaração em defesa de Pimenta.
“Rui Costa Pimenta é um dos poucos representantes da esquerda que ainda lutam pelos trabalhadores brasileiros e contra o lobby sionista. Teve sua humilde residência invadida às 6 horas da manhã por agentes da Polícia Federal, que arrombaram o portão e as portas. Acusações infundadas foram feitas contra o jornalista, sob a alegação de que ele estaria desviando verbas. Tal acusação carece de base factual. Fica evidente que o sistema tenta calar Rui e o seu partido.”
Em entrevista à TV 247, Pimenta relatou que um dos próprios policiais comentou a simplicidade de sua residência, em contraste com o que costuma ser encontrado em investigações sobre enriquecimento ilícito. A PF apreendeu seu telefone, mas, segundo o dirigente, não encontrou qualquer bem que pudesse indicar desvio de recursos em benefício pessoal.
Outros apoios
A operação também provocou manifestações de outros setores da esquerda e da imprensa independente. Leonardo Attuch declarou, durante o programa da TV 247, o apoio dele, da equipe do canal e da Comunidade 247 a Pimenta diante do que chamou de “violência inominável”.
José Rainha, dirigente da Frente Nacional de Lutas (FNL), também se pronunciou imediatamente. Ele afirmou que “só quem passou por isso sabe como é”, em referência à própria experiência de perseguição policial e judicial.
Breno Altman, editor do Opera Mundi, foi outro a prestar apoio ao dirigente do PCO. Pimenta citou a manifestação durante entrevista à TV 247 ao comentar a reação de diferentes personalidades e organizações à operação.
As manifestações ocorrem em meio à denúncia do PCO de que a ação teve objetivo político e eleitoral. Além de ter sido realizada poucos dias depois do lançamento da chapa presidencial do partido, a busca ocorreu sem que Pimenta tivesse sido previamente chamado a depor no inquérito. Para o partido, o aparato montado pela PF não corresponde à natureza das acusações apresentadas e funcionou, sobretudo, como uma operação de intimidação e desgaste público.




