O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Paraná, Adriano Teixeira, o Adriano Funileiro, participou de entrevista à CBN para apresentar as propostas do Partido nas eleições de 2026. Mecânico funileiro, formado em História e candidato ao governo pela segunda vez, Adriano afirmou que sua campanha tem como objetivo levar o programa do PCO aos trabalhadores paranaenses.
Ao tratar da segurança pública, Adriano defendeu a dissolução da Polícia Militar e a organização da própria população para cuidar da segurança nos bairros. Segundo ele, a PM funciona como uma força separada dos trabalhadores e protagoniza operações marcadas por invasões de casas, agressões e mortes nas periferias.
A proposta do PCO é substituir esse aparato por organismos submetidos ao controle direto da população, com responsáveis escolhidos pelos moradores e que possam ser afastados por eles. O programa da candidatura do PCO também apresenta a dissolução da PM e a formação de comitês de autodefesa nos bairros.
Questionado sobre a estrutura do Estado, o candidato rejeitou a política de corte de servidores. Para Adriano, o problema do serviço público paranaense é justamente a falta de trabalhadores, agravada pelas terceirizações, pelos baixos salários e pelas formas precárias de contratação.
Ele defendeu a realização de concursos públicos e o aumento do número de servidores para atender às necessidades da população.
Na educação, Adriano se colocou contra as escolas cívico-militares. Em sua avaliação, as escolas precisam de professores, estrutura e recursos, não de militares. Também criticou a piora nas condições de trabalho dos trabalhadores contratados pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS), a falta de profissionais e as más condições de funcionamento da rede pública.
O candidato defendeu ainda o fim do vestibular e a ampliação do ensino superior público. Para o PCO, não faz sentido manter um sistema que exclui estudantes enquanto faltam universidades, professores e vagas.
Na saúde, Adriano criticou o sucateamento da rede pública e defendeu o aumento dos investimentos. Ao comentar a baixa adesão às campanhas de vacinação, afirmou que o governo deveria realizar campanhas amplas, com divulgação nas ruas, no rádio e na televisão, além de garantir profissionais e postos em condições de atender a população.
Para Adriano, a deterioração da saúde e da educação está ligada à política de privatizações e terceirizações do governo Ratinho Júnior. Os serviços são precarizados enquanto setores privados avançam sobre áreas que deveriam permanecer sob responsabilidade do Estado.
O programa nacional do PCO para 2026 também coloca entre suas propostas o aumento das verbas para saúde e educação, a ampliação dos hospitais e postos públicos e o fim do vestibular.
Pedágio zero
Outro ponto importante da entrevista foi a situação das rodovias paranaenses.
Adriano criticou os candidatos que limitam suas propostas a reduzir o preço das tarifas e defendeu o fim dos pedágios.
Segundo ele, a cobrança pesa diretamente sobre quem precisa circular pelas estradas e também encarece o transporte de mercadorias. O valor pago pelas transportadoras acaba incorporado aos preços dos produtos vendidos à população.
O candidato defendeu ainda investimentos em ferrovias e uma atuação maior do Estado diante de enchentes, deslizamentos e outros desastres. Adriano ressaltou que, com os recursos tecnológicos existentes, muitas situações de risco podem ser identificadas com antecedência.
Nesse caso, cabe ao governo preparar equipes, garantir transporte e retirar moradores das áreas ameaçadas quando for necessário, em vez de apresentar as mortes posteriormente como resultado de acontecimentos imprevisíveis.
Perguntado sobre os contratos de concessão já existentes, Adriano afirmou que um governo do PCO dependeria da mobilização popular para enfrentar os interesses das empresas privadas.
Ele rejeitou a ideia de que bastaria eleger um governador para realizar sozinho todas as mudanças prometidas durante a campanha. A ruptura com contratos prejudiciais à população, assim como as demais medidas defendidas pelo Partido, exigiria a organização dos trabalhadores.
No encerramento da entrevista, Adriano voltou a esse ponto ao explicar o sentido da participação do PCO nas eleições.
O candidato denunciou a desigualdade entre os partidos, destacando a falta de tempo de televisão e a pouca presença das candidaturas do PCO na imprensa. Também afirmou que o Partido vem sofrendo uma ofensiva política em pleno período eleitoral.
Para Adriano, as eleições servem como uma tribuna para apresentar o programa do Partido e chamar os trabalhadores à organização.
Foi com esse objetivo que levou à CBN propostas como dissolução da PM, pedágio zero, fim das escolas cívico-militares, ampliação dos serviços públicos e fim do vestibular. A orientação aparece também no programa eleitoral do PCO, que coloca a mobilização dos trabalhadores acima das promessas de campanha e da confiança nas instituições.



