Adriano Teixeira, o Adriano Funileiro, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao Governo do Paraná, participou do ciclo de entrevistas promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) com os concorrentes ao governo estadual.
O encontro foi organizado para que os trabalhadores conhecessem as posições dos candidatos sobre os principais problemas do Paraná. Logo em sua primeira participação, Adriano agradeceu o espaço e lembrou que partidos como o PCO são excluídos de boa parte dos debates eleitorais.
É a segunda vez que ele disputa o governo estadual. Na entrevista, explicou que a participação do PCO nas eleições não se limita à disputa por cargos: a campanha é utilizada para denunciar a situação política e apresentar aos trabalhadores um programa de luta.
A primeira pergunta dirigida a Adriano tratou da saúde e das dificuldades da atenção básica.
Sua resposta colocou no centro a falta de recursos para os serviços públicos e o peso da dívida pública. Segundo ele, não é possível discutir seriamente a crise da saúde sem enfrentar a quantidade de dinheiro retirada do orçamento para beneficiar os bancos.
Enquanto faltam verbas para hospitais, postos, profissionais e atendimento à população, uma parcela enorme dos recursos produzidos no País é entregue ao capital financeiro.
Por isso, Adriano rejeitou as promessas de simplesmente melhorar determinado serviço sem explicar de onde sairão os recursos. Para o PCO, saúde e educação precisam ser financiadas com o dinheiro que hoje alimenta os interesses dos banqueiros.
A questão apareceu novamente quando o tema sorteado foi educação.
Adriano criticou a propaganda do governo paranaense em torno dos indicadores escolares. Segundo ele, a realidade encontrada nas escolas contrasta com a imagem apresentada oficialmente.
O candidato mencionou prédios em más condições, salas com 30 ou 40 alunos, professores exaustos e a situação particularmente difícil dos contratados pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS).
Também criticou a pressão exercida sobre professores e estudantes para produzir indicadores que apresentem artificialmente bons resultados para o sistema estadual de ensino.
A valorização dos profissionais, afirmou, depende de investimentos muito maiores e do rompimento com a política de contenção dos gastos sociais.
Nesse ponto, Adriano criticou inclusive o governo federal por manter limites fiscais que subordinam os gastos públicos aos interesses do capital financeiro.
Para o PCO, a educação deve estar sob controle de professores, estudantes, pais e trabalhadores, e não de burocratas afastados da realidade das escolas. O candidato mencionou ainda a posição partidária pelo fim do vestibular e pela ampliação do acesso ao ensino superior.
As intervenções de Adriano também serviram para fazer um chamado à organização.
O candidato afirmou que o PCO não pretende convencer os trabalhadores de que a eleição de um governador, isoladamente, resolverá os principais problemas do Estado. A mudança depende da mobilização da população em torno de um programa político próprio.
No terceiro bloco, de tema livre, Adriano concentrou sua fala na perseguição contra o partido.
Ele denunciou a operação da Polícia Filial realizada na residência de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e candidato à Presidência da República.
A ação aconteceu poucos dias depois da apresentação da candidatura presidencial do partido. Adriano classificou o episódio como uma tentativa de intimidar e desmoralizar politicamente o PCO durante a campanha eleitoral.
Também chamou atenção para a rapidez com que a operação apareceu na imprensa, reforçando o caráter de espetáculo em torno da ação policial.
Para Adriano, o episódio é parte do avanço de uma verdadeira ditadura do Judiciário no País.
Ele atacou o poder adquirido por juízes e ministros para interferir diretamente na vida política e defendeu que os magistrados sejam eleitos pela população.
O candidato mencionou ainda Sérgio Moro e a Operação Lava Jato. Recordou que o ex-juiz comandou o processo que levou Lula à prisão e posteriormente abandonou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro.
Para o PCO, esse episódio deixou evidente o caráter político da atuação de Moro e da própria Lava Jato.
Adriano também retomou uma posição histórica do partido sobre a segurança pública: a defesa da extinção da Polícia Militar.
Segundo ele, a atual estrutura policial atua contra a população e deve ser substituída por uma forma de segurança organizada e controlada pelos próprios trabalhadores.
A entrevista no sindicato permitiu que Adriano apresentasse posições que normalmente ficam de fora dos grandes debates eleitorais: o não pagamento da dívida pública, a denúncia do poder dos banqueiros, o controle popular da educação, o fim da Polícia Militar e o combate à crescente intervenção do Judiciário na política.
Sua intervenção final foi dedicada justamente ao ataque sofrido pelo partido e por seu presidente.
“Liberdade para o companheiro Rui Costa Pimenta”, encerrou.





