No Brasil, tirando pouquíssimas as exceções, a esquerda não sabe o que é o imperialismo, como mostra a postagem sobre Samara Martins (UP), pré-candidata à presidência, no X, onde diz que “Nós não podemos admitir que a extrema direita e nem os fascistas entreguem as nossas riquezas pro imperialismo norte-americano e pro imperialismo chinês, ou qualquer imperialista que exista no mundo. Essas riquezas são do povo brasileiro”, Samara Martins, após sua fala, faz um dancinha e é aplaudida.
O entreguismo
Existem entreguistas no Brasil, sempre existiram. No entanto, já não são mais exclusividade da direita, eles também se encontram hoje na esquerda, especialmente após a infiltração do identitarismo. Estão disfarçados como defensores do clima, “decoloniais”, “ecossocialistas”; militam contra a exploração de nossas riquezas, e a maioria recebe dinheiro de ONGs que, por sua vez são financiadas pelo imperialismo: CIA, Fundação Ford, George Soros, etc.
É assim que atuam, militando contra a construção de hidrelétricas, contra a exploração de petróleo, querem que deixemos essa enorme riqueza embaixo do solo.
A pressão para o Brasil deixar o petróleo inexplorado parte do próprio imperialismo, que quer essa riqueza intocada para poder explorar no momento oportuno. Nesse sentido, a esquerda “ecossocialista” nada mais é que um soldado raso na infantaria do imperialismo.
“Imperialismos”
O assim chamado “imperialismo norte-americano” é a principal força do imperialismo, que age como um bloco, e este é composto ainda pelas principais economias europeias, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha, além do Japão.
Como Lênin explicou, a fusão do capital financeiro com o capital industrial formou um monopólio que controla cada aspecto a produção mundial, seja conformação de fronteiras, exploração de recursos naturais, energéticos, financeiros, produção e circulação de mercadorias.
O imperialismo partilhou o planeta, e para isso montou uma máquina de guerra, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que age contra países que ousem resistir à dominação imperialista. Os resultados são bem conhecidos, como a invasão e destruição do Iraque, destruição da antiga Iugoslávia, bombardeada por 78 dias consecutivos, a maior operação militar na Europa desde a II Guerra Mundial, e sem a autorização da ONU.
Para se ter uma ideia da ferocidade do imperialismo, na ex-Iugoslávia foram despejados pelo menos 15 toneladas de urânio empobrecido. Mais de 30 mil projéteis com essa substância foram disparados principalmente sobre Cosovo, Sérvia e Montenegro.
De acordo com dados do Sistema Europeu de Informações sobre o Câncer (ECIS) de 2020, a Sérvia registrou um índice de mortalidade por câncer de 150,6 por 100.000 habitantes, o mais alto da Europa na época, superando a média europeia de 108,7.
Autoridades de saúde sérvias afirmam que a incidência de câncer em crianças no país é cerca de 2,5 vezes superior à média europeia.
Vítimas sérvias iniciaram processos contra a OTAN no Tribunal Superior de Belgrado, alegando que o urânio causou um aumento drástico em doenças oncológicas, autoimunes e infertilidade.
A OTAN como era de se esperar, nega qualquer ligação direta comprovada entre o uso da munição e a incidência de câncer entre civis ou soldados. E ninguém vai esperar que o imperialismo vá se autopunir
Existem outros crimes ainda, como a destruição da Síria, da Líbia e do Afeganistão, além dos ataques a países africanos, Venezuela etc. Quando o suposto “imperialismo chinês” fez algo remotamente parecido com isso?
A China, por sinal, é um país sancionado pelo imperialismo, além do cerco que vem sendo formado por meio de alianças militares como QUAD e AUKUS. O Reino Unido chegou a propor a criação de uma “OTAN Global”, o que, na prática, já existe. Que espécie de imperialismo é esse que recebe sanções de outro? Não faz o menor sentido.
Além da China, a Rússia e também acusada de ser imperialista. Isso se deve ao fato do país ter iniciado uma operação militar na Ucrânia. A medida, no entanto, foi defensiva, uma vez que a OTAN tentava avançar de maneira decisiva sobre as fronteiras russas.
Os russos entenderam que o plano do imperialismo era fatiar o país em várias partes, como fez com a Iugoslávia, e resolveram agir antes que fosse tarde.
A luta é contra a China e a Rússia
O mundo acabou de assistir o imperialismo em ação. Uma guerra de agressão contra o Irã, sem autorização da ONU (para variar), que contou com a participação, além dos Estados Unidos, de “Israel”, França, Reino Unido, Alemanha e Austrália.
O objetivo imperialista era derrubar o governo iraniano, colocar no lugar um governo fantoche, desmantelar o Eixo da Resistência, e controlar o petróleo, como fazia na época do xá Reza Pahlavi.
Há um dado importante na agressão ao país, o imperialismo atacou a ferrovia China-Irã todos os dias que duraram a guerra. Os chineses investiram US$ 28 bilhões. O Irã também está construindo um corredor com a Rússia, o que mostra quem realmente precisa controlar as rotas comerciais no planeta.
Os interesses imperialistas no Brasil já estão garantidos pela esquerda ongueira, e isso significa que o ataque a “qualquer imperialista”, nada mais é que uma luta contra a China e a Rússia, que estão na mira do imperialismo.
Falência na esquerda
Em nome da suposta luta contra a extrema direita e o fascismo, a maioria da esquerda brasileira tem encampado a defesa da democracia liberal. Esse posicionamento já é defendido abertamente por setores do PSOL, como o Esquerda Online, enquanto outros preferem ser menos explícitos.
Essas falas “anti-imperialistas” na esquerda demonstram uma grande falta de conhecimento. Como se pode combater aquilo que não se conhece? “Sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”, já escrevia Lênin em sua obra O Que Fazer, de 1902. O mesmo Lênin escreveu Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, que deveria servir de base para um debate político sério e uma atuação consequente da esquerda.
É claro que nem todos os setores são inocentes, agem conscientemente em favor do imperialismo. Não se sabe a troco de quê, mas é possível suspeitar.





