A direção da Caixa Econômica Federal entrou com o pedido, junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), de dissídio coletivo, cujo objetivo da empresa é impor, via judiciário, os seus ataques às legítimas reivindicações nessa campanha salarial da categoria.
Os trabalhadores bancários da Caixa se encontram em greve desde o dia 10 de setembro, justamente por não aceitarem as propostas da direção da empresa que rebaixa violentamente as precárias condições de vida que eles hoje se encontram.
A legítima luta dos bancários, através do único método que os patrões entende, ou seja, a greve, é justamente para barrar a tentativa dos banqueiros em arrochar, ainda mais, os seus salários e, no caso da Caixa, a situação é ainda pior devido a tentativa do banco em impor um acordo que aumenta, em muito, a participação dos trabalhadores no custeio do Plano de Saúde Caixa, sendo que a responsabilidade deve ser do banco, que eliminou a sua participação de 70% e tenta impor 9% e quer repassar, praticamente todo o custo com a saúde, nas costas dos seus funcionário.
Sempre é bom lembrar que a categoria bancária ocupa uma das posições de destaque no quesito adoecimento laboral, sendo a sua principal causa o adoecimento mental (estresse, depressão, síndrome do pânico etc.).
Nesta Campanha Salarial, os trabalhadores da Caixa, que vem amargando anos a fio arrocho salarial, demissões em massa, transferências compulsórias, jornada de trabalho de oito e até dez horas etc. estão dando uma demonstração de que não estão mais dispostos a tolerar os ataques da direção da empresa e do governo contra as suas condições de vida e de trabalho. Com a paralisação total ou parcial de centenas de agências, das direções gerais e da tecnologia, os bancários apontam que a única maneira de barrar a ofensiva dos banqueiros e do governo de fazer com que os trabalhadores paguem pela crise por eles criada é através da mobilização e da luta.
No entanto, a direção do movimento, através do Comando Nacional da Contraf tem procurado desmobilizar os trabalhadores para que aceitem esse acordo rebaixado. Defenderam, desde o primeiro momento, a proposta do banco com a justificativa que não era possível, a categoria não estava preparada para a greve, que o banco poderia ajuizar o dissídio etc. e tal. No último comunicado da burocracia sindical do dia 24 de setembro, quando deram a notícia que a Caixa ingressou com pedido de dissídio coletivo perante o TST, disseram que “o Comando Nacional dos Bancários buscou, desde o início, uma solução negociada. O dissídio não era o caminho que nós queríamos e alertamos para esse risco…” (Site spbancarios 24/09/2026)
É inadmissível que uma direção, que se diz representante dos bancários defenda, como faz na Caixa Econômica Federal, que um setor combativo, em greve, tenha como parâmetro, uma proposta feita pelos banqueiros e tentar empurrar goela abaixo dos trabalhadores um violento arrocho salarial e um ataque aos seu plano de saúde. A tendência do Comando Nacional de rebaixar a pauta de reivindicações dos trabalhadores aos moldes do oferecido pela direção da empresa é uma postura captuladora e de plena colaboração com os patrões e o governo.
Cabe portanto, o Comando Nacional, romper com essa política, reafirmar a pauta de reivindicações da categoria e intensificar ainda mais as mobilizações.
O momento não é de alimentar ilusões com as migalhas oferecidas pela direção da Caixa e, muito menos nos tribunais patronais, e sim aprofundar a greve, organizar caravanas para a porta do TST etc., para arrancar as legítimas reivindicações das trabalhadores.





