Os trabalhadores da Caixa Econômica Federal não aceitaram a proposta da direção da empresa em relação ao Acordo Coletivo de Trabalho, cujo principal ponto rejeitado é o ataque ao Plano de Saúde da categoria.
Em negociações, em mesa específica, com a direção da Caixa Econômica Federal, em que o patronato visa aprofundar os ataques às conquistas dos trabalhadores em relação, principalmente, ao Plano de Saúde (Saúde Caixa), em assembleia da categoria, realizada entre os dias 3 e 4 de setembro, foi decidido rejeitar as propostas do banco e aprovada a greve, por tempo indeterminado, até que as reivindicações dos trabalhadores sejam atendidas.
A direção do banco apresentou uma proposta que aprofunda o arrocho salarial dos bancários e que, através das famigeradas “reestruturações”, visa modificar o modelo de custeio do plano de saúde e jogar nas costas dos trabalhadores mais uma despesa que não lhes cabe.
No bojo da proposta consta o aumento para 4,5%, dos atuais 3,5% sobre a remuneração-base dos aposentados e pensionistas; o valor por dependente direto passaria dos atuais R$480 para R$660 mensais; para o teto do grupo familiar, o limite de desconto da soma das mensalidades sobre a renda do titular subiria de 7% para 9% da remuneração-base; seria instituído um valor mínimo de R$50 por dependente, aplicável mesmo se o teto do grupo familiar de 9% fosse atingido; dependentes indiretos (filhos de 21 a 27 anos e pais) ficariam fora do teto familiar, pagando o valor integral, e deixaria de existir a diferenciação de preço por faixa etária entre 21 e 24 anos e 24 e 27 anos; o teto anual de coparticipação, cujo limite máximo pago pelo grupo familiar em procedimentos, subiria de R$3.600 para R$4.800 por ano; o atendimento presencial em pronto-socorro em regime de urgência passaria a ter uma taxa fixa de R$150.
Em contrapartida, o banco faria um aporte financeiro extraordinário para o ano de 2026 no valor de R$543 milhões, sendo que a estimativa do déficit projetado para o Saúde Caixa neste ano está entre R$743 milhões e R$780 milhões. Até o mês de julho de 2026, o rombo acumulado nas contas do plano já passa dos R$410 milhões.
A rejeição da proposta do banco pelos trabalhadores bancários não deixa dúvida quanto ao grau de insatisfação diante do tamanho do ataque que os banqueiros tentam desferir contra a categoria.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília e funcionário da Caixa, Raphael Torres, “A rejeição massiva tem o Saúde Caixa como ponto central. O banco quer impor um modelo de cobrança diferenciado por idade para os empregados e seus dependentes, punindo quem mais precisa e onerando o trabalhador. Nossa prioridade absoluta é garantir uma solução justa, que barre esse retrocesso e impeça novos impactos financeiros sobre a renda das famílias”. (Site Bancários-DF, 04/09/2026)
Francinaldo Costa, diretor da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) e também funcionário do banco, argumenta que “A categoria demonstrou sua indignação com essa proposta absurda e deu um recado claro à direção da empresa: se não valorizar os empregados, a Caixa vai parar”. (Idem)
O Saúde Caixa foi criado através das lutas e do esforço da categoria, que, no ano de 2004, criou o modelo 70/30, em que a Caixa assumia 70% de todas as despesas assistenciais e 100% dos custos administrativos, cabendo aos empregados os 30% restantes, com mensalidades e coparticipação, no modelo de solidariedade e de autogestão, em que um funcionário novo e um antigo têm os mesmos direitos e deveres, pagando mensalidades proporcionais aos seus salários. Em 2017, o banco deu um golpe e estabeleceu no estatuto uma limitação dos seus gastos com a saúde em 6,5% da folha de pagamento, gerando todo esse caos pelo qual hoje passa o Plano.
O Saúde Caixa tem um orçamento anual de mais de R$3,76 bilhões e possui mais de 277 mil beneficiários em todo o território nacional, desponta como a 4ª maior operadora do País na modalidade de autogestão e uma das maiores da América Latina e não tem motivo para estar no atual regime de “falência”.
Para lutar contra a tentativa de destruição do Saúde Caixa, é preciso, além de denunciar a tentativa da direita de privatizar a Caixa Econômica Federal, exigir melhorias no atendimento e colocar na ordem do dia a luta por um Plano controlado única e exclusivamente pelos trabalhadores.




