Integrantes da Liga Anti-Imperialista Internacional levaram uma faixa de apoio à revolta francesa à Avenida Paulista, em 24 de outubro. Durante uma manifestação em São Paulo, fizeram uma intervenção perto do consulado da França e divulgaram a luta dos estudantes daquele país. Naquele momento, os bloqueios de escolas já haviam aproximado a juventude dos trabalhadores mobilizados contra a carestia e os cortes do governo Emmanuel Macron.
Doze dias depois, a greve nacional de 5 de novembro mostrou o tamanho adquirido por essa aproximação. A central sindical CGT calculou 1,6 milhão de manifestantes em toda a França, dos quais 350 mil em Paris. O Ministério do Interior divulgou uma estimativa nacional de 600 mil. As duas contagens divergem, mas ambas registram uma mobilização que o governo tentou conter com 70 mil policiais e gendarmes. Trabalhadores dos setores público e privado marcharam ao lado de estudantes, camponeses e coletes amarelos.
Os estudantes reivindicam melhores condições de ensino. Os trabalhadores enfrentam salários corroídos e cortes nos serviços públicos. Essa ligação deu às manifestações uma força que os bloqueios escolares, por si sós, não teriam. Também explica o tamanho da operação policial: Macron precisava manter em funcionamento a política de austeridade contestada nas ruas.
A atividade paulista foi uma demonstração de solidariedade a essa luta. Não cabe atribuir a ela a organização da greve francesa. Seu papel foi apresentar ao público brasileiro as reivindicações dos manifestantes e defendê-los diante da repressão. Quando estudantes franceses eram tratados como caso de polícia, militantes em São Paulo tomaram partido deles.
A greve passou, mas as reivindicações permanecem. As centrais exigem salários e serviços públicos; Macron procura conservar seu orçamento. É dessa disputa concreta, travada por trabalhadores e jovens em conjunto, que trata a solidariedade expressa na Paulista.





