Editorial

Apologistas da censura no Brasil aprenderam com o sionismo

Há anos o mundo assiste ao genocídio em Gaza, mas a imprensa brasileira, em sua esmagadora maioria, atua como porta-voz de “Israel”

O regime político brasileiro avança cada vez mais na transformação da opinião em crime. Questões que deveriam ser resolvidas no terreno da polêmica, da denúncia pública e da resposta política passam a ser entregues ao aparato de Estado, à Polícia Federal, ao Judiciário e à Advocacia-Geral da União.

O caso da jornalista Madelene Lasco é revelador. A tentativa de obrigá-la a apagar uma crítica política sob a alegação de “distorção de fatos” representa um passo adiante no autoritarismo. Se o Estado passa a decidir oficialmente o que é distorção e o que é verdade, então deixa de existir liberdade de expressão. Cria-se, na prática, um verdadeiro Ministério da Verdade, em que a burocracia estatal se arroga o direito de arbitrar o pensamento político aceitável.

Em qualquer sociedade minimamente livre, uma falsificação deve ser combatida com demonstração política, com prova, com argumentação e com denúncia pública, não com intimidação institucional. Afinal, se “distorcer os fatos” fosse motivo para censura, toda a grande imprensa burguesa brasileira já deveria estar interditada há muito tempo, tamanha a quantidade de manipulações, omissões e fraudes que produz diariamente.

O que se vê, no entanto, é o contrário. O alvo da repressão não é a mentira dos monopólios de imprensa, mas a opinião política dissidente, sobretudo quando ela entra em choque com os interesses do regime. É por isso que essa escalada da censura aparece ligada também à defesa do sionismo e à perseguição dos que denunciam o massacre do povo palestino. Há anos o mundo assiste ao genocídio em Gaza, mas a imprensa brasileira atua como porta-voz de “Israel”, ocultando os crimes do Estado sionista e caluniando a resistência palestina. Ainda assim, os guardiões oficiais da “verdade” não se mobilizam contra essa falsificação monumental.

Ao contrário. O que cresce é a perseguição contra aqueles que denunciam o genocídio. Militantes, jornalistas e analistas passam a ser enquadrados judicialmente, intimidados e acusados de “antissemitismo” por atacarem o sionismo. A operação é tão cínica quanto transparente: transforma-se a denúncia de um massacre em crime de opinião, e a defesa de um povo massacrado em caso de polícia.

Esse processo é reforçado ainda por outro fenômeno profundamente reacionário do período: a ação do identitarismo como polícia ideológica. Sob pretexto moral e com apoio de ONGs, os identitários atuam para destruir reputações, eliminar adversários e promover linchamentos públicos. O caso de Alysson Mascaro mostrou exatamente isso. Como não conseguiram provar as acusações mais ruidosas lançadas contra ele, seus inimigos recorreram a um pretexto burocrático para consumar sua exoneração. A condenação já estava decidida antes de qualquer apuração séria.

A esquerda que apoia esse processo ou se cala diante dele está preparando sua própria derrota. Toda censura criada para atingir um inimigo de ocasião será usada amanhã contra os trabalhadores, contra os movimentos populares e contra a própria esquerda. Não existe censura progressista, nem aparato repressivo neutro, nem Ministério da Verdade a serviço do povo. Fortalecer o poder do Estado para decidir quem pode falar, o que pode ser dito e qual versão dos fatos será considerada legítima é entregar aos inimigos históricos da classe trabalhadora uma arma de enorme alcance.

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