Antônio Carlos Silva, membro da Direção Nacional do Partido da Causa Operária (PCO), participou neste sábado (22) do ato de lançamento das candidaturas do partido no Distrito Federal. Realizada no Teatro dos Bancários, em Brasília, a atividade reuniu candidatos, militantes e representantes de organizações que manifestaram solidariedade ao PCO.
Responsável por parte da condução do ato, Antônio Carlos abriu os trabalhos agradecendo ao Sindicato dos Bancários e manifestando apoio à campanha salarial da categoria. Ele denunciou a recusa dos bancos em conceder reajuste aos trabalhadores, apesar dos enormes recursos recebidos por meio da dívida pública.
Em seu discurso, voltou ao assunto para defender a suspensão do pagamento da dívida e atacar o endividamento crescente das famílias.
“O problema não é que se paga imposto. O problema é que todo imposto que a gente paga, metade é separado, é destinado aos banqueiros por conta da fraudulenta dívida pública.”
Ele também criticou o crédito consignado, afirmando que o trabalhador é obrigado a comprometer antecipadamente salários futuros porque sua renda atual não atende às necessidades básicas.
A situação política do Distrito Federal ocupou parte importante de sua fala. Para ele, a predominância de candidaturas de direita decorre da política adotada pelo PT e pela esquerda parlamentar.
Antônio Carlos criticou a escolha de Leandro Grass e afirmou que sua trajetória não está ligada às lutas históricas dos trabalhadores e dos militantes petistas de Brasília. Em contraposição, lembrou a presença de Erika Kokay nas mobilizações contra o golpe que derrubou Dilma Rousseff e nas campanhas contra a prisão de Lula.
Segundo ele, a política de alianças do PT enfraquece inclusive candidaturas de antigos militantes do próprio partido.
“O PT não se apresenta nem em Brasília e nem na maioria dos estados do País como uma alternativa, sequer eleitoral, como uma alternativa própria.”
A desigualdade do processo eleitoral foi outro tema destacado no ato. Antônio Carlos apontou a exclusão da maioria dos candidatos à Presidência do horário eleitoral e dos debates televisivos.
“Isso aí não é uma eleição democrática. A maioria do povo nem sequer vai saber quem são os candidatos. Zero tempo de televisão para nove candidatos.”
Ele também comparou os recursos destinados aos grandes partidos com os disponíveis para o PCO. A legenda tem cerca de 3,3 milhões de reais para financiar 156 candidaturas em todo o País, enquanto outras organizações recebem centenas de milhões.
Para Antônio Carlos, a combinação entre falta de recursos, exclusão dos debates e pouco espaço na imprensa impede que os partidos concorram em condições semelhantes.
O dirigente também atacou o uso da Polícia Federal e do Judiciário para resolver disputas políticas. Recordou que o PCO se mobilizou contra o golpe de 2016, pela liberdade de Lula e também contra a cassação arbitrária de direitos de Bolsonaro, apesar das diferenças políticas com a direita.
“A arma nossa não é a polícia, não é o Judiciário. A nossa arma é a mobilização dos trabalhadores, é a mobilização do povo.”
Ao mencionar a operação contra Rui Costa Pimenta, Antônio Carlos afirmou que a questão ultrapassa a defesa de um dirigente ou de um partido. Segundo ele, aceitar violações de direitos contra adversários políticos cria condições para que os mesmos métodos sejam empregados contra trabalhadores, sindicatos e organizações populares.
“Quem não defende o direito democrático de uma pessoa, só porque tem diferença política com ela, não é um verdadeiro defensor do direito democrático.”
Antônio Carlos ainda destacou que Pimenta declarou não possuir patrimônio, apesar de cerca de 50 anos de militância, e contrastou sua situação com a de candidatos milionários apresentados por outras legendas.
No encerramento de sua fala, convocou jovens e trabalhadores a participar da campanha, distribuir materiais e atuar nos comitês do partido.
“O que nós precisamos fazer e que essa atividade aqui hoje é parte dessa luta é um processo de mobilização política, da juventude, dos trabalhadores, da população negra que está cansada de tomar bala da polícia.”
Antes de passar a palavra a Rui Costa Pimenta, Antônio Carlos pediu apoio à luta contra a operação da Polícia Federal e sustentou que a defesa das liberdades democráticas deve valer independentemente das diferenças políticas.





