A população de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, ficou sem água após o rompimento de uma adutora de grande porte que afetou o abastecimento em pelo menos oito bairros na manhã desta sexta-feira (10). A normalização está prevista apenas para as 6 horas da manhã de sábado (11). Às 9 horas da manhã da data prevista, a água ainda não havia retornado.
Os bairros afetados são Bonfim, Cachoeira, Jardim Roma, Mato Dentro, Monte Santo, Planta Mosacal, São Jorge e Vila Grécia. Os moradores dessas localidades foram deixados sem acesso a água durante o início do fim de semana, período em que as famílias mais necessitam do serviço para suas atividades domésticas.
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) atribuiu a interrupção do serviço ao rompimento da adutora e afirmou que suas equipes estão no local trabalhando para retomar o abastecimento. A empresa declarou que “para garantir a qualidade da água, a tubulação da cidade precisa de reparos” e que “a execução desses serviços requer a suspensão temporária do abastecimento para realizar as obras de renovação e manutenção”. O que se observa, no entanto, é um descaso com a população, haja visto o atraso de um prazo que já era excessivamente longo.
Além disso, a justificativa não explica por que a adutora rompeu em primeiro lugar. A infraestrutura de saneamento deveria ser mantida preventivamente para evitar exatamente esse tipo de situação. O rompimento de uma adutora “de grande porte”, como a própria Sanepar qualificou, não é um acidente imprevisível — é resultado de anos de negligência com a manutenção e falta de investimentos na renovação da rede.
A Sanepar ainda responsabilizou a população pelo seu próprio abastecimento de água durante a crise ao dizer aos moradores que “cada imóvel precisa ter uma caixa-d’água com capacidade adequada às suas necessidades de uso, conforme a recomendação da ABNT”.
A realidade é que a população de Almirante Tamandaré foi deixada desassistida por uma política deliberada de não prevenção de desastres. A Sanepar, como tantas outras companhias de saneamento pelo país, prioriza o lucro em detrimento dos investimentos necessários para manter a infraestrutura em condições adequadas. O resultado são esses episódios recorrentes de falta de água que castigam principalmente as populações mais pobres das periferias metropolitanas.





