A Aliança dos Estados do Sael, formada por Máli, Burquina Fasso e Níger, realizou operações aéreas em território maliano após os ataques coordenados de grupos ligados à Al-Qaeda e separatistas tuaregues contra várias localidades do país. A informação foi divulgada pelo governo do Níger na quinta-feira (30), dias depois das ofensivas de 25 de abril em Gao, Menaca e Kidal.
Segundo as autoridades nigerinas, as operações foram realizadas nas horas seguintes aos ataques contra o Máli. A ação marcou a primeira confirmação pública de uma operação militar conjunta de grande escala desde a formalização da Aliança dos Estados do Sael, bloco criado pelos três países após o rompimento com a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao).
As ofensivas lançadas durante o fim de semana por grupos e seus aliados separatistas tuaregues foram descritas como o maior ataque ao Máli em quase 15 anos. De acordo com as informações divulgadas, os grupos armados capturaram a cidade de Kidal, no norte do país, e mataram o ministro da Defesa, Sadio Camara.
A força conjunta da Aliança dos Estados do Sael havia sido criada inicialmente com 5.000 homens. Em meados de abril, o efetivo foi ampliado para 15.000. Após reunião de gabinete, o governo do Níger declarou que recebia “com satisfação a resposta pronta e vigorosa das unidades da força unificada”, que conduziram “intensas campanhas aéreas” depois dos ataques em Gao, Menaca e Kidal.
Poucas horas depois do início das ofensivas, o porta-voz da Frente de Libertação de Azauade, Mohamed Elmaouloud Ramadane, havia pedido a Burquina Fasso e Níger que não interviessem nos acontecimentos em curso no Máli. A força unificada da aliança, no entanto, respondeu aos ataques com bombardeios contra posições de grupos e separatistas em diferentes pontos do norte do país.
Os ataques que provocaram a resposta da Aliança dos Estados do Sael foram lançados pela Frente de Libertação de Azauade e pelo Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos, organização ligada à Al-Qaeda. Os combatentes pró-imperialistas atacaram Burem, Bamaco, Cati, Sevare, Senou e Mopti. A Frente de Libertação de Azauade reivindicou o controle de Kidal e de partes de Gao.
A Província do Estado Islâmico no Sael também realizou ataques próprios enquanto as ofensivas da Frente de Libertação de Azauade e do grupo ligado à Al-Qaeda se desenvolviam. No norte do país, houve ações conjuntas em áreas reivindicadas por Azauade. No sul e no centro do Máli, o grupo ligado à Al-Qaeda atuou de maneira independente.
A ofensiva atingiu centros governamentais em Bamaco e Cati. Além da morte do ministro da Defesa, Sadio Camara, as informações divulgadas apontam que o chefe de inteligência, Modibo Cone, ficou ferido. Também foram atacadas as cidades de Kidal, Gao, Sevare e Mopti.
A Aliança dos Estados do Sael afirmou que os ataques fazem parte de uma “conspiração monstruosa” apoiada pelos inimigos da libertação do Sael. A força unificada, criada para enfrentar grupos na região, realizou ataques aéreos logo após o início das ofensivas.
A Cedeao denunciou os ataques e convocou os Estados, forças de segurança, mecanismos regionais e populações da África Ocidental a se unirem contra os grupos armados. A Organização de Cooperação Islâmica afirmou que o secretário-geral, Hissein Brahim Taha, acompanhava as operações militares “com grande preocupação” e condenava os ataques por colocarem em perigo a vida de civis e a estabilidade da região.
As Nações Unidas também se manifestaram por meio do secretário-geral António Guterres, que expressou solidariedade ao povo maliano e defendeu a proteção de civis e da infraestrutura civil. A situação no Máli segue marcada por combates em múltiplas frentes, com a atuação de diferentes grupos armados em disputa por território.





