O Brasil registrou 258 índios assassinados em 2025, contra 211 no ano anterior. Os números foram divulgados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em seu relatório sobre a violência sofrida pelos índios. Roraima aparece com 82 mortes, seguido pelo Amazonas, com 47, e Mato Grosso do Sul, com 37.
Os assassinatos aparecem ao lado do crescimento dos conflitos pela terra e da continuidade das invasões. O próprio relatório associa a violência sofrida pelos índios aos ataques contra seus direitos territoriais, ao marco temporal e à pressão para abrir terras à mineração, a grandes empreendimentos e à exploração de recursos naturais.
Os casos destacados pelo levantamento deixam evidente o caráter dessa ofensiva. Logo nos primeiros dias de 2025, quatro Avá-Guarani foram baleados na Terra Tekoha Guasu Guavirá, no oeste do Paraná, uma área marcada por conflitos de posse. Um deles foi atingido na coluna e perdeu os movimentos das pernas. Em março, o Pataxó Vitor Braz foi morto na Barra Velha do Monte Pascoal, na Bahia, durante a luta pela demarcação. Em novembro, o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes foi assassinado no Tekoha Pyelito Kue, em Mato Grosso do Sul.
Também foram registrados 1.276 casos classificados pelo Cimi como violência contra o patrimônio: 897 relativos à demora ou omissão na regularização de terras, 169 conflitos territoriais e 210 casos de invasão, exploração ilegal de recursos ou outros danos. Das 1.443 terras e reivindicações territoriais contabilizadas, 897 ainda esperavam alguma providência administrativa.
A disputa não é abstrata. De um lado estão povos tentando conservar ou recuperar suas terras. Do outro estão os interesses dos grandes proprietários, grileiros, empresas mineradoras e demais grupos econômicos que pretendem explorar essas áreas.
Enquanto o Estado demora anos ou décadas para concluir demarcações, os índios ficam expostos aos pistoleiros e demais forças organizadas em torno da tomada de suas terras. É nesse terreno que prospera a matança registrada pelo Cimi.





