Universidade Marxista

A tomada do poder: como o povo em armas derrotou o exército do Xá

Entre a fuga do monarca em 16 de janeiro e a rendição dos generais em 11 de fevereiro de 1979, revolução iraniana derrotou a última tentativa de golpe militar organizada pelos EUA

A queda do Xá Reza Pahlevi, em 16 de janeiro de 1979, não significou ainda o fim da ditadura. Restavam as forças armadas, treinadas e armadas pelos Estados Unidos, e o aparato repressivo construído ao longo de 26 anos. Os EUA enviaram o general Robert Huyser ao Irã com a missão de organizar um golpe militar para impedir a tomada do poder pela revolução. Em 26 dias, entre a fuga do Xá e a rendição dos generais em 11 de fevereiro, a revolução iraniana derrotou essa última tentativa.

A Universidade Marxista realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). A fase final da revolução e a derrota da tentativa de golpe organizada pelos EUA são parte central do curso, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.

Após a fuga do Xá, o primeiro-ministro Shapur Bakhtiar tentou negociar com o aiatolá Ruholá Khomeini, ainda em Paris. As discussões entre o Conselho Revolucionário e o governo continuaram durante semanas. Em 25 de janeiro, Bakhtiar chegou a redigir uma carta de renúncia, mas voltou atrás. Era um nacionalista que havia assumido com a queda do premiê militar ligado ao Xá, e tentou organizar um plano para impedir o retorno de Khomeini. Não teve coragem.

A missão fracassada do general Huyser

Enquanto isso, o general norte-americano Robert Huyser tentava organizar um golpe das forças armadas iranianas para tomar o poder. A operação havia sido autorizada pelo presidente Jimmy Carter em pessoa. Huyser permaneceu no Irã entre 16 de janeiro e 3 de fevereiro tentando reunir os generais para a contrarrevolução.

A missão fracassou completamente. As forças armadas estavam paralisadas pela crise política em seu próprio comando, cuja principal figura havia sido o próprio Xá. Os EUA haviam enviado um navio-tanque para a costa iraniana para abastecer as tropas que tomariam o poder. Huyser foi incapaz sequer de descarregar o combustível, de tão paralisadas que estavam as forças armadas. Os planos para tomar os campos de petróleo foram completamente ignorados pelos generais. O exército mais bem armado do Oriente Médio, treinado e equipado pelos EUA por mais de duas décadas, não conseguia executar uma única ordem.

O retorno de Khomeini

No dia 1º de fevereiro, Khomeini retornou ao Irã, recebido por uma multidão estimada em milhões de pessoas no aeroporto de Teerã. O retorno completou o processo de dissolução do exército. As deserções se tornaram regra. Meia dúzia de generais renunciou imediatamente. Até mesmo os policiais especializados em repressão a multidões organizaram uma passeata com cravos enfiados nos canos dos rifles e fotos de Khomeini.

A repressão estava aterrorizada pela revolução e passava para o seu lado. O processo da tomada do poder começou com um motim da Força Aérea a favor de Khomeini, na base de Dawshan Tappeh, no leste de Teerã. As tropas legalistas não tinham coragem de reprimir a população, mas atacaram os soldados amotinados. Começou ali uma grande batalha que mudaria o curso da revolução.

O povo em armas

A luta continuou até o início da tarde de sábado, 10 de fevereiro, quando os Homofaran, técnicos da Força Aérea aliados à revolução, tomaram dois mil rifles e os distribuíram para o povo. As armas começaram a ser entregues nas mesquitas de Teerã. Números de telefone especiais foram divulgados para a população receber armamento. Isfahan caiu para os apoiadores de Khomeini no mesmo dia.

Esse foi o golpe definitivo. A partir desse momento, o poder estava nas mãos do povo em armas. Os grupos guerrilheiros, formados por estudantes universitários e organizados pela Fedayín-e Khalq marxista e pela Mojahedín-e Khalq islâmica, entraram em ação. Esses grupos vinham recebendo armas e munições desde a fuga do Xá e foram responsáveis pela violência do fim de janeiro. Quando se uniram aos amotinados da Força Aérea, foi o fim do que havia sobrado do Estado criado pelo golpe de 1953. O governo tentou impor um toque de recolher em Teerã. Foi totalmente ignorado.

A rendição dos generais

No dia 11 de fevereiro, o que havia sobrado das forças armadas desistiu por completo. 27 generais se reuniram e assinaram uma carta de rendição diante do Conselho Revolucionário. Enquanto isso, a população armada tomava a estação de rádio de Teerã. Cerca de uma hora após a entrega da carta, ela foi lida para todo o povo do Irã pelo rádio.

A ditadura sanguinária havia finalmente acabado. A monarquia foi abolida. A revolução proclamou a República Islâmica do Irã. Em 26 dias, a revolução havia derrotado a última tentativa do imperialismo de salvar o regime e havia tomado o poder.

O curso A história do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência da República. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.

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