Não é de hoje que o Banco de Brasília (BRB) vem sendo sistematicamente atacado pelos diversos governos neoliberais que se sucedem no Palácio do Buriti. Ao longo dos anos, a política das direções do banco tem sido o desmonte sistemático da empresa, a redução drástica do número de funcionários, o rebaixamento salarial, o fechamento de agências etc.
No governo José Roberto Arruda (2007-2010), por pouco o BRB não foi incorporado pelo Banco do Brasil, justamente pela política neoliberal daquele governo para evitar um tal “colapso” financeiro do Governo do Distrito Federal. A incorporação não foi efetivada devido aos rombos nas gestões do BRB. Vale lembrar que esse mesmo governador foi afastado e preso devido aos desdobramentos da Operação Caixa de Pandora, na qual foram apresentadas imagens, como provas, em que o ex-governador recebia maços de dinheiro em um esquema de corrupção.
Nessas quase duas décadas, o BRB tem sofrido essa mesma política de tentativas de privatização. A receita é sempre a mesma: desmonte, baixos salários, quadro reduzido de funcionários, terceirização. Ou seja, trata-se do receituário para pavimentar o caminho da entrega do patrimônio do povo aos banqueiros parasitas, tanto nacionais quanto internacionais.
Não é por acaso que a Rede Globo, recentemente, usando como justificativa o escândalo do Banco Master, defendeu a privatização do BRB. Ou seja, uma maracutaia realizada por um representante dos banqueiros e capitalistas no governo e por um capitalista privado, mas quem deve pagar a conta é a população e os trabalhadores.
É claro e notório que o governo Ibaneis, hoje licenciado para concorrer ao Senado, e Celina Leão, ex-vice-governadora e atual governadora, contam com a colaboração de seus representantes, que controlam a Câmara Legislativa do DF, para pôr em prática a política neoliberal. Foi com o apoio desses representantes na CLDF que se aprovou a autorização para que o governo do DF renegocie suas dívidas com o governo federal por meio da venda das empresas estatais. No caso do Banco Master, nem se fala: esses mesmos representantes, num piscar de olhos, aprovaram a compra dos ativos do sr. Vorcaro.
Agora, seguindo a cartilha neoliberal da Escola de Chicago, de economistas como Milton Friedman, que se utilizam da “teoria do choque”, explorando crises e desastres para impor políticas radicais de “livre mercado”, o GDF, conjuntamente com a União, em acordo mediado pelo STF, fechou um acordo para a realização de um empréstimo junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), isto é, os banqueiros, no valor de R$ 6,5 bilhões. A garantia, no caso de calote, serão dois fundos do GDF: o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Para que essa transação se realize, a governadora do DF já anunciou regras severas de ajuste fiscal, homologadas pelo STF, com corte nos gastos públicos, congelamento de despesas com pessoal, suspensão de concursos públicos, reajustes salariais e reestruturação nas carreiras dos servidores públicos — isto é, demissões — e, logicamente, privatizações. Aliás, no caso do BRB, a privatização não está descartada, já que, se o processo não der certo, a única alternativa para os capitalistas e seus governos será a entrega do banco público aos abutres privados.
Ou seja, para o tal “salvamento” do BRB serão usados os pilares fundamentais do neoliberalismo da cartilha da Escola de Chicago: privatizações, desregulamentação e ajuste fiscal.
Em todo esse processo, costurado pelas instituições do Estado, os prejudicados são os trabalhadores e toda a população do Distrito Federal, que terão de arcar com um prejuízo gigantesco, enquanto os verdadeiros culpados são eximidos da responsabilidade por aquele que é o maior escândalo financeiro da história do País.




