Após a rendição dos generais em 11 de fevereiro de 1979, a Revolução Iraniana entrava em uma nova fase. O Estado começava a ser controlado pelos xiitas sob a direção do aiatolá Ruholá Khomeini, enquanto as ruas ainda eram tomadas pela revolução, que apoiava o novo governo. Em menos de uma década, a República Islâmica fundaria suas instituições, estatizaria o petróleo, enfrentaria uma guerra orquestrada pelo imperialismo e sairia vitoriosa, construindo o exército que hoje é o maior entrave aos planos norte-americanos no Oriente Médio.
A Universidade Marxista realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). A fundação da República Islâmica e suas primeiras grandes batalhas contra o imperialismo são alguns dos principais assuntos do curso, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.
As primeiras medidas do governo revolucionário foram a fundação dos Comitês Revolucionários, organização popular que apoiaria o governo contra a reação, e da Guarda Revolucionária, que viria a se tornar a força mais importante do exército, como o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI). A Guarda cumpriu no Irã o mesmo papel que o Exército Vermelho cumpriu na União Soviética após a Revolução de Outubro.
Os referendos da revolução
Em 30 de março de 1979, Khomeini convocou a população a um referendo para garantir a base social da revolução. A pergunta era simples: “você apoia o fim da monarquia e o estabelecimento de uma República Islâmica?”. 98,2% da população votou a favor. Em dezembro do mesmo ano, o governo revolucionário convocou um segundo referendo, agora sobre a nova Constituição. 99,5% votaram a favor.
Esses números desmontam a calúnia imperialista de que o Irã seria um “regime teocrático” imposto à força. A Constituição foi escrita e votada no momento de maior mobilização popular da revolução. Os aiatolás não cumpriram no Irã o papel reacionário que a Igreja Católica cumpriu na Itália ao se opor à revolução. No Irã, foram os clérigos xiitas os únicos capazes de canalizar a revolução, dirigir a derrubada da ditadura e organizar a tomada do poder.
A estatização do petróleo
Uma das principais medidas do governo revolucionário foi a tomada completa da indústria do petróleo, a maior riqueza do País. O consórcio internacional firmado em 1954, logo após o golpe da CIA, foi totalmente cancelado. A Companhia Nacional de Petróleo Iraniana foi totalmente estatizada. Todos os trabalhadores estrangeiros foram expulsos. Diversos outros setores da economia também foram estatizados.
A política nacionalista da revolução cumpriu, em 1979, aquilo que Mossadeq havia tentado fazer em 1953 antes de ser derrubado pelo golpe da CIA. A diferença era o caráter do governo que executava a medida. Em 1953, era um governo nacionalista burguês isolado, sem força popular para resistir ao imperialismo. Em 1979, era um governo apoiado por milhões de trabalhadores, com um exército revolucionário próprio e uma população armada nas ruas.
A tomada da embaixada norte-americana
A luta contra o imperialismo levou os estudantes a invadirem a embaixada dos Estados Unidos em Teerã em novembro de 1979, uma das principais sedes da ditadura derrubada. Eles mantiveram 52 cidadãos norte-americanos como reféns por 444 dias, no que se tornou uma das maiores crises diplomáticas do século XX.
A tomada da embaixada teve um efeito semelhante à tomada do Palácio de Inverno na Revolução Russa. Foram descobertos diversos documentos sobre a atuação do imperialismo no Irã, posteriormente publicados em um dossiê intitulado Documentos do Centro de Espionagem dos EUA. O episódio também consumiu politicamente o governo de Jimmy Carter, que tentou uma operação militar fracassada para resgatar os reféns e acabou derrotado nas eleições presidenciais norte-americanas pelo republicano Ronald Reagan.
A guerra Irã-Iraque
Diante da derrota recente no Vietnã, era impossível para o imperialismo organizar uma intervenção militar direta contra o Irã. A solução foi manipular o governo de Saddam Hussein no Iraque para entrar em guerra com o Irã na tentativa de esmagar a revolução. A guerra começou em setembro de 1980, com a invasão iraquiana do território iraniano, e durou oito anos.
A guerra foi a mais sangrenta do final do século XX. Estima-se que mais de um milhão de pessoas morreram em ambos os lados. O Iraque recebeu apoio militar e financeiro dos EUA, da União Soviética, da França e das monarquias do Golfo. Saddam Hussein utilizou armas químicas fornecidas pelo imperialismo contra as tropas iranianas e contra a população curda do próprio Iraque. Apesar de todo esse apoio, o Iraque não conseguiu derrotar o Irã.
A revolução saiu vitoriosa, pagando um preço alto. A juventude iraniana que havia tomado o poder em 1979 foi a mesma que foi para a frente de combate contra a invasão. Ao mesmo tempo em que resistia, a revolução construiu o seu exército, que hoje é a principal força militar do Oriente Próximo e o maior entrave aos planos imperialistas para a região.
O alcance da revolução
A Revolução Iraniana de 1979 foi a maior revolução operária da segunda metade do século XX. Marcou o início do fim do controle imperialista sobre o Oriente Próximo. Sua influência se estendeu para muito além das fronteiras do Irã: inspirou e armou o Hesbolá no Líbano, apoiou a resistência palestina, sustentou o Ansar Alá no Iêmen e, ao longo das décadas seguintes, organizou o Eixo da Resistência que hoje enfrenta diretamente os planos dos EUA e de “Israel” na região.
A guerra atual contra o Irã é a continuação direta do enfrentamento aberto pela revolução de 1979. Por isso, compreender essa revolução é a tarefa fundamental para todos aqueles que se posicionam ao lado dos povos oprimidos do Oriente Próximo na luta anti-imperialista.
O curso A história do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.





